Negociação da Cassi avança com proposta de aporte de R$ 2,288 bilhões
A 11ª rodada de negociações sobre o custeio da Caixa de
Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), realizada na
quinta-feira (29), em Brasília, registrou avanços importantes na busca por uma
solução para a recomposição das reservas da entidade.
Após sucessivas rodadas de negociação, o Banco do Brasil apresentou uma
proposta de aporte extraordinário de R$ 2,288 bilhões, comprometendo-se a
assumir 60% desse montante, o equivalente a aproximadamente R$ 1,373 bilhão. Os
40% restantes, correspondentes a R$ 915 milhões, seriam de responsabilidade dos
titulares do Plano de Associados.
A proposta representa um passo importante para enfrentar as necessidades
financeiras da Cassi e criar condições para a continuidade das discussões sobre
um novo modelo de custeio, capaz de assegurar sua sustentabilidade no longo
prazo.
Para Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do
Banco do Brasil, o avanço é resultado da mobilização e da atuação das entidades
representativas na mesa de negociação. “Conseguimos avançar em um ponto
fundamental, que é a participação do Banco do Brasil na recomposição das
reservas da Cassi. A proposta de o banco assumir 60% do aporte representa um
compromisso importante, mas também é resultado da pressão e da atuação das
entidades, que estão defendendo os interesses dos associados e a preservação da
nossa Caixa de Assistência”, destaca.
ATUAÇÃO DAS ENTIDADES REDUZ IMPACTO PARA OS ASSOCIADOS
A proposta inicial do Banco previa que a parcela de
responsabilidade dos associados fosse distribuída em 13 meses, a partir de
dezembro de 2026. Nesse formato, a contribuição extraordinária representaria um
acréscimo equivalente a 50% do valor atualmente pago por cada titular.
Preocupadas com o impacto dessa cobrança sobre o orçamento das famílias, as
entidades representativas do funcionalismo defenderam a ampliação do prazo de
pagamento para 18 meses.
Após a suspensão temporária da reunião para avaliação da reivindicação, o Banco
concordou com a proposta apresentada pelas entidades.
Com a alteração, o acréscimo mensal passa de 50% para 32% da contribuição
atual, reduzindo o impacto imediato sobre o orçamento dos associados. “Essa
redução é muito importante para os funcionários da ativa, aposentados e
pensionistas. Sabemos que qualquer contribuição adicional pesa no orçamento das
famílias. Por isso, defendemos desde o início que o pagamento fosse distribuído
em um prazo maior. A ampliação para 18 meses diminui o impacto mensal e
demonstra a importância de uma negociação firme e comprometida com os
associados”, afirma Fernanda.
O resultado demonstra a importância do diálogo e da atuação conjunta das
entidades na defesa dos interesses do funcionalismo.
APORTE EMERGENCIAL NÃO SUBSTITUI SOLUÇÃO DEFINITIVA
Durante as negociações, os representantes das entidades
ressaltaram que a recomposição das reservas é uma medida necessária e urgente,
mas não pode ser confundida com uma solução definitiva para os desafios
financeiros da Cassi.
Foi reconhecido o esforço da administração da Caixa de Assistência na gestão
dos recursos disponíveis, permitindo que a instituição mantivesse suas
atividades e obrigações até o momento.
Entretanto, a sustentabilidade da Cassi exige mais do que medidas
extraordinárias. É indispensável avançar na construção de um modelo de custeio
equilibrado, duradouro e capaz de acompanhar a evolução das despesas
assistenciais, preservando a qualidade do atendimento e a capacidade
contributiva dos associados.
“Não podemos tratar esse aporte como uma solução definitiva. Ele é necessário
para recompor as reservas e garantir a continuidade da assistência, mas
precisamos avançar na discussão de um modelo de custeio sustentável. A Cassi é
um patrimônio dos funcionários do Banco do Brasil e precisa de condições para
continuar oferecendo atendimento de qualidade, tanto para quem está na ativa
quanto para aposentados e pensionistas”, ressalta a coordenadora da Comissão de
Empresa.
Nesse sentido, ficou estabelecido que, caso a proposta de aporte seja aprovada,
será instalada, no início de dezembro, uma comissão encarregada de discutir os
critérios e princípios de um novo estatuto.
A previsão é que os trabalhos sejam concluídos até o final
do primeiro semestre de 2027, quando a proposta deverá ser submetida à
deliberação do corpo social.
ASSOCIADOS TERÃO A PALAVRA FINAL
A proposta negociada ainda depende da aprovação dos
associados da Cassi. A Caixa de Assistência disponibilizará um simulador para
que cada associado possa consultar o valor de sua contribuição durante o
período do aporte extraordinário.
A consulta ao corpo social está prevista para ocorrer entre os dias 18 e 25 de
novembro de 2026. Antes disso, deverá ser firmado um memorando de entendimento
formalizando os critérios negociados.
Se aprovada, a contribuição extraordinária dos associados terá início em
dezembro de 2026, com pagamento distribuído em 18 meses.
Já a parcela de responsabilidade do Banco do Brasil será aportada em duas
etapas, previstas para dezembro de 2026 e janeiro de 2027. “A decisão final é
dos associados, que precisam ter todas as informações para avaliar a proposta.
Nosso papel é garantir transparência, esclarecer os impactos e continuar
acompanhando as negociações. A luta não termina com a aprovação do aporte:
precisamos assegurar um modelo de custeio que preserve a Cassi e o direito à
assistência à saúde de todos os seus associados”, conclui Fernanda Lopes.
Fonte: Contraf-CUT
