Caixa apresenta proposta final e afirma que ingressará com dissídio coletivo se não houver aprovação
As negociações entre a Caixa Econômica Federal e a Comissão
Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) foram retomadas na manhã desta
quinta-feira (10), em São Paulo, com a apresentação de uma proposta final do
banco para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico dos empregados e
empregadas.
A proposta apresentada pela Caixa é válida até esta sexta-feira (11). O banco
informou que, caso os termos não sejam aprovados pela categoria dentro do
prazo, retirará a proposta e ingressará com dissídio coletivo, situação em que
as questões não seriam mais definidas por meio de negociação entre as partes,
mas por decisão judicial.
A CEE definiu que as assembleias devem ser realizadas nesta sexta (11), das 16h
às 23h, com plenária às 15h.
A coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, destaca que a mobilização da
categoria continua sendo fundamental diante do cenário das negociações. “A
mobilização dos empregados foi fundamental para que a Caixa trouxesse uma nova
proposta. A greve continua até a decisão das assembleias. Nossa intenção é
sempre resolver a campanha com negociação em busca de conquistas, e não com
judicialização.”
Entre os principais pontos da proposta apresentada pela Caixa está a manutenção
de todas as cláusulas negociadas nas mesas de negociação de 2026.
Saúde Caixa
A proposta também apresenta medidas relacionadas ao Saúde Caixa. O banco prevê
a antecipação da sua parte da 13ª mensalidade dos anos de 2028, 2029 e 2030
para a cobertura completa do déficit de 2026.
Também está prevista a implantação, a partir de janeiro de 2027, da cobrança do
novo modelo de custeio, além do pagamento dos valores relativos ao PAMS, com
retroatividade a 2021.
Outro compromisso incluído na proposta é a ampliação da participação da Caixa
no custeio do plano, de 6,5% para 8%, que deverá constar em cláusula do acordo.
A proposta prevê ainda a constituição de grupos de trabalho para discutir
melhorias de eficiência do plano, a possibilidade de uma terceira fonte de
renda e a criação de um modelo que destine ao Saúde Caixa parte do lucro
relacionado ao aumento de produtividade.
Também estão previstas ações de prevenção à saúde no valor de R$ 236 milhões a
partir de janeiro de 2027.
Pagamentos e prêmio de R$ 3 mil
A Caixa informou que, caso a proposta seja aprovada, realizará em 18 de
setembro de 2026 o pagamento do salário reajustado, da PLR, do Super CAIXA e do
prêmio previsto no acordo.
O prêmio de R$ 3 mil por empregado refere-se ao atingimento do Índice de
Eficiência Operacional (IEO), alcançado em junho de 2026.
Demais pontos negociados
A proposta mantém cláusulas já negociadas ao longo das mesas de 2026, incluindo
medidas relacionadas à diversidade, como censo, equidade de gênero, comissões,
combate à discriminação e acessibilidade para pessoas com deficiência.
Na área de saúde integral, está prevista a manutenção do Programa Linha de
Cuidado, além do enquadramento de empregados PcD conforme a legislação e da
avaliação das condições de trabalho, possibilitando redução da jornada em até
25%, trabalho remoto e outras formas de flexibilização.
Também estão entre os itens negociados a flexibilização das ausências
permitidas, o abono de férias independente do período do descanso e a criação
do Grupo de Trabalho Trajetória, para discutir temas como PFG, PCS, PSI e
remuneração variável.
Em relação ao atendimento, a proposta prevê a suspensão, até 31 de dezembro, da
penalização relacionada ao alcance de metas no sistema Genesys/Figital, além do
aumento do tempo para continuidade do atendimento, de cinco para dez minutos.
Outro ponto é a possibilidade de adiantamento salarial durante licença-saúde,
de forma opcional, com postergação da devolução durante eventual recurso junto
ao INSS.
Greve continua
Diante da proposta apresentada e do prazo estabelecido pela Caixa, a
mobilização deve ser mantida até que a categoria possa avaliar os termos e
deliberar em novas assembleias.
A greve teve início nesta quinta-feira (10) e segue por tempo indeterminado. A
decisão sobre os próximos passos caberá aos empregados e empregadas da Caixa,
por meio das assembleias convocadas pelas entidades representativas.
A proposta da Caixa permanece válida até sexta-feira, 11 de setembro de 2026.
Fonte: Contraf-CUT
