CCT 2026/2028 garante indenização extra e apoio à recolocação após fechamento de agências
A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários,
assinada em 9 de setembro pelo Comando Nacional dos Bancários e pela Federação
Nacional dos Bancos (Fenaban), conquistou medidas adicionais de proteção aos
trabalhadores de bancos privados demitidos em decorrência do fechamento de
agências. O acordo prevê indenização complementar à já estabelecida na CCT,
além de um programa de qualificação e recolocação profissional.
A conquista é resultado da Campanha Nacional dos Bancários
2026, marcada por 13 rodadas de negociação. Em um cenário de reestruturação do
sistema financeiro, digitalização dos serviços e redução da rede de atendimento
presencial, as medidas representam um avanço na proteção aos trabalhadores
impactados pelas mudanças promovidas pelos bancos.
Indenização maior para quem perde o emprego
Uma das medidas conquistadas é o pagamento de uma
indenização adicional aos bancários demitidos em virtude do fechamento de
agências. O valor se soma à indenização adicional já prevista na Convenção
Coletiva e varia conforme o tempo de vínculo do trabalhador com o banco.
Com a nova regra, o total da indenização adicional passa a
corresponder a:
- Até 5 anos de banco: 3 salários;
- De 5 a 10 anos: 5,5 salários;
- De 10 a 20 anos: 7 salários;
- Acima de 20 anos: 9 salários.
Para Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de
São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, a
conquista reforça a importância da organização coletiva na defesa dos empregos
e dos direitos da categoria.
“Os bancos promovem o fechamento de agências e a
transformação dos serviços, mas os trabalhadores não podem ser tratados como
números nesse processo. Conquistamos uma indenização adicional e um programa de
qualificação e recolocação para ampliar a proteção de quem for demitido em
decorrência do fechamento de agências. São medidas importantes, fruto da
negociação coletiva e da luta da categoria, mas seguimos defendendo o emprego
bancário e a manutenção de uma rede de atendimento que atenda às necessidades
da população”, afirma Neiva.
Qualificação e recolocação profissional
Além da compensação financeira, a nova CCT estabelece um
programa de requalificação e recolocação profissional, que será desenvolvido
com apoio da consultoria internacional Gi Group. O programa prevê a elaboração
de planos individuais para os trabalhadores, com diagnóstico profissional,
entrevistas e planejamento para a realocação no mercado de trabalho.
Os bancários também terão acesso a uma plataforma de cursos
de qualificação e serão cadastrados em um banco de talentos. A ferramenta
permitirá conectá-los a empresas interessadas em profissionais com suas
competências.
Proteção ao emprego segue como prioridade
O fechamento de agências afeta não apenas os trabalhadores,
mas também a população que depende do atendimento presencial, especialmente
pessoas com dificuldades de acesso aos canais digitais. Para os bancários, a
redução da rede pode significar perda de postos de trabalho, mudanças nas
condições de trabalho e insegurança profissional.
Nesse contexto, a indenização complementar e o programa de
qualificação e recolocação constituem mecanismos de proteção para os empregados
atingidos pelos fechamentos. As medidas não substituem a necessidade de
defender os empregos e impedir que a modernização dos serviços seja usada como
justificativa para eliminar postos de trabalho sem considerar seus impactos
sociais.
“A assinatura da Convenção Coletiva é mais uma etapa, mas a
defesa dos direitos dos bancários exige mobilização permanente. É a união da
categoria que fortalece nossa capacidade de enfrentar as transformações do
sistema financeiro, preservar empregos e garantir condições dignas de trabalho,
sem comprometer o atendimento à população”, ressalta Marcelo Martins,
presidente do SINTRAFI Barretos e região.
Fonte: Seeb/SP, com edição SINTRAFI Barretos
