Mercantil registra lucro recorde de R$ 548,4 milhões no semestre, mas fecha postos de trabalho
O Banco Mercantil do Brasil (BMB) registrou lucro líquido
recorrente gerencial de R$ 548,4 milhões no primeiro semestre de 2026,
crescimento de 13,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas no
segundo trimestre, o resultado chegou a R$ 275,3 milhões, o maior lucro
trimestral da história do banco e o 15º recorde consecutivo.
O desempenho financeiro também foi acompanhado pelo crescimento dos ativos, que
chegaram a R$ 38,9 bilhões, alta de 30,7% em 12 meses. O patrimônio líquido
ultrapassou R$ 3,1 bilhões, crescimento de 48,8% no mesmo período. A
rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) permaneceu elevada, em 41,4%,
apesar de uma redução de 4,6 pontos percentuais em 12 meses.
Para o coordenador nacional da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do
Banco Mercantil do Brasil, Vanderci Antônio da Silva, os números demonstram a
força do banco, mas também reforçam a necessidade de que os trabalhadores sejam
reconhecidos pelos resultados alcançados. “O Mercantil vem apresentando
resultados recordes consecutivos, com crescimento expressivo dos ativos, da
carteira de crédito e das receitas. Esse desempenho não acontece sozinho.
Existe o trabalho diário de milhares de funcionários por trás desses números. É
fundamental que o banco reconheça essa contribuição, com valorização profissional,
melhores condições de trabalho e respeito aos direitos dos trabalhadores.”
Crédito cresce, mas provisões disparam
A carteira de crédito do banco chegou a aproximadamente R$
25 bilhões, representando 64,2% dos ativos. O crescimento foi de 29,6% em 12
meses, com destaque para o crédito consignado, que avançou 47%, e para o
crédito pessoal, com alta de 17%. No consignado, 78% das operações foram
originadas por canais digitais.
A inadimplência para operações com atraso superior a 90 dias ficou em 3,1%,
aumento de 0,8 ponto percentual em 12 meses.
Um dos pontos que chama atenção nas demonstrações financeiras é o forte
crescimento das despesas com provisões para perdas esperadas de ativos
financeiros. O valor chegou a R$ 782,9 milhões no final de junho, alta de
227,4% em 12 meses.
Para a representação dos trabalhadores, o aumento das provisões merece
acompanhamento, especialmente diante do crescimento bem mais moderado da
inadimplência. “É importante acompanhar de perto esse movimento. O banco
apresenta crescimento expressivo e resultados recordes, mas também registra uma
elevação muito forte nas provisões. Precisamos entender os impactos dessa
estratégia e garantir transparência nas decisões que possam afetar os
trabalhadores, principalmente em relação a reestruturações, metas e condições
de trabalho”, destaca Vanderci.
Receitas de serviços superam despesas com pessoal
Outro dado que evidencia a capacidade de geração de receitas
do banco é o desempenho das receitas de prestação de serviços, que alcançaram
R$ 735 milhões no semestre, crescimento de 79,5% em 12 meses.
As despesas de pessoal, incluindo a PLR, somaram R$ 460,3 milhões, alta de
17,8% na comparação anual. Com isso, as receitas de prestação de serviços foram
suficientes para cobrir 159,7% das despesas de pessoal no período.
“Os próprios números mostram que os trabalhadores têm participação fundamental
na geração de receitas do banco. A receita de serviços cresceu muito acima das
despesas de pessoal. Por isso, é justo que esse crescimento também se traduza
em valorização, reconhecimento e investimentos nas pessoas que fazem o banco
funcionar todos os dias”, afirma o coordenador da COE.
Banco cresce, mas fecha postos no trimestre
O Mercantil encerrou o primeiro semestre com 3.931
funcionários e estagiários. Em 12 meses, foram criados 331 postos de trabalho.
No entanto, somente no segundo trimestre, houve o fechamento de 30 postos.
No mesmo período, o banco ampliou sua estrutura de atendimento. Foram abertas
31 novas unidades em 12 meses, chegando a 352 pontos de atendimento ao final de
junho.
A base de clientes também apresentou forte expansão, passando a 9,06 milhões,
crescimento de 1,05 milhão de clientes em um ano.
Para Vanderci, os dados reforçam a necessidade de discutir a relação entre a
expansão dos negócios e a estrutura de pessoal. “O banco ampliou a base de
clientes, abriu pontos de atendimento e aumentou significativamente seus ativos
e sua carteira de crédito. Ao mesmo tempo, fechou postos de trabalho no último
trimestre. É preciso que a expansão dos negócios seja acompanhada de uma
política de emprego que garanta trabalhadores em número suficiente para atender
à demanda, evitando sobrecarga, adoecimento e precarização das condições de
trabalho.”
O coordenador da COE ressalta ainda que a sequência de resultados recordes
precisa ser acompanhada de diálogo permanente com os trabalhadores. “O
Mercantil tem demonstrado que é capaz de crescer e gerar resultados
expressivos. O que cobramos é que esse crescimento seja sustentável também para
quem trabalha no banco. Resultado recorde precisa significar também emprego,
valorização e melhores condições de trabalho. Os trabalhadores não podem ficar
apenas com a cobrança por metas enquanto os resultados positivos ficam
restritos aos balanços.”
Fonte: Contraf-CUT
