Corte da Selic é positivo, mas juros ainda permanecem em patamar elevado
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central
reduziu na quarta-feira (16) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14%
para 13,75% ao ano. A decisão dá continuidade ao ciclo de redução dos juros e
ocorre em um cenário de desaceleração da inflação e de perda de ritmo da
atividade econômica.
Para o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale,
a redução é importante, mas o nível dos juros básicos ainda representa uma
forte restrição para a economia brasileira.
“A redução da Selic é uma medida
importante, mas ainda insuficiente diante do patamar elevado dos juros no
Brasil. A taxa básica influencia diretamente o custo do crédito e,
consequentemente, as condições para o consumo, o investimento e a geração de
empregos. É fundamental que o processo de redução tenha continuidade, de forma
a permitir que os efeitos positivos cheguem à economia real e às famílias”,
afirma Walcir.
A inflação acumulada em 12 meses desacelerou, enquanto os indicadores de
atividade econômica mostram sinais de perda de ritmo. O IBC-Br, calculado pelo
Banco Central e utilizado como indicador antecedente do PIB, registrou queda de
0,6% em junho na comparação com maio, na série com ajuste sazonal. O próprio
Banco Central aponta, em suas análises, perspectiva de crescimento moderado no
segundo semestre em um ambiente de política monetária ainda contracionista.
Juros altos têm impacto sobre famílias, empresas e contas
públicas
Os efeitos de uma taxa de juros elevada vão além do custo de
empréstimos, cartões de crédito e financiamentos. Para as famílias, juros altos
dificultam o acesso ao crédito e comprometem uma parcela maior da renda com o
pagamento de encargos financeiros.
Para as empresas, o custo elevado do dinheiro pode dificultar investimentos, expansão
da produção e contratação de trabalhadores. Já para o setor público, uma
parcela relevante da dívida está vinculada a taxas de juros, aumentando o custo
financeiro para o Estado.
Na revisão do Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026, o Tesouro Nacional
projetou que os títulos públicos remunerados pela Selic representem entre 49% e
53% da Dívida Pública Federal ao final do ano.
Para Walcir Previtale, a discussão sobre a política monetária precisa
considerar seus efeitos sobre toda a sociedade.
“Quando os juros permanecem
elevados por muito tempo, o custo não fica restrito ao sistema financeiro. Ele
pesa no orçamento das famílias, encarece o financiamento das empresas e aumenta
a despesa do setor público com juros da dívida. A redução da Selic abre espaço
para uma economia com mais crédito e investimento, mas é necessário avançar
para que esse processo produza efeitos concretos sobre o emprego, a renda e as
condições de vida da população”, destaca o secretário da Contraf-CUT.
Contraf-CUT e Sindicato defendem continuidade da redução
Entidades avaliam que a combinação entre a desaceleração da inflação e sinais de perda de dinamismo da atividade econômica reforça a importância de uma trajetória de redução dos juros.
“O Brasil precisa superar
um modelo em que o crédito caro funciona como freio para a atividade econômica.
A política monetária deve levar em conta não apenas os indicadores do mercado
financeiro, mas também seus impactos sobre trabalhadores, consumidores,
empresas e sobre a capacidade do Estado de financiar políticas públicas. Com a
Selic ainda em 13,75% ao ano, há espaço para que o ciclo de redução continue”,
conclui Walcir Previtale.
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
