Funcionários do Banco do Brasil cobram avanços em inclusão, igualdade e apoio a trabalhadores endividados
As negociações da pauta de diversidade específica dos
funcionários do Banco do Brasil tiveram início nesta sexta-feira (17), em São Paulo,
com o debate sobre os direitos das pessoas com deficiência (PcDs), um dos
primeiros temas abordados na mesa entre a Comissão de Empresa dos Funcionários
do Banco do Brasil (CEBB) e a direção do banco. As propostas apresentadas pelas
entidades buscam ampliar a acessibilidade, promover a inclusão e garantir
igualdade de oportunidades no ambiente de trabalho.
Para a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes, a negociação é uma oportunidade de
consolidar avanços nas políticas de diversidade do banco. "A construção de
um ambiente de trabalho verdadeiramente inclusivo passa pelo reconhecimento das
diferentes realidades vividas pelos funcionários e pela implementação de
medidas concretas que garantam igualdade de oportunidades, respeito e dignidade
para todas as pessoas", destacou.
Entre as reivindicações apresentadas está a cumulatividade dos benefícios
destinados às pessoas com deficiência com o auxílio-creche/babá, a concessão de
licença de até 15 dias por ano para acompanhamento de dependentes com
deficiência, sem limite de idade, em consultas e tratamentos
médico-odontológicos, a realização de um Censo da Pessoa com Deficiência no
Banco do Brasil para identificar esse público e suas necessidades, a ampliação
das possibilidades de teletrabalho para PcDs que necessitem dessa modalidade e
que haja o acompanhamento para garantir a adaptação dos trabalhadores. Outra
reivindicação é o abono das horas necessárias para tratamentos, terapias,
consultas médicas.
No caso das mulheres, a proposta é incentivar a participação feminina na área
de Tecnologia, segmento que vem crescendo no Banco do Brasil, mas que ainda
conta com baixa representatividade. A iniciativa busca ampliar as oportunidades
de acesso e desenvolvimento profissional, criando um ambiente mais acolhedor e
estimulando que mais mulheres ocupem esses espaços.
A pauta também contempla a ampliação da proteção às mulheres em situação de
violência doméstica, com a garantia de afastamento de até seis meses, sem
necessidade de encaminhamento ao INSS e com preservação do cargo no retorno ao
trabalho.
Os dirigentes também pediram que mulheres vítimas de violência que estejam
afastadas do trabalho e tenham garantia de permanência no cargo por, pelo
menos, um ano.
Outro ponto defendido pelas entidades é a criação de licença parental para cada
pessoa de referência da criança ou do adolescente, limitada a duas pessoas, sem
prejuízo do emprego ou da remuneração, garantindo condições para o exercício da
parentalidade. Também foi reivindicada a equiparação da união estável ao
casamento para fins de concessão dos benefícios previstos no acordo coletivo.
A representante da Fetrafi-RS na mesa do Banco do Brasil, Bianca Garbelini,
ressaltou que as propostas refletem a realidade vivida pelos trabalhadores da
empresa. "As propostas apresentadas refletem a realidade vivida pelos
funcionários e funcionárias do Banco do Brasil. Queremos um banco cada vez mais
inclusivo, que respeite a diversidade em todas as suas dimensões e adote
políticas concretas para eliminar barreiras, ampliar oportunidades e garantir
igualdade de direitos para todas as pessoas."
O banco recebeu de forma positiva as reivindicações apresentadas pelas
entidades e informou que avaliará as propostas antes de apresentar uma
resposta. A direção também afirmou que trabalha com a meta de alcançar a
paridade de gênero nos cargos de liderança até 2030. Segundo os dados
apresentados na mesa, as mulheres já representam 50% do Conselho de
Administração, 44% do Conselho Diretor e 25% da Diretoria Executiva. Além
disso, o banco destacou que vem promovendo programas de desenvolvimento para
ampliar a participação feminina em áreas estratégicas, como Tecnologia.
Endividamento
Outro tema apresentado pela representação dos funcionários
foi a criação de uma alternativa efetiva para a renegociação de dívidas dos
empregados junto ao Banco do Brasil. A proposta prevê uma linha de crédito
específica destinada a funcionários com dívidas, em atrasos ou não, cujas
prestações mensais ultrapassem 30% do salário bruto.
As entidades defendem que a linha tenha condições semelhantes às praticadas na
primeira faixa do programa Minha Casa, Minha Vida, com juros em torno de 4,5%
ao ano, além de carência de 90 a 120 dias para o início do pagamento, podendo
ser reduzida mediante solicitação do trabalhador. A proposta também prevê a
possibilidade de abatimento do valor total da dívida, quando necessário, para
adequar a renegociação à capacidade de pagamento do funcionário, permitindo que
ele regularize sua situação financeira sem comprometer sua renda.
A direção do banco informou que também está preocupada com a situação de
endividamento dos funcionários e afirmou que estuda alternativas para enfrentar
o problema.
Monitoramento
Outro tema levado à mesa foi a melhoria das condições de
trabalho, com destaque para a revisão dos mecanismos de monitoramento da
produtividade. As entidades reivindicaram a extinção do controle individual do
tempo de atendimento e dos atuais instrumentos de acompanhamento individual da
produtividade.
Segundo a representação dos funcionários, os processos de monitoramento têm
consumido tempo excessivo dos trabalhadores e, muitas vezes, não refletem a
realidade das atividades desempenhadas. Além disso, os critérios utilizados
deixam de considerar diversas tarefas realizadas no dia a dia, comprometendo a
efetividade das avaliações.
Por isso, as entidades defenderam a participação dos funcionários na construção
e no aperfeiçoamento dessas ferramentas, de forma a desenvolver indicadores
mais justos, transparentes e compatíveis com a realidade do trabalho, sem que o
monitoramento se torne um obstáculo ao desempenho das atividades.
Fonte: Contraf-CUT
