Nova CCT amplia combate ao assédio e fortalece proteção dos bancários

 

A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária, assinada em 9 de setembro pelo Comando Nacional dos Bancários e pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), traz avanços importantes no combate ao assédio moral, sexual e a outras formas de violência no ambiente de trabalho. Com vigência até 31 de agosto de 2028, o acordo amplia os mecanismos de prevenção e denúncia e fortalece a proteção dos trabalhadores.

A conquista foi resultado de uma Campanha Nacional marcada por uma longa negociação. Foram 13 rodadas entre representantes dos trabalhadores e dos bancos. Ao longo das tratativas, a Fenaban apresentou propostas que dividiam a categoria, retiravam direitos e prejudicavam os bancários. Todas elas foram rejeitadas em mesa pelo Comando Nacional dos Bancários até que fosse construído o acordo final, que reúne avanços econômicos e sociais.

Entre as medidas conquistadas está a ampliação do canal de combate ao assédio moral e sexual, mecanismo que já havia sido conquistado na Campanha Nacional de 2022 e aprimorado na Campanha de 2024. A partir da nova CCT, o canal também poderá receber denúncias de atos de assédio, racismo, violência e outras situações abusivas praticadas por clientes contra funcionários.

A mudança é importante porque reconhece que a violência no trabalho não ocorre apenas nas relações entre trabalhadores e gestores ou colegas. Bancários também podem estar sujeitos a constrangimentos, ameaças, ofensas, assédio e outras formas de violência praticadas por clientes durante o atendimento.

Além de acolher, apurar e tratar as ocorrências, os bancos deverão apresentar às entidades sindicais as estatísticas relacionadas às denúncias, ampliando a transparência e permitindo que o movimento sindical acompanhe a frequência dessas situações e cobre medidas de prevenção e enfrentamento.

Para a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, o avanço reforça a importância da negociação coletiva na construção de ambientes de trabalho mais seguros e respeitosos. “Combater o assédio, o racismo e todas as formas de violência no trabalho é proteger a dignidade dos bancários”, afirma Neiva.

Para o presidente do SINTRAFI Barretos e região, Marcelo Martins, o novo mecanismo também representa um avanço ao reconhecer que a proteção dos bancários precisa alcançar todas as situações de violência que podem ocorrer no cotidiano das agências. “Ao incluir as ocorrências praticadas por clientes no canal de denúncias, a CCT dá visibilidade a um problema que muitas vezes fica restrito ao ambiente da agência e sem o devido registro. Ter essas situações formalizadas permite identificar os principais problemas, cobrar providências dos bancos e construir medidas que contribuam efetivamente para a segurança e o respeito no local de trabalho”, destaca.

Fonte: Seeb/SP, com edição de SINTRAFI Barretos