Caixa promete apresentar nova proposta para o Saúde Caixa nesta sexta-feira (28)
A Caixa Econômica Federal prometeu apresentar nesta
sexta-feira (28) uma nova proposta para o Saúde Caixa. O compromisso foi
assumido durante a rodada de negociações realizada nesta quinta-feira (27), em
São Paulo, com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa.
O banco não levou uma nova proposta para o plano de saúde à
reunião desta quinta, mas informou que, após aprofundar internamente as
discussões, pretende voltar à mesa com uma alternativa mais alinhada às
reivindicações das empregadas e dos empregados.
Representantes da Caixa disseram avaliar que houve avanços
internos e que pode estar sendo construída uma convergência com as expectativas
manifestadas pela categoria.
A expectativa é ainda maior porque, na negociação de
terça-feira (25), a própria Caixa havia reconhecido a forte insatisfação dos
empregados com as duas propostas apresentadas anteriormente e afirmado que
estava reformulando o modelo para aumentar as possibilidades de aceitação. A
CEE voltou a deixar claro que a solução precisa ampliar a participação
financeira do banco no Saúde Caixa e não pode simplesmente transferir aos
usuários o aumento das despesas do plano.
“A Caixa disse que avançou internamente e que vai trazer uma
proposta mais alinhada ao que as empregadas e os empregados têm reivindicado.
Depois de duas propostas recusadas e de uma mobilização muito forte, o banco
sabe que não há espaço para uma solução que apenas mude a forma de cobrança e
continue jogando a conta para os usuários. E não estamos negociando apenas o Saúde
Caixa: queremos respostas para toda a pauta aprovada no 41º Conecef”, afirmou a
coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.
A pauta específica foi construída pelas empregadas e pelos
empregados e aprovada no 41º Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados
da Caixa (Conecef), realizado em junho, em São Paulo. O encontro reuniu 281
delegadas e delegados e debateu 583 propostas vindas das bases, com
reivindicações sobre Saúde Caixa, carreira, remuneração variável, condições de
trabalho, emprego, igualdade de oportunidades, combate ao assédio e valorização
do quadro.
Saúde Caixa: expectativa por mudança efetiva
O Saúde Caixa permanece como principal impasse da negociação
específica. As duas propostas apresentadas anteriormente pelo banco foram
recusadas pela CEE por ampliarem significativamente o peso do plano sobre a
renda dos beneficiários sem solucionar o problema central apontado pela
representação dos empregados: a limitação da participação financeira da Caixa.
Na primeira proposta, apresentada em 5 de agosto, o banco
pretendia elevar a contribuição do titular de 3,5% para 5,5% da
remuneração-base, aumentar fortemente as mensalidades dos dependentes e elevar
de 7% para 14% o limite de comprometimento da renda familiar. A segunda,
apresentada no dia 14, estabelecia mensalidades por faixa etária, 13
contribuições anuais, piso de R$ 400 por grupo familiar e comprometimento de
até 12% da remuneração-base. Também foi recusada pela CEE por transferir custos
aos usuários, enfraquecer a solidariedade e o pacto intergeracional e criar
risco de saída de beneficiários.
Pelo acordo vigente, a participação financeira da Caixa está
limitada a 70% das despesas ou a 6,5% das folhas de pagamento e proventos,
prevalecendo o menor valor. Para os titulares, o ACT estabelece contribuição
mensal de 3,5% da remuneração-base, acrescida de R$ 480 por dependente direto,
com teto familiar de 7%.
A CEE reivindica a retirada do teto estatutário de 6,5% e o
restabelecimento efetivo da proporção de custeio de 70% pela Caixa e 30% pelos
beneficiários. Essa cobrança vem sendo feita desde a primeira negociação
específica da campanha e foi reiterada na terça-feira, quando o banco
reconheceu a insatisfação com as propostas anteriores.
Para o diretor executivo da Contraf-CUT e representante da
entidade na mesa de negociação, Lívio Santos e Assis, a nova proposta precisa
alterar a lógica apresentada até agora.
“Depois de duas propostas que aumentavam o comprometimento
da renda dos usuários sem enfrentar o problema do teto de 6,5%, a Caixa sabe
exatamente onde está a insatisfação. A proposta de sexta-feira precisa mudar
essa lógica: ampliar a participação do banco, preservar o modelo 70/30, a
solidariedade e o pacto intergeracional e impedir que o aumento dos custos do
plano se transforme em perda de remuneração para empregados, aposentados e
pensionistas”, afirmou.
PLR também preocupa empregados
Logo na abertura da reunião, a CEE chamou a atenção para os
resultados divulgados pela Caixa nesta quinta-feira e cobrou que o banco
apresente sua proposta para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A
representação dos empregados demonstrou preocupação para que a redução do
resultado na comparação semestral não provoque impacto excessivo sobre a PLR,
lembrando que são as trabalhadoras e os trabalhadores que constroem diariamente
os resultados da empresa.
A Caixa registrou lucro líquido contábil de R$ 7,368 bilhões
no primeiro semestre de 2026. No segundo trimestre, o lucro foi de R$ 3,899
bilhões, crescimento de 5,9% sobre o mesmo trimestre de 2025 e de 12,4% em
relação aos três primeiros meses deste ano. Já o lucro líquido recorrente do
semestre caiu 17,6%, de R$ 8,938 bilhões para R$ 7,368 bilhões.
Representantes do banco disseram que a PLR também está sendo
analisada internamente e lembraram que a negociação envolve o acordo específico
sobre o tema, sinalizando que possíveis ajustes serão debatidos com a
representação dos empregados.
CEE cobra novo PCS, PFG e mudanças nos PSIs
A CEE voltou a cobrar respostas para reivindicações
relacionadas à carreira. Entre elas estão a construção de um novo Plano de
Cargos e Salários (PCS), a revisão do Plano de Funções Gratificadas (PFG) e
mudanças nos Processos Seletivos Internos (PSIs), com critérios mais objetivos
e transparentes.
O atual PFG é de 2010 e, para a representação dos
empregados, deixou de acompanhar as profundas mudanças ocorridas na organização
do trabalho. No PCS, a CEE ressaltou a situação dos empregados que chegam ao
topo da carreira muito antes da aposentadoria e permanecem anos sem possibilidade
de novas progressões. Também foi novamente cobrado que nenhuma alteração
envolvendo caixas, tesoureiros ou outras funções seja implantada
unilateralmente, sem negociação.
A Caixa propôs a criação de um grupo de trabalho sobre
“trajetória”, que reuniria inicialmente as discussões sobre PCS, PFG, PSI e
remuneração variável. A CEE avaliou que PCS, PFG e PSI podem ser tratados de
maneira articulada, mas defendeu um grupo específico para remuneração variável.
A representação dos empregados também exigiu que os grupos
tenham funcionamento efetivo, com composição apenas entre Caixa e Contraf-CUT,
periodicidade definida, calendário de reuniões e prazo para apresentação de
resultados. A CEE quer ainda que o compromisso de tratar esses temas seja
incorporado ao ACT, uma vez que não haverá tempo suficiente para concluir toda
a discussão sobre novos planos de carreira antes do encerramento da campanha. A
Caixa ficou de avaliar a proposta de separação dos grupos.
Super Caixa precisa ser negociado
Outro tema central foi o Super Caixa. A CEE reiterou que
qualquer programa que interfira na renda dos trabalhadores deve ser negociado
com suas entidades representativas.
Os representantes dos empregados relataram insatisfação
crescente com as regras do programa, que são consideradas complexas e pouco
transparentes, além de permitirem que trabalhadores deixem de receber
remuneração por fatores que nem sempre estão sob seu controle. A CEE voltou a
defender regras simples e conhecidas previamente, sem alterações durante o
ciclo, além do princípio “vendeu, recebeu” e de um modelo que reconheça o
resultado construído coletivamente.
“Tudo o que interfere na renda das empregadas e dos
empregados precisa passar pela mesa de negociação. Queremos construir regras
mais transparentes, mais simples e mais justas, para que o trabalhador saiba o
que precisa fazer e consiga acompanhar o resultado do seu trabalho”, reforçou
Luiza.
A insatisfação com o Super Caixa, juntamente com o impasse
no Saúde Caixa e as condições de trabalho, esteve entre os principais motivos
da mobilização dos empregados da Caixa na paralisação nacional do dia 20.
Atendimento presencial e digital
A organização do atendimento nas agências também ocupou
parte importante da reunião. A CEE apresentou relatos de sobrecarga de
empregados que precisam realizar simultaneamente atendimentos presenciais e
digitais, muitas vezes sem treinamento, dimensionamento de pessoal ou estrutura
física adequados.
A representação dos empregados cobrou uma regra que impeça o
atendimento presencial e digital simultâneo pelo mesmo trabalhador e voltou a
questionar cobranças de metas e indicadores que penalizam as unidades e os
empregados.
A Caixa informou que 2.178 agências estão no modelo chamado
de atendimento “figital” e ressaltou que a experiência ainda é considerada um
projeto em implementação e sujeito a ajustes. O banco propôs uma agenda
específica, logo após a conclusão do acordo coletivo, para confrontar os dados
acompanhados pela área de rede com os relatos apresentados pela representação
dos empregados e avaliar mudanças no modelo.
A CEE diferenciou o Figital do Gênesys, já utilizado em toda a rede, e alertou que o modelo estabelece prazos para resposta ao cliente e mecanismos que podem penalizar as unidades. “Não somos contra a transformação digital. O problema é a forma como ela está sendo implantada, quando a tecnologia, em vez de facilitar o trabalho, aumenta a sobrecarga e a pressão”, afirmou Luiza.
A CEE também voltou a defender o fortalecimento das Gipes (Gerências de Gestão
de Pessoas), que perderam atribuições ao longo dos últimos anos. Para a
representação sindical, diversas responsabilidades relacionadas à gestão de
pessoal foram transferidas para gestores das unidades, que já convivem com
múltiplas exigências operacionais e comerciais.
Avanço para empregados PCDs e com TEA
A Caixa apresentou ainda uma proposta para ampliar aos
próprios empregados com deficiência, inclusive com Transtorno do Espectro
Autista (TEA), condições especiais já previstas para trabalhadores que têm
dependentes PCDs.
Pela proposta debatida, empregados enquadrados poderão
solicitar, conforme a necessidade identificada, redução de jornada de até 25%,
flexibilização de horário ou encaminhamento para trabalho remoto, especialmente
para realização de terapias. A análise deverá ser feita por equipe
multidisciplinar, considerando a situação individual de cada trabalhador.
O fluxo prevê que o trabalhador procure o atendimento de
pessoas. Quem ainda não estiver cadastrado como PCD passará pelo novo processo
de enquadramento discutido nas negociações. Uma vez reconhecida a condição,
poderá solicitar as condições especiais, com avaliação multidisciplinar e
retorno ao empregado e à unidade.
O representante da Fetec-CUT/CN, Antonio Abdan, reconheceu o
avanço, mas ressaltou que ainda há muito a fazer para que a política de
inclusão produza efeitos concretos.
“Avançar no enquadramento é importante, mas inclusão não se
resume a reconhecer formalmente a condição de PCD. É preciso dar condições
reais para que as pessoas trabalhem com dignidade, desenvolvam suas capacidades
e tenham oportunidade de progredir na carreira. Não podemos, por exemplo,
colocar um colega com TEA em um ambiente incompatível com suas necessidades e
depois cobrar dele o mesmo resultado sem qualquer adaptação. O processo precisa
funcionar efetivamente, com escuta e respeito às condições de cada pessoa”,
afirmou. As intervenções na mesa registraram justamente preocupações com
ambientes inadequados, dificuldades de progressão e a necessidade de tornar a
política de inclusão mais efetiva.
O representante da Fetrafi-SC, Edson Heemann, chamou a
atenção para a necessidade de evitar que a avaliação multidisciplinar introduza
subjetividade excessiva ou se transforme em obstáculo ao exercício dos direitos.
“A extensão dessas condições especiais aos próprios
empregados PCDs é um avanço, mas a avaliação não pode se transformar em uma
nova barreira. Precisamos de critérios objetivos e previsíveis, que deem
segurança ao trabalhador e respeitem o laudo e a necessidade concreta
apresentada. Redução de jornada, teletrabalho, flexibilização, adaptação do
ambiente ou transferência precisam ser soluções efetivas quando forem
necessárias”, disse. Edson questionou durante a reunião justamente os critérios
da avaliação e os mecanismos destinados a reduzir a subjetividade do
processo.
A Caixa afirmou que as necessidades serão avaliadas
individualmente e que, quando houver indicação de transferência, a área de
pessoas terá competência para viabilizá-la. O banco também se comprometeu a
criar um código específico para registrar as ausências decorrentes da redução
de jornada, de modo a deixar claro que se trata de um direito decorrente do
enquadramento, e não de uma liberalidade do gestor.
A CEE cobrou ainda critérios com o máximo de objetividade
possível, ampla divulgação dos direitos e atenção às condições de
acessibilidade e infraestrutura dos locais de trabalho. Para a representação
sindical, o novo acordo precisa impedir que empregados sejam excluídos de
oportunidades ou tenham sua capacidade profissional prejudicada pela falta de
adaptações adequadas.
Negociação continua nesta sexta (28)
A rodada terminou com a expectativa concentrada no Saúde
Caixa. A previsão é de que a mesa seja retomada na manhã desta sexta-feira
(28), quando a Caixa deverá finalmente apresentar a nova proposta para o
plano.
A CEE reforçou que avaliará o novo modelo a partir das
reivindicações definidas pelos empregados: maior participação financeira da
Caixa, defesa do modelo solidário e do pacto intergeracional, sustentabilidade
do plano sem perda de remuneração e condições para que ativos, aposentados,
pensionistas e seus dependentes possam permanecer no Saúde Caixa.
Ao mesmo tempo, a representação dos empregados continuará
cobrando respostas para o conjunto da pauta aprovada no 41º Conecef.
“A campanha está chegando ao momento decisivo. Precisamos
sair da fase de discutir problemas e transformar o diálogo em respostas
concretas. Os empregados esperam avanços no Saúde Caixa, mas também na
carreira, na remuneração, nas condições de trabalho, no emprego e em todas as
demais reivindicações que foram construídas pela categoria e entregues à
Caixa”, concluiu Luiza.
Fonte: Contraf-CUT
