CCJ do Senado aprova fim da escala 6x1 e redução da jornada para 40 horas
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal
aprovou nesta quarta-feira (2) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº
221/2019, que prevê o fim da escala 6x1, com dois dias de descanso semanal,
preferencialmente um deles aos domingos, e a redução da jornada de trabalho das
atuais 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
A aprovação é resultado da mobilização da CUT, das demais
centrais sindicais, sindicatos de todo o país e dos movimentos sociais. O movimento sindical e parlamentares do campo progressista há
anos defendem a redução da jornada como medida para melhorar as condições de
trabalho e a qualidade de vida da classe trabalhadora.
Após horas de debates e tentativas da oposição em tumultuar
e obstruir a sessão, o relatório apresentado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM)
foi aprovado. O texto mantém integralmente a proposta já aprovada pela Câmara
dos Deputados em maio deste ano. A estratégia evita que a PEC tenha de retornar
à Câmara para uma nova votação caso seja aprovada pelo plenário do Senado.
A votação na CCJ foi simbólica, sem contagem nominal dos
votos. Quatro senadores solicitaram que fosse registrado que votaram contra a
proposta: Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza
Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO). Os demais integrantes da comissão
votaram a favor.
O relator rejeitou as alterações apresentadas durante a
discussão, incluindo propostas para manter a jornada de 44 horas semanais. A
oposição também tentou adiar a votação por meio de pedido de vista coletiva. O
presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), concedeu uma hora para
análise, mas a votação foi realizada ainda nesta quarta-feira.
A definição da data depende agora do presidente do Senado,
Davi Alcolumbre (União-AP). Senadores aliados do governo Lula pressionam para
que a votação em plenário ocorra ainda nesta semana, mas Alcolumbre ainda não
confirmou uma data.
Para o secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT, Jeferson Meira, o Jefão, a aprovação na CCJ representa um passo importante na luta pela redução da jornada e pelo fim de uma escala que penaliza milhões de trabalhadores. “O fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas, sem redução salarial, são bandeiras históricas da classe trabalhadora e uma luta que reúne a CUT, as demais centrais sindicais e os movimentos sociais. A aprovação na CCJ mostra que estamos avançando, mas a nossa mobilização precisa continuar. Agora é pressionar para que o plenário do Senado vote e aprove essa proposta. Trabalhar menos, com salário preservado, significa mais qualidade de vida, mais tempo para a família, para o descanso e, também, mais dignidade para quem vive do trabalho”, afirma Jefão.
"Vários países já avançaram na
redução da jornada de trabalho com sucesso e com ganhos concretos na
produtividade, mas infelizmente a direita política no Brasil, ao longo da
história, sempre dificultou a vida da classe trabalhadora. Por isso é
importante que o trabalhador saiba em quem vai realmente representá-lo no
Legislativa e Executivo na hora do voto", completa.
A aprovação da PEC na CCJ destrava uma proposta que estava
parada no Senado há quase três meses. Caso o plenário mantenha o texto aprovado
pela Câmara, sem alterações, a matéria poderá seguir para promulgação pelo
Congresso Nacional após a aprovação nos dois turnos.
“A nossa participação e de toda a população nessas atividades é essencial para mostrar aos parlamentares que existe, sim, apoio social à redução da jornada e ao fim de modelos de trabalho que adoecem e retiram qualidade de vida dos trabalhadores. A redução da jornada sem redução salarial também é pauta do nosso Sindicato, porque defendemos que todo trabalhador e toda trabalhadora têm direito a uma vida digna, com tempo para a família, o descanso, o estudo e o lazer... e não apenas para sobreviver ao trabalho”, destacou o presidente do SINTRAFI Barretos e região, Marcelo Martins.
“Essa luta, inclusive, não é nova para a categoria bancária. Já enfrentamos tentativas de retirar direitos e avançar sobre nossos finais de semana, como ocorreu com a imposição do Santander, que só foi barrada graças à força e à mobilização do movimento sindical. Por isso, reforçamos: é com organização, participação e pressão social que avançamos. A luta por qualidade de vida e trabalho digno é de todos nós!”, reforçou Marcelo.
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
