Saúde Caixa: Banco insiste em proposta que gera perda de remuneração aos empregados
A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa recusou,
na mesa de negociação realizada nesta sexta-feira (14), a nova proposta
apresentada pelo banco para o custeio do Saúde Caixa. Para a representação das
empregadas e dos empregados, o modelo continua transferindo para os usuários a
responsabilidade pelo aumento dos custos, rompe com princípios de solidariedade
e com o pacto intergeracional e pode provocar uma debandada de beneficiários,
comprometendo ainda mais a sustentabilidade do plano.
A rodada, que faz parte das negociações específicas da
Campanha Nacional dos Bancários 2026, também registrou avanços importantes em
outros dois temas. Na Promoção por Mérito, a Caixa retirou o Alcance.Caixa dos
critérios, acolheu reivindicações apresentadas pela CEE e garantiu o pagamento
dos deltas em janeiro de 2027 e de 2028. O banco também acatou a cobrança da
representação sindical e suspendeu o processo de seleção para migração de
função de caixas e tesoureiros enquanto o tema é debatido na mesa de
negociação.
Saúde Caixa: custo não pode ser jogado para os usuários
A proposta apresentada pela Caixa prevê mensalidades por
beneficiário definidas de acordo com a faixa etária, 13 contribuições anuais,
piso de R$ 400 por grupo familiar e limite de comprometimento de até 12% da
remuneração-base do titular. Todos os integrantes do grupo familiar, inclusive
dependentes indiretos, entram no cálculo por faixa etária. A apresentação do
banco prevê o novo formato de custeio a partir de 1º de setembro.
Atualmente, o teto familiar é de 7% da remuneração-base. A
proposta, portanto, amplia significativamente o limite que pode comprometer a
renda mensal das famílias para o pagamento do plano. O ACT vigente estabelece
contribuição de 3,5% da remuneração-base do titular, além das mensalidades dos
dependentes, dentro das regras previstas no acordo.
Confira a tabela com a proposta da Caixa
Para a CEE, o problema central continua sem resposta: a
Caixa precisa ampliar sua própria participação no custeio do plano. O movimento
sindical reivindica a retomada efetiva da proporção histórica de 70% dos custos
para a Caixa e 30% para os usuários. Essa reivindicação está expressamente
prevista na minuta da Campanha Nacional de 2026.
A própria minuta reivindica que solidariedade, mutualismo e
pacto intergeracional sejam fundamentos permanentes do Saúde Caixa. “Ao
estabelecer uma cobrança crescente conforme a idade e fazer o equilíbrio do
plano depender de um aumento substancial das contribuições dos beneficiários, a
proposta apresentada pelo banco segue no sentido oposto”, observa a
coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.
O alerta é ainda maior porque o Saúde Caixa já vem perdendo
beneficiários. Em negociação anterior, a Caixa informou que, entre 2023 e
fevereiro de 2026, foram registradas 20.056 adesões e 35.446 cancelamentos, um
saldo negativo de 15.390 vidas. Para a CEE, aumentar fortemente o peso das
mensalidades pode ampliar as saídas e enfraquecer justamente a lógica
mutualista que depende de uma carteira ampla e diversificada.
Proposta causa perda de remuneração
Outro ponto destacado pela CEE é que o aumento do custo do
Saúde Caixa representa, na prática, perda de remuneração para as empregadas e
empregados.
Na mesa, a representação sindical alertou que elevar o
limite familiar dos atuais 7% para até 12% pode consumir o reajuste salarial
que venha a ser conquistado na Campanha Nacional. “Mesmo na hipótese de
conquista da reivindicação apresentada pela categoria de reposição integral da
inflação acrescida de 5% de aumento real, parte expressiva dos empregados
poderia ter o ganho absorvido pela elevação da despesa com o plano de saúde”,
ressaltou a coordenadora da CEE/Caixa.
Na proposta anterior, recusada em 5 de agosto, a própria CEE
já havia alertado que aumentar fortemente a contribuição dos beneficiários sem
ampliar a parcela paga pelo banco poderia obrigar trabalhadores, aposentados e
pensionistas a retirar dependentes ou abandonar o Saúde Caixa. Dados
apresentados naquela negociação mostraram que, em 2025, os usuários já
responderam por aproximadamente 46% do financiamento regular do plano, enquanto
a Caixa ficou com cerca de 54%, proporção bastante distante do modelo histórico
70/30.
Para a representação sindical, não há sustentabilidade real
quando o equilíbrio é obtido por meio da redução da renda dos empregados ou da
saída de beneficiários. A solução precisa passar pelo aumento da participação financeira
da Caixa.
Avanço na Promoção por Mérito
Se o Saúde Caixa ainda exige uma mudança substancial de
posição do banco, a negociação registrou avanço na Promoção por Mérito.
Depois de a CEE rejeitar, em 31 de julho, uma proposta que
estabelecia exigências consideradas excessivas, a Caixa apresentou um novo
desenho e retirou o Alcance.Caixa como critério para obtenção dos deltas. A
retirada atende uma cobrança importante da representação dos empregados, que
vinha alertando para o risco de vincular uma progressão permanente na carreira
a indicadores de desempenho que não dependem exclusivamente do trabalhador.
O banco também garantiu que os deltas referentes ao ano-base
2026 sejam pagos em janeiro de 2027 e os relativos ao ano-base 2027, em janeiro
de 2028. A inclusão do pagamento em janeiro é uma reivindicação histórica da
CEE e está expressamente prevista na minuta entregue à Caixa, que determina que
a apuração seja concluída em tempo hábil para o crédito no primeiro mês do ano
seguinte.
A proposta ajustada ficou assim:
Também houve avanço nos critérios de desempate. A ordem
passa a considerar, primeiro, a realização de curso relacionado aos temas
definidos (sustentabilidade/cidadania ou inteligência artificial/tecnologia);
depois, o maior tempo de Caixa; e, por último, a quantidade de ações
realizadas. Os temas específicos dos cursos serão definidos em Grupo de
Trabalho (GT).
Todas as ações que contam para a Promoção por Mérito
precisam ser realizadas dentro do respectivo ano de apuração.
A Promoção por Mérito é uma conquista da organização das
empregadas e empregados e da negociação coletiva. Os deltas geram progressão na
estrutura salarial e passam a compor permanentemente a remuneração. Por isso, a
CEE vem defendendo critérios objetivos, acessíveis e conhecidos previamente,
além do pagamento obrigatoriamente em janeiro.
Caixa suspende migração de caixas e tesoureiros
Outro bom resultado da negociação foi a suspensão do
processo de seleção iniciado pela Caixa para a migração de caixas e tesoureiros
para outras funções.
A CEE havia questionado a medida porque trabalhadores foram
chamados a manifestar interesse em uma mudança funcional sem que o processo
tivesse sido previamente apresentado e debatido com a representação sindical.
Na negociação desta sexta-feira, a Caixa reconheceu o problema, pediu desculpas
pela forma como o procedimento foi iniciado e informou que o processo ficará
suspenso enquanto o tema estiver em negociação. Na próxima reunião, a Caixa se
comprometeu a levar à mesa os responsáveis pelo atual processo de migração para
apresentar as informações cobradas pela CEE e explicar detalhadamente o
projeto.
O banco também reconheceu a necessidade de discutir a
elaboração de um novo Plano de Funções Gratificadas (PFG). O atual PFG é de
2010 e, para a CEE, já não contempla diversas tarefas, funções e transformações
ocorridas na organização do trabalho. A construção de um novo plano deverá ser
tratada na mesa permanente de negociação.
A reivindicação dos empregados vai além de solucionar
pontualmente a situação de caixas e tesoureiros. A CEE defende um PFG
construído com a representação sindical, já que o atual PFG não responde mais à
realidade da Caixa. “A empresa mudou, o trabalho mudou, as exigências
aumentaram, mas os instrumentos de carreira ficaram para trás. A Caixa precisa
construir, com a representação dos empregados, novos planos que valorizem a
trajetória profissional, deem previsibilidade e acabem com os remendos que
geram insegurança, sobrecarga e adoecimento”, ressaltou Luiza.
A CEE também observou que o novo PFG precisa definir
claramente atribuições e responsabilidades para todas as funções e também acabe
com a utilização de designações por minuto, regularize quem exerce
permanentemente essas atividades, assegure o direito de permanência nas funções
e permita migração voluntária para funções de remuneração igual ou superior.
Essa discussão está relacionada à reivindicação mais ampla
por um novo PFG, um novo Plano de Cargos e Salários (PCS) e processos seletivos
internos com critérios objetivos, transparentes e democráticos. A CEE já havia
cobrado que qualquer estudo sobre PFG, PCS e PSI seja compartilhado e negociado
antes de sua implementação.
CEE cobra respostas para toda a pauta
Apesar dos avanços obtidos nesta sexta-feira na Promoção por
Mérito e na suspensão do processo de migração, a CEE voltou a cobrar da Caixa
respostas para todas as reivindicações apresentadas ao longo das negociações
específicas.
Entre os principais pontos estão uma solução sustentável
para o Saúde Caixa com maior participação financeira do banco; novo PFG e novo
PCS; regras transparentes para os PSIs; valorização das funções e proteção da
remuneração; negociação dos programas de remuneração variável; melhores
condições de trabalho, combate às metas abusivas e ao adoecimento; regras
negociadas para o teletrabalho; ampliação do quadro de pessoal; e garantias
para que mudanças tecnológicas ou organizacionais não sejam implantadas
unilateralmente.
Campanha Nacional entra em momento decisivo
As negociações específicas com a Caixa fazem parte da
Campanha Nacional dos Bancários 2026 e ocorrem simultaneamente à mesa geral
entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos
(Fenaban).
Na última rodada da mesa única com a Fenaban, realizada na
quinta-feira (13), os bancos frustraram a categoria ao não apresentarem o
índice de reajuste salarial nem a proposta global cobrada pelo Comando
Nacional. Em vez disso, a Fenaban propôs congelar o piso de ingresso dos novos
bancários e aplicar reajustes diferenciados para três faixas salariais, sem
informar sequer os parâmetros das faixas ou os percentuais de reajuste.
Diante da falta de avanços, o Comando Nacional definiu a
realização de assembleias em todo o país na segunda-feira, 17 de agosto, para
que bancárias e bancários deliberem sobre o modelo de reajuste proposto pela
Fenaban, que divide a categoria por faixas salariais e congela o piso de
ingresso, e sobre a realização de paralisação de 24 horas no dia 20 de agosto.
A próxima negociação da Campanha Nacional Unificada está marcada para
terça-feira (18).
A orientação é para que empregadas e empregados da Caixa
acompanhem as informações divulgadas pela Contraf-CUT e pelos sindicatos de
suas respectivas bases, participem das assembleias e das mobilizações e
fortaleçam a pressão por avanços tanto na mesa específica da Caixa quanto na
negociação nacional com a Fenaban.
Fonte: Contraf-CUT


