Campanha Nacional Unificada das bancárias e dos bancários entra em fase decisiva
O Comando Nacional dos Bancários voltará a se reunir com a
Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nessa terça-feira (4), na sexta rodada
de negociações no âmbito da Campanha Nacional Unificada da categoria por
aumento real e melhores condições de trabalho.
Nas últimas cinco rodadas, realizadas até 30 de julho, o Comando Nacional
defendeu ponto a ponto a pauta de reivindicações das bancárias e dos bancários,
com base em dados técnicos e na realidade financeira do setor.
Os trabalhadores cobram, agora, que a partir dessa terça (4), os bancos tragam
respostas reais sobre aumento na remuneração e em defesa da saúde mental,
estabilidade e reconhecimento profissional de cada bancária e de cada bancário.
"Os bancos divulgam resultados bilionários ano após ano,
comprovando que têm plenas condições de atender às reivindicações da categoria.
E quanto maior a participação das bancárias e dos bancários nas mobilizações, maior
será a pressão por valorização, melhores condições de trabalho e remuneração
justa", ressalta o presidente do SINTRAFI Barretos e região, Marcelo Martins.
Veja a seguir a linha do tempo das negociações já realizadas:
24 de junho | Entrega da Pauta de Reivindicações
O Comando Nacional entrega oficialmente a minuta à Fenaban e abre as mesas
específicas dos bancos públicos (BB, Caixa, BNB, BNDES) e privados (Bradesco,
Itaú, Santander, Mercantil).
02 de julho | 1ª Rodada — Cláusulas Sociais
Movimento sindical reivindica melhorias em cláusulas sociais relacionadas às
pessoas com deficiência (PCDs) e melhores condições de trabalho para toda a
categoria, incluindo a implementação da escala 4x3 (quatro dias de trabalho e
três dias de descanso); defesa do teletrabalho e direito à desconexão.
Segurança bancária digital também foi um tema abordado.
07 de julho | 2ª Rodada — Emprego e Tecnologia
Debate focado no combate às demissões, impactos das reestruturações, regulação
da Inteligência Artificial, teletrabalho e fechamento de agências.
16 de julho | 3ª Rodada — Igualdade de Oportunidades
Pauta focada no combate à discriminação, ampliação de direitos para mulheres,
negros, pessoas com deficiência (PCD), população LGBTQIA+ e neurodivergentes.
21 de julho | 4ª Rodada — Saúde e Condições de Trabalho
Cobrança de combate às metas abusivas, enfrentamento dos riscos psicossociais e
atuação nas comissões de saúde (NR-1).
30 de julho | 5ª Rodada — Cláusulas Econômicas
Apresentação dos dados de lucratividade do setor e exigência formal de aumento
real nos salários, PLR, VA/VR e demais verbas.
RAIO-X DO DIEESE
- Defasagem nos Vales: O VA acumula perda de -13% (2019-2025) e o VR de -3,7% (2023-2025). Para recompor o poder de compra de 2019, o VA mensal precisaria subir de R$ 924,47 para R$ 1.293,73 (reajuste de 40%).
- Corte nas despesas com pessoal: Desde 2016, a folha de pagamento dos bancos caiu 7% (sem contar a PLR, a queda é de 11%).
- PLR minguando: Em 1995, os bancos privados distribuíam um percentual de PLR que chegava a alcançar 14%; em 2025, distribuíram em média apenas 5,9%. Entre os bancos públicos, só a Caixa atingiu o teto de 15%, acordado na CCT, enquanto Banco do Brasil se aproximou do índice, com distribuição média de 11%.
- Piso salarial digno: sindicatos exigiram a criação de um piso para TI e, para as funções de entrada na categoria em geral, aplicar como piso o "Salário Mínimo Necessário do Dieese" (R$ 7.999,44).
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
