Trabalhadores voltam à mesa de negociação com os bancos nesta quinta-feira (30) para discutir cláusulas econômicas
O Comando Nacional dos Bancários se reuniu na quarta-feira
(29), na capital paulista, para a reunião de preparação para a mesa de
negociação que irão realizar, hoje (30), com a Federação Nacional dos Bancos
(Fenaban).
Nesta rodada da Campanha Nacional Unificada por aumento real e melhores
condições de trabalho, a categoria reivindicará ajustes acima da inflação para
os salários, na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos tíquetes
alimentação e refeição, além de outras verbas remuneratórias.
Apesar da alto índice de fechamento de agências e enxugamento de vagas de
trabalho, o setor bancário segue como o mais lucrativos e com o maior acumulo
de patrimônio líquido no país. "Em 2025, os cinco maiores bancos
tiveram lucro de R$ 124 bilhões. Só no 1° trimestre desde ano, os lucros
atingiram R$ 29,8 bilhões", destacou o economista e técnico do Dieese,
Gustavo Cavarzan.
"Em relação ao patrimônio líquido, em 2025, o setor banário registrou o
montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que do que a soma dos dois
setores mais rentáveis do país, após os bancos, que são eletroeletrônica e
mecânica que, juntos, apresentaram patrimônio líquido de R$ 48 bilhões",
completou.
Entre as reivindicações, relacionadas à remuneração, o Comando Nacional dos
Bancários irá defender o aumento para os vales refeição e
alimentação. "Nos últimos anos, a inflação dos alimentos,
especialmente do período do governo Bolsonaro, a inflação dos alimentos, dentro
e fora do domicílio, foi muito alta. Isso exige a responsabilidade dos bancos
de recompor o poder de compra dos vales da categoria", destaca Juvandia
Moreira, coordenadora do Comando.
Atualmente, o valor diário do tíquete refeição dos bancários está em R$ 53,33,
significativamente abaixo do preço médio da refeição cobrado nas principais
capitais do país: São Paulo (R$ 62,30), Brasília (R$ 55,39), Rio de Janeiro (R$
63,36).
PLR
No início das negociações da PLR, em 1995, Bradesco e Itaú distribuíram 14% dos
seus lucros aos funcionários. Em 1997, esse percentual caiu para 10%. Mesmo com
lucros exorbitantes, nos últimos anos, os bancos seguiram reduzindo o
percentual de PLR distribuído. Em 2025, por exemplo, os três maiores bancos
privados do país distribuíram, entre 5,4% e 7,1% do lucro líquido.
"Apesar de a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria determinar
que os bancos distribuam até 15% de seus lucros, em 2025, somente a Caixa
alcançou esse percentual, e o Banco do Brasil se aproximou, com 11%",
observou a também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.
Receita de tarifas x despesas de pessoal
Desde 2016 as despesas de pessoal (salário, PLR, VA/VR e outros itens de
remuneração) caíram 7%. Separando a PLR dessa conta, a queda foi ainda maior:
11%.
"Essa análise piora, de 2019 a 2025, com queda de 15% nas despesas de
pessoal. Tirando a PLR dessa conta, a redução foi de 17%", registra
Juvandia Moreira.
Paralelamente ao processo de redução das despesas com pessoal, o setor
registrou aumento da cobertura dessas despesas pelas receitas de tarifas e
prestação de serviços cobradas dos clientes. Em 2025, a cobertura nos cinco
maiores bancos foi de 123%, o que significa que, com o que cobraram dos
clientes, os bancos cobriram toda a despesa de pessoal, inclusive PLR, com
sobra equivalente a 23% desse montante.
"É preciso lembrar que essas não são as principais receitas dos bancos,
tão pouco as maiores. As principais receitas, na realidade, advêm da
intermediação financeira, a exemplo das operações de crédito, receitas com
títulos e valores mobiliários. Portanto, o banco cobre o custo dos seus
funcionários apenas com uma das menores receitas que eles têm", explica a
economista e técnica do Dieese, Vivian Machado.
Supersalários dos diretores
Enquanto argumentam dificuldades na mesa de negociação para arcar com o custo
dos funcionários, para os altos executivos o discurso é diferente. Em 2025, o
Santander pagou, em média, R$ 8,3 milhões a cada membro da diretoria estatutária.
Bradesco e Itaú pagaram R$ 7,8 milhões e R$ 17,9 milhões, respectivamente, aos
seus altos executivos.
Juntos, esses valores representam mais de 120 vezes a remuneração média de um
bancário na função de escriturária (incluindo salário, 13º, férias, tíquetes e
PLR).
Acompanhe as negociações com com a Fenaban e as mesas
específicas de bancos públicos e privados pelos sites e redes sociais do
SINTRAFI Barretos, FETEC-CUT/SP e Contraf-CUT.
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
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