Mobilização dos trabalhadores faz bancos recuarem de proposta de reajustes por faixas salariais
Com a rejeição de 97% da
categoria, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) retirou propostas de
reajustes por faixas salariais, fragmentação do aumento dos vales refeição e
alimentação entre cidades maiores e menores, e de congelamento do piso de
ingresso para os novos bancários. O anúncio foi feito nessa terça-feira (18) na
capital paulista, após o Comando Nacional dos Bancários apresentar os
resultados de assembleias realizadas por sindicatos de todo o país.
Apesar do recuo, a representação dos bancos não
apresentou nenhuma proposta de índice de reajuste nesta rodada. Sob a alegação
da boa-fé negocial, a Fenaban questionou a razão da paralisação do dia 20 de agosto,
aprovada por 90% dos bancários nas assembleias.
Os bancos também pediram uma pausa ainda no
início da rodada, que durou até às 16h. No retorno, disseram que só
prosseguiriam com as negociações se a categoria desistisse das paralisações na
quinta-feira (20).
O Comando Nacional recusou. “Esse ciclo que
começou com as assembleias, na segunda-feira (17), e que levou a aprovação do
dia nacional de paralisação, na próxima quinta, é o resultado da má vontade da
Fenaban nesta mesa. É uma reação da categoria à falta de propostas por reajuste
e melhores condições de trabalho”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do
Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT.
O Comando Nacional também voltou a cobrar a
garantia da ultratividade, que assegura que os direitos da Convenção Coletiva
de Trabalho (CCT) continuem valendo mesmo após o fim do prazo de vigência, até
que um novo acordo seja assinado. Porém, a Fenaban negou e ameaçou, mais uma
vez, levar a negociação para o Tribunal Superior do Trabalho (TST).
“O fim da ultratividade foi um dos malefícios da
reforma trabalhista de 2017, aprovada pelo Congresso Nacional, e teve como
relator Rogério Marinho, hoje coordenador do programa de governo do candidato
Flávio Bolsonaro. Importante que a categoria não reeleja os deputados que votam
pela perda de direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores”, reforçou
Juvandia Moreira.
Além de acabar com a ultratividade, a reforma
trabalhista de 2017 atacou a organização sindical, permitiu a pejotização (que
precariza empregos e retira os trabalhadores da proteção da convenção coletiva)
e a terceirização para todas as atividades, que antes era restrita para
atividades-meio (como vigilância e limpeza).
Após nova pausa a pedido dela mesma, a Fenaban
retornou à mesa anunciando que as negociações serão retomadas na segunda-feira
(24), porque terão uma reunião com todo o setor, na sexta (21), para alinhar a
proposta global.
Dia
nacional de paralisação: 20 de agosto
Nas rodadas anteriores o Comando cobrou também a suspensão
das demissões no setor bancário, indenização adicional para encarecer as
demissões, qualificação e requalificação dos trabalhadores. Embora tenha
sinalizado positivamente a essas reivindicações, a Fenaban ainda não trouxe
proposta concreta. “Por tudo isso, é importante que, nesta quinta-feira,
20 de agosto, tenhamos uma boa paralisação da categoria em todas as regiões”,
reforçou Juvandia Moreira.
“Exigimos uma proposta decente, com aumento real,
valorização da PLR, do VA e VR e do piso. Não sairemos desta campanha sem a
justa valorização dos bancários, que construíram o lucro de R$ 171 bilhões dos
bancos em 2025. Uma grande paralisação na quinta-feira 20 é fundamental para
pressionar os banqueiros a apresentarem uma boa proposta na próxima negociação”,
concluiu Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional e presidenta do
Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Próximos
passos
-
20/08: dia nacional de paralisação por aumento real e melhores
condições de trabalho.
-
24/08: retomada das negociações entre Comando
Nacional e Fenaban.
De
olho nos números
- O patrimônio líquido do setor bancário atingiu,
em 2025, o montante de R$
1,2 trilhão.
- Enquanto o setor bancário fechava 88 mil postos
e 9,5 mil agências, entre 2015 e 2025, os cinco
maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando seus serviços.
- A remuneração
média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados chegará a R$
12,5 milhões em 2026 — valor 120 vezes superior à remuneração
anual de um escriturário (somando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR).
- Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em
agências bancárias físicas, número que corresponde a uma média de
aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil.
- O lucro
por empregado nos bancos é de R$ 438 mil, comprovando a alta rentabilidade gerada pelos
bancários.
- Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% das bancárias e bancários
usaram medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou
estimulantes).
- Corte
nas despesas com pessoal: Desde 2016, a folha de pagamento dos bancos
caiu 7% (sem contar a PLR, a queda é de 11%).
- PLR: Em 1995, os bancos privados distribuíam um percentual
de PLR que chegava a alcançar 14%; em 2025, distribuíram em média apenas 5,9%.
Entre os bancos públicos, os percentuais mudam. A
Caixa, por exemplo, atingiu o teto de 15% de CCT, e Banco do Brasil se
aproximou do índice, com distribuição de 11%.
Fonte: Contraf-CUT
