Paralisação de 24h em todo o país consolida unidade nacional da categoria bancária
Bancárias e bancários realizaram, na quinta-feira (20), uma
paralisação nacional de 24h, como advertência à Federação Nacional dos Bancos
(Fenaban) pela falta de respostas às reivindicações por reajustes acima da
inflação nas remunerações e melhores condições de trabalho.
“A paralisação foi um sucesso, com adesão em todo o país, reafirmando a tradição
de unidade nacional das bancárias e dos bancários. O recado está dado de
que a categoria quer respeito e valorização”, avalia a presidenta da
Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro
(Contraf-CUT), Juvandia Moreira.
A base da FETEC-CUT/SP deu um show de participação. Catanduva,
Guarulhos, Limeira, Registro e Taubaté registraram 100% de adesão. Em Araraquara,
o índice chegou a 97%, enquanto Jundiaí alcançou 96%. ABC, Mogi das Cruzes,
Barretos e Presidente Prudente também registraram índices superiores a 85%.
Na grande maioria das cidades, Caixa Econômica Federal e
Banco do Brasil tiveram 100% das agências paralisadas durante todo o dia,
demonstrando a força da mobilização nos bancos públicos.
> Clique aqui para ver imagens dos atos em todo o país.
Neste ano, os trabalhadores do setor realizam a Campanha Nacional Unificada,
para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). “Em oito rodadas de
negociação com a Fenaban, iniciadas no começo de julho, não obtivemos nem
uma proposta concreta às nossas reivindicações. Essa atitude dos banqueiros é
que levou às assembleias onde aprovamos, com 90%, o dia nacional de
paralisação”, explica Juvandia Moreira, que também é coordenadora do Comando
Nacional das Bancárias e dos Bancários.
A dirigente destaca que, nos últimos anos, o setor bancário vem passando por um
processo rápido de reestruturação com resultados agressivos sobre os
trabalhadores.
“Fizemos uma consulta nacional com cerca de 55 mil bancários de todo o país e
40% afirmaram que tomaram, no último ano, remédios controlados, como
antidepressivos, ansiolíticos e estimulantes. O nosso levantamento corroborou
um outro dado que nós sempre apresentamos para a Fenaban, nas mesas de
negociação, de que os bancários compõem boa parte do índice de afastamentos
pelo INSS por doenças mentais ligadas ao trabalho - em 2024, que é o dado mais
recente que conseguimos obter, a nossa categoria representou 25% do total. Esse
é o resultado do modelo de gestão adoecedora empregado hoje no sistema
financeiro”, completa Juvandia.
O movimento sindical aponta ainda que os banqueiros estão bastante
reticentes em atender às reivindicações por reajuste salarial e nas demais
remunerações (como PLR, vales refeição e alimentação), acima da inflação, além
de melhorias no piso e criação de um piso para os trabalhadores de Tecnologia
da Informação (TI), área que mais tem crescido dentro dos bancos.
“Em 2025, o setor, como um todo, registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões,
sendo R$ 124 bilhões só dos cinco maiores bancos, que concentram a maior parte
desse mercado. Mesmo nos anos recentes, durante a pandemia e pós pandemia, em
que outros setores sofreram com impactos internos e externos, os bancos
continuaram com um bom desempenho e em segurança. Ainda assim, estamos chegando
próximo ao fim da data base (31 de agosto), quando a CCT precisará ser
renovada, sem nenhuma sinalização da Fenaban de qual será o reajuste para a
categoria”, observa Juvandia Moreira.
Se de um lado, na mesa de negociação com os trabalhadores, os banqueiros enrolam
para apresentar um índice, do outro, a remuneração média para os altos
executivos dos três maiores bancos privados do país para 2026 já está
prevista e será de R$ 12,5 milhões - um valor 120 vezes superior à
remuneração média anual de um escriturário (somando salário, 13º, férias,
tíquetes e PLR).
“Como trabalhadores, estamos exigindo nossos direitos, que são a valorização da
remuneração de quem constrói os resultados dos bancos e um ambiente de trabalho
livre de assédio moral, porque os altos índices de adoecimento na categoria
estão ligados ao abuso da gestão por metas sobre equipes cada vez menores para
atender os clientes, que também estão sendo prejudicados com essa
reestruturação de fechamento de agências e eliminação dos postos de trabalho”,
arremata Juvandia Moreira.
Digitalização e concorrência não justificam ritmo da
reestruturação
Os trabalhadores contestam a tese defendida pelo setor
patronal de que o encerramento de unidades físicas e postos de trabalho é
consequência inevitável da digitalização e do aumento de concorrência dos
bancos com empresas que passaram a prestar os mesmos serviços.
“O ramo financeiro, como um todo, não está encolhendo. Pelo contrário, o saldo
dos últimos anos é positivo, é de crescimento. O único setor do ramo no sentido
contrário é o bancário”, salienta Juvandia.
Entre 2015 e 2025, enquanto o setor bancário fechava 88 mil postos e 9,5 mil
agências, os cinco maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com
correspondentes bancários, terceirizando seus serviços. No período mais
recente, entre janeiro de 2025 e maio de 2026, tirando o setor bancário (com
movimentação negativa de 15.289 vagas), o ramo financeiro apresentou
movimentação positiva de 23.939 postos de trabalho.
“Os bancos tradicionais reclamam da concorrência, mas foram eles mesmos que abriram
espaço para outras empresas, com a decisão de reduzir a qualidade de
atendimento aos clientes por meio do fechamento de agências e da sobrecarga dos
funcionários”, argumenta a presidenta da Contraf- CUT.
Segundo levantamento do Dieese, o lucro por empregado nos bancos foi de R$
438 mil, em 2025, ano em que foram realizadas 7,2 bilhões de transações em
agências bancárias físicas, número que corresponde a uma média de
aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil.
“O quadro real que temos hoje é que os bancos continuam batendo recordes de
lucros, mas com base em salários achatados e no adoecimento de
trabalhadores. É por isso que, dentro das nossas várias lutas, está a de que a
sociedade saiba que os bancos não estão assumindo as obrigações para com os
trabalhadores e para com os clientes. Pelo contrário, estão visando cada vez
mais o lucro”, conclui Juvandia Moreira.
Fonte: Contraf-CUT, com informações de Fetec-CUT/SP e edição de SINTRAFI Barretos

