Santander apresenta proposta insuficiente e não retoma negociação após rejeição da COE
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander
voltou a se reunir com a direção do banco na quinta-feira (1º), em São
Paulo, para mais uma rodada de negociação para a renovação do Acordo Coletivo
de Trabalho (ACT). A proposta global apresentada pelo banco foi considerada
insuficiente pela representação dos trabalhadores, que esperava novos avanços
na mesa.
Após analisar os termos apresentados, a COE solicitou uma pausa e, na retomada
da reunião, rejeitou a proposta e cobrou melhorias. O banco, no entanto, não
apresentou novos avanços e optou por não retornar à mesa de negociação nesta
quinta-feira. A representação dos trabalhadores aguarda agora um novo contato
do Santander para a retomada das negociações.
“Não estamos encerrando o processo de negociação. Pelo contrário. Queremos
continuar negociando e esperamos que o Santander retome o diálogo. Temos uma
pauta construída pelos trabalhadores e precisamos discutir cada um dos pontos
com seriedade. O acordo precisa ser resultado de negociação, com avanços e
construção conjunta”, afirma Ana Marta, coordenadora da COE Santander.
Denúncias sobre trabalhadores hipersuficientes
No início da reunião, a representação dos trabalhadores
levou à mesa denúncias sobre casos de empregados considerados
“hipersuficientes” (aqueles com diploma de nível superior e salário maior que
dois tetos da Previdência Social), que estariam sendo pressionados a aceitar
acordos individuais de alteração contratual.
A prática gerou forte reação e denúncias por parte dos sindicatos de bancários.
A representação dos trabalhadores relembrou que havia sido acordado em uma
reunião específica que não seriam realizadas alterações dessa natureza até o
encerramento das negociações coletivas.
Questionado pela representação dos trabalhadores, o negociador do Santander
afirmou que o próprio banco também teria sido pego de surpresa com os casos e
alegou que a situação ocorreu em razão de um erro de sistema.
A representação dos trabalhadores, porém, deixou claro que, se houve um erro de
sistema e algum funcionário assinou o termo de alteração contratual, essa
assinatura não pode produzir efeitos e o documento deve ser invalidado. A
cobrança foi feita diante do compromisso assumido pelo banco de não realizar
esse tipo de alteração durante o processo de negociação coletiva.
Proposta do Santander
O Santander apresentou uma proposta global para a renovação
do ACT, prevendo a manutenção de todas as cláusulas atualmente vigentes e
alterações em diferentes pontos da pauta.
Entre as medidas apresentadas estão a isenção de coparticipação para
trabalhadores com deficiência (PCDs), além de propostas relacionadas à
bolsa-auxílio de estudos, banco de horas, Comissão de Conciliação Voluntária
(CCV) e PPRS.
Bolsa-auxílio de estudo
O banco apresentou uma proposta de revisão da bolsa-auxílio
de estudo, com ampliação dos cursos elegíveis e inclusão de novas
possibilidades, a serem sugeridas pelas entidades sindicais.
A proposta prevê 250 bolsas para segunda graduação e pós-graduação. Das 1.000
bolsas destinadas à graduação, 100 seriam direcionadas à segunda graduação.
Para a pós-graduação, das 400 bolsas previstas, 140 seriam destinadas à segunda
pós-graduação. Já entre as 100 bolsas para o primeiro MBA, 10 seriam destinadas
à realização de um segundo MBA.
O valor da bolsa também seria reajustado de acordo com o reajuste negociado na
Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), passando para R$ 948,50.
Banco de horas
Outro ponto apresentado pelo Santander trata do banco de
horas. A proposta prevê acesso dos trabalhadores às informações dos registros
de ponto.
Também foi apresentada a majoração da remuneração das horas trabalhadas aos
sábados e domingos, com pagamento correspondente a 1,5 vez o valor da hora, e
dos feriados, com pagamento em dobro.
A implementação das regras relativas ao banco de horas ainda está condicionada
à validação da representação dos trabalhadores.
Comissão de Conciliação Voluntária
Em relação à Comissão de Conciliação Voluntária (CCV), o
banco apresentou a possibilidade de ampliar o mecanismo para todo e qualquer
trabalhador que procure o sindicato para tratar de conflitos trabalhistas.
A CCV é um fórum extrajudicial negociado entre o movimento sindical e o
Santander para buscar a solução de conflitos trabalhistas envolvendo
ex-funcionários, sem a necessidade de acionamento imediato da Justiça.
Assim como o banco de horas, a proposta referente à CCV ainda depende de
validação pela representação dos trabalhadores.
PPRS
Na Participação nos Programas de Resultados Santander
(PPRS), o banco propôs a aplicação de ganho real de 1,2%, com a correção das
faixas para 5,20%.
A proposta, no entanto, foi rejeitada pela representação dos trabalhadores.
Isso porque, na avaliação da COE, da forma como a proposta está estruturada,
existe a possibilidade de o trabalhador receber, a título de PPRS, um valor
inferior ao recebido no ano passado.
A representação considera essa possibilidade inaceitável, uma vez que a PPRS
negociada no acordo não está vinculada ao lucro do banco, ao ROE ou a outros
indicadores de desempenho da instituição. O objetivo da negociação é justamente
estabelecer um valor que assegure aos trabalhadores uma referência mínima de
recebimento, considerando também o tratamento tributário específico da PPRS.
“Na PPRS, não estamos falando de uma parcela que esteja vinculada ao lucro, ao
ROE ou a qualquer outro indicador do banco. O que estamos negociando é uma
garantia para que nenhum trabalhador receba menos do que aquilo que foi
assegurado anteriormente. Da forma como a proposta foi apresentada, existe a
possibilidade de o trabalhador receber menos PPRS do que recebeu no ano
passado, e isso é inaceitável. A PPRS tem uma característica própria, inclusive
em relação à tributação, e o banco precisa considerar isso na proposta. Não
podemos aceitar um acordo que, na prática, possa representar perda para o trabalhador”,
afirma Rita Berlofa, secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e
funcionária do Santander.
A representação dos trabalhadores solicitou uma pausa para analisar a proposta
global. Na retomada da reunião, a COE comunicou a rejeição e cobrou novos
avanços. O banco, porém, não apresentou nova proposta e não retornou à mesa
para dar continuidade à negociação.
A COE Santander aguarda o contato do banco
para definir a retomada das negociações.
Fonte: Contraf-CUT