Paralisação dos bancários ganha repercussão na imprensa e expõe intransigência dos bancos na Campanha Nacional
A paralisação nacional dos bancários, realizada nesta
quinta-feira (20), ganhou repercussão em veículos de imprensa de diferentes
regiões do país. A mobilização, de 24 horas, ocorre diante da falta de avanços
nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e da ausência de uma
proposta econômica apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na
oitava rodada de negociação, realizada na terça-feira (18).
A imprensa nacional destacou a paralisação e os principais
pontos da campanha salarial, entre eles a reivindicação de aumento real,
valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), reajuste do piso e
melhorias nos benefícios. A Folha de S.Paulo informou que a mobilização ocorre
diante da falta de uma proposta concreta dos bancos e também destacou a
participação da coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva
Ribeiro, nas críticas à postura da Fenaban.
O movimento também foi noticiado pelo Brasil de Fato, que
ressaltou que a paralisação foi aprovada pela categoria depois da rejeição da
proposta apresentada pelos bancos durante as negociações. Essa proposta
congelava o piso de ingresso e tentava dividir os reajustes em três faixas
salariais, atacando a unidade dos trabalhadores.
Os portais InfoMoney e Poder 360 deram destaque para o alto
índice de rejeição das condições oferecidas pelos bancos, que foram recusadas
por 95% dos votos da categoria ao redor do país.
Já o site Metrópoles também abordou a situação enfrentada
pelos bancários da Caixa, que vêm lutando contra propostas do banco que tentam
impor altos reajustes no plano de saúde. Em sua matéria, o portal trouxe o relato
de uma empregada que questiona a gestão do Saúde Caixa: “Penso que a ideia da
empresa é acabar com o plano mesmo… quem consegue gerir um banco não consegue
administrar um plano de saúde?”
Digitalização não pode significar exclusão
Para os bancários, a digitalização não pode ser utilizada
como justificativa para reduzir o atendimento presencial e os postos de
trabalho. A transformação tecnológica do sistema financeiro é acompanhada,
segundo o movimento sindical, pelo fechamento de agências e pela redução da
presença física dos bancos justamente em locais onde a população mais precisa
de atendimento.
A discussão sobre o alcance da paralisação, portanto, vai
além do funcionamento das agências nesta quinta-feira. Para os trabalhadores,
está em jogo o modelo de sistema financeiro que será oferecido à população.
“Os números evidenciam um processo de demissões em massa,
que impacta não apenas os trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento
à população. Além de representar um ataque aos direitos dos trabalhadores, essa
prática compromete o acesso da sociedade aos serviços bancários. Quem paga essa
conta é a população, especialmente os idosos, as pessoas mais pobres e aqueles
que têm mais dificuldade de acesso aos meios digitais. Ao mesmo tempo em que os
bancos direcionam investimentos para os clientes mais rentáveis, buscando
ampliar seus lucros, mantêm tarifas e juros elevados para a maioria da
população. A paralisação desta quinta-feira também é uma luta por atendimento
digno, pela reabertura e manutenção de agências e por um sistema financeiro que
esteja a serviço da sociedade, e não apenas da rentabilidade dos bancos”,
afirmou Neiva Ribeiro.
A própria cobertura da imprensa reconhece que, apesar do
avanço dos canais digitais, o atendimento presencial continua relevante para
situações mais complexas e sensíveis.
“É preciso lembrar que muitas operações digitais de idosos e
de pessoas sem letramento digital são realizadas dentro das próprias agências,
com o auxílio dos bancários. O trabalhador atende presencialmente, mas também
dá suporte aos clientes nos canais digitais, muitas vezes atendendo várias
pessoas simultaneamente. Portanto, dizer que a digitalização tornou o
atendimento presencial desnecessário não corresponde à realidade: por trás de
muitas operações digitais existe o trabalho do bancário”, destaca a
coordenadora do Comando Nacional.
Bancos podem atender às reivindicações
A mobilização coloca novamente no centro do debate a
capacidade econômica do setor financeiro de atender às reivindicações dos trabalhadores.
A categoria sustenta que não há justificativa para que os bancos apresentem
propostas que representem perda ou redução de direitos enquanto mantêm elevada
rentabilidade.
A paralisação desta quinta-feira é, portanto, um recado
direto à Fenaban: os bancários querem negociação efetiva e uma proposta
econômica que valorize salários, PLR e benefícios, além de medidas que garantam
melhores condições de trabalho e atendimento à população.
Fonte: Seeb/SP
