Dia Nacional de Luta do Bradesco mobiliza trabalhadores em defesa do emprego
O Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Barretos
e região (SINTRAFI Barretos) participou nesta terça-feira (11) do Dia Nacional
de Luta dos Funcionários do Bradesco. A mobilização levou às agências dos municípios
de Barretos e Bebedouro a denúncia contra o processo de redução do quadro
funcional e fechamento de unidades promovido pela instituição. Panfletos foram
distribuídos a funcionários e clientes, alertando para os impactos dessa
política sobre o emprego bancário e o atendimento à população.
O protesto ocorre diante de um cenário que deixa pouco
espaço para justificativas financeiras. O Bradesco teve lucro líquido
recorrente de R$ 13,861 bilhões nos seis primeiros meses de 2026, resultado
16,2% maior que o registrado no primeiro semestre de 2025. Foi, entre os três grandes
bancos privados, o maior crescimento percentual no período.
Ainda assim, o banco continua reduzindo sua estrutura. Em 12
meses, foram 2.448 empregos bancários eliminados e 324 agências fechadas. Só
entre abril e junho deste ano, o saldo de empregos foi negativo em 868 postos.
Para o SINTRAFI Barretos, a estratégia evidencia que o
crescimento da lucratividade não está sendo acompanhado por uma política de
valorização dos trabalhadores ou de melhoria do atendimento.
“O Bradesco não está fechando agências e cortando empregos
porque está em crise. Está fazendo isso enquanto apresenta um resultado
bilionário e cresce 16,2% em relação ao ano anterior. É uma decisão empresarial
que precisa ser questionada porque afeta diretamente milhares de trabalhadores
e a população que utiliza os serviços do banco”, afirma o presidente do
SINTRAFI Barretos, Marcelo Martins.
A redução da presença física do banco também altera a
relação da instituição com as cidades onde atua. Uma agência fechada pode
significar que clientes tenham de se deslocar para outras localidades,
enfrentar dificuldades para obter atendimento e depender exclusivamente de
canais digitais nem sempre adequados às suas necessidades.
O problema se soma à diminuição das equipes. Com menos
bancários, aumenta a carga de trabalho sobre os profissionais que permanecem,
enquanto a cobrança por metas e resultados continua fazendo parte da rotina.
“O banco está reduzindo a estrutura e, ao mesmo tempo, mantendo
a pressão por resultados. Isso significa menos trabalhadores para atender uma
demanda que continua existindo. Quem acaba pagando o preço é o bancário, que
fica sobrecarregado, e o cliente, que encontra cada vez menos atendimento
presencial”, avalia o secretário geral do SINTRAFI, Waldir Recco.
A entidade também questiona o argumento de que a expansão
dos canais digitais justificaria a redução da rede física. Para o Sindicato, a
digitalização deve complementar o atendimento, e não ser usada para retirar trabalhadores
e serviços de regiões que ainda dependem das agências.
“O que estamos cobrando é coerência. Se o banco tem
condições de gerar quase R$ 14 bilhões de lucro em seis meses, também tem
condições de manter empregos e garantir atendimento digno. Não podemos aceitar
que o trabalhador seja tratado como custo a ser eliminado e que a população
seja deixada com cada vez menos opções”, reforça Marcelo Martins.
Fonte: SINTRAFI Barretos
