BB propõe clausular ações por igualdade e combate à violência doméstica, mas segue sem apresentar soluções às principais reivindicações dos funcionários
Em mais uma rodada de negociações por aumento real e
melhores condições de trabalho, realizada nesta quarta-feira (19), em São
Paulo, a gestão do Banco do Brasil não apresentou proposta às principais
reivindicações das funcionárias e funcionários.
“Reforçamos a cobrança da nossa minuta de reivindicações, que as negociações
precisam avançar e que vamos unir forças à paralisação nacional desta
quinta-feira (20) pela valorizaçao de toda a categoria bancária”, destacou a
coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB),
Fernanda Lopes.
O que a gestão do BB apresentou na mesa de negociação de hoje foi a garantia de
clausular no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) as políticas de ações
afirmativas, para que mulheres, pessoas com deficiência (PCD) e não brancos
sejam priorizados nos processos seletivos internos da empresa.
O BB também disse que irá incluir no ACT uma cláusula de estabilidade na função
comissionada por seis meses, após o retorno ao trabalho, para funcionárias
vítimas de violência doméstica. A Lei Maria da Penha garante a manutenção do
vínculo empregatício em casos de afastamentos por até seis meses. Com esta
cláusula, a bancária vítima de violência teria ainda a garantia da manutenção
de sua função comissionada.
Por fim, a direção do banco propôs uma cláusula para garantir a redução de
jornada para mulheres em lactação induzida, ou seja, funcionárias que tenham
feito tratamento para amamentar filhos não gestados ou adotados. Direito que
seria estendido para casais homoafetivos em que as duas mães sejam funcionárias
do BB.
"Todas essas propostas são muito importantes. Mas registramos que
precisamos avançar em muitos outros pontos da minuta de reivindicações, pontos
que refletem diretamente na melhoria das condições de trabalho e no
reconhecimento que o banco precisa dar a todas as funcionárias e funcionários",
destacou Fernanda Lopes.
Próxima rodada e dia nacional de paralisação
A data da próxima rodada da negociação específica entre BB e
funcionários não tem data confirmada, mas a comissão dos funcionários seguirá
em plantão permanente.
“A CEBB somará forças às bases sindicais na paralisação nacional desta
quinta-feira (20). A categoria bancária tem histórico de lutas que deram certo
e, amanhã, vamos mostrar aos banqueiros a força da nossa unidade por condições
dignas de trabalho, fim do enxugamento de postos de trabalho e do fechamento de
agências”, reforçou a coordenadora da CEBB.
Entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos do país - incluindo o Banco do
Brasil - aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários,
terceirizando seus serviços.
"Esse é mais um entre tantos dados que comprovam que os bancos não
deveriam estar reduzindo o quadro de funcionários, e sim o contrário. A
contratação de correspondente bancário, a queda de postos e o fechamento de
agências estão sendo utilizados pelo setor bancário como manobra para ampliar
lucros em cima da precarização do trabalho, sobrecarga dos funcionários e,
consequentemente, queda do atendimento qualificado e presencial aos
clientes", pontou a dirigente.
Fonte: Contraf-CUT
