Lucro do Santander despenca em meio a demissões, terceirizações e fechamento de agências
O Santander obteve lucro de R$ 6,802 bilhões no primeiro
semestre de 2026, representando queda de 9,5% em relação ao mesmo período de
2025. Em relação ao trimestre anterior, o lucro líquido caiu 20,4%, totalizando
R$ 3,788 bilhões.
Em consequência da queda no resultado, o retorno gerencial sobre o patrimônio
do banco (ROE) anualizado também caiu, ficando em 12,5%, com redução de 3,9
pontos percentuais em doze meses.
Menos empregados e agências, e mais clientes
A holding Santander encerrou junho de 2026 com 47.327 empregados, com
fechamento de 6.591 postos de trabalho em doze meses, sendo 2.334 postos apenas
nos primeiros seis meses do ano.
A base de clientes, de acordo com os dados do Banco Central, aumentou 3,5
milhões em relação a junho de 2025, totalizando 72,3 milhões. Quanto à
estrutura física do banco, em doze meses, foram fechadas 178 agências e 179
PAB’s.
As receitas com prestação de serviços e renda das tarifas bancárias cresceram
4,5% em relação ao 1º semestre de 2025, totalizando R$ 10,949 bilhões.
As despesas de pessoal mais PLR, por sua vez, caíram 2,5% no período, somando
R$ 6,122 bilhões. Assim, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias
do banco no primeiro semestre de 2026 foi de 186,8%.
“O Santander insiste em uma estratégia de enxugamento da estrutura física e do
quadro de pessoal que transfere para trabalhadores e clientes o custo da busca
por rentabilidade. Enquanto amplia sua base de correntistas, o banco reduz
agências e elimina postos de trabalho, comprometendo a qualidade do atendimento
e dificultando o acesso da população aos serviços bancários. Ao mesmo tempo,
vende a ideia de que os canais digitais são capazes de resolver todas as
demandas, mas a realidade mostra que eles não substituem o atendimento
presencial em situações mais complexas, deixando milhares de clientes sem o
suporte de que realmente precisam”, destaca Ana Lúcia Ramos Pinto,
secretária-geral da FETEC-CUT/SP.
“Essa equação é insustentável. Cada demissão representa uma sobrecarga para as
equipes que permanecem no banco, obrigadas a atender um número crescente de
clientes, cumprir metas cada vez mais rígidas e lidar com jornadas marcadas por
estresse e adoecimento. Ao mesmo tempo, as receitas com tarifas continuam
elevadas e demonstram que o banco possui capacidade financeira para investir em
empregos, fortalecer sua rede de atendimento e oferecer melhores condições de
trabalho”, ressalta a dirigente.
Terceirizações não deram resultado
Na avaliação do movimento sindical, a intensificação das terceirizações pelo
Santander desde 2019 não se refletiu em ganhos efetivos de eficiência. A
redução de agências e de postos de trabalho fragilizou o atendimento e
evidenciou os limites desse modelo de gestão.
“Os números comprovam que o caminho para um banco mais
eficiente não passa pelo desmonte do setor nem pela terceirização
indiscriminada. A presença de bancários qualificados faz diferença para a
população e para a própria sustentabilidade da empresa. O movimento sindical já
obteve importantes conquistas, com o retorno de trabalhadores à categoria, mas
ainda há muito a ser feito. Seguiremos mobilizados pela recuperação dos
empregos, pela valorização da categoria e pela defesa de um atendimento digno e
de qualidade”, destaca o secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Barretos e região, Waldir Recco.
Fonte: Seeb/SP, com informações da Fetec-CUT/SP e edição de SINTRAFI Barretos
