Itaú: Movimento sindical cobra ampliação de indenização por fechamento de agências e avanços na renovação do ACT
Representantes dos trabalhadores do Itaú reuniram-se com a
direção do banco na quarta-feira (7) para discutir a renovação do Acordo
Coletivo de Trabalho (ACT) Macro e a ampliação da indenização adicional aos
bancários demitidos em razão do fechamento de agências. A representação dos
trabalhadores também cobrou avanços em questões relacionadas ao teletrabalho,
banco de horas, saúde e condições de trabalho.
Durante a reunião, o Itaú apresentou dados referentes a
direitos previstos no atual ACT. Em relação ao teletrabalho, o banco informou
que cerca de 50 mil empregados, o equivalente a 67% do quadro de funcionários,
trabalham em regime híbrido.
Sobre o banco de horas, foram apresentados números de horas
extras pagas e compensadas: aproximadamente 10 mil horas foram remuneradas e
outras 23 mil compensadas. O movimento sindical solicitou que o Itaú detalhe
quantas dessas horas foram realizadas aos sábados, domingos e feriados. O banco
se comprometeu a apresentar as informações na próxima reunião.
Em relação às bolsas de educação, o Itaú informou que
disponibiliza 5.661 bolsas para graduação, pós-graduação e segunda graduação,
das quais 4.691 foram concedidas aos bancários. Na base de São Paulo, foram
contemplados 2.857 trabalhadores.
COE cobra ampliação da indenização por demissões
Um dos principais pontos da reunião foi a reivindicação de
ampliação da indenização adicional aos trabalhadores desligados em decorrência
do fechamento de agências.
Segundo o próprio Itaú, 235 agências foram encerradas apenas
entre janeiro e outubro de 2026.
A representação dos trabalhadores voltou a defender que o
benefício seja estendido a todos os bancários da rede de agências do Varejo e
Digital, incluindo o segmento Empresas e os empregados que pedem demissão.
O movimento sindical também reivindicou o aumento dos
valores pagos, destacando que os lucros apresentados pelo Itaú nos últimos
balanços demonstram que o banco tem condições financeiras de atender à demanda.
A cobrança ocorre em meio ao processo de reestruturação
promovido pelo Itaú, marcado pelo fechamento de agências e pela redução do
quadro de funcionários. Em apenas um ano, o banco eliminou mais de 4 mil postos
de trabalho, segundo os dados apresentados pela representação dos
trabalhadores.
Os representantes dos empregados ressaltaram que a
reestruturação tem consequências diretas para a vida dos bancários e suas
famílias, tornando ainda mais necessária a ampliação das medidas de proteção
aos trabalhadores. O Itaú ficou de apresentar uma resposta às reivindicações na
próxima reunião.
Transparência, banco de horas e saúde também estão na pauta
Na discussão sobre a renovação do ACT Macro, o movimento
sindical destacou a importância de fortalecer os mecanismos de acompanhamento e
fiscalização das condições de trabalho pelos sindicatos, garantindo maior
segurança e proteção aos empregados.
Entre as reivindicações estão mais transparência nos
mecanismos de monitoramento do trabalho, elaboração conjunta de termos de
ciência, discussão sobre as ferramentas utilizadas para medir o desempenho dos
empregados, além da garantia de feedback e revisão humana das avaliações.
Outro ponto defendido pela representação dos trabalhadores é
que a compensação do banco de horas seja definida de comum acordo entre
empregado e empregador, sem imposição unilateral das datas pelo Itaú.
O movimento sindical também quer avançar nas negociações
sobre saúde e condições de trabalho, especialmente na implementação da Norma
Regulamentadora nº 1 (NR-1), conforme previsto na nova Convenção Coletiva de
Trabalho (CCT) da categoria.
“A renovação do ACT Macro é fundamental para preservar
direitos, ampliar conquistas e garantir instrumentos de proteção diante das
mudanças promovidas pelo banco. O Sindicato seguirá cobrando respostas do Itaú
e avanços concretos nas negociações, especialmente diante dos impactos da
reestruturação e da redução de postos de trabalho sobre os bancários”, afirma
Valeska Pincovai, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE)
do Itaú.
Fonte: Seeb/SP, com edição de SINTRAFI Barretos
