A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander
realizou, na manhã desta terça-feira (28), na sede do Sindicato dos Bancários
de São Paulo, a terceira rodada de negociação da pauta específica da Campanha
Nacional dos Bancários 2026 com a direção do banco. O encontro teve como foco
principal o tema saúde, considerado um dos eixos prioritários da pauta de
reivindicações apresentada pelos trabalhadores.
Antes do início das discussões, a representação dos empregados cobrou as
devolutivas dos temas tratados nas reuniões anteriores. Em resposta, o Santander
apresentou informações sobre o programa de bolsas de estudo, informando que 90%
das 2.500 bolsas oferecidas já estão sendo utilizadas e que a distribuição
entre homens e mulheres é equilibrada. Segundo o banco, a maior parte dos
beneficiários está matriculada em cursos de pós-graduação e 5% das bolsas já
são ocupadas por pessoas com deficiência (PCDs).
Cláusulas sociais
Na sequência, as partes retomaram o debate sobre cláusulas
sociais que não puderam ser concluídas na rodada de negociação realizada na
última quarta-feira (22). Entre elas, foi discutida a proposta de criação de um
programa permanente de capacitação em tecnologia voltado prioritariamente para
mulheres (cis e trans) e pessoas transgênero.
A reivindicação prevê que o Santander ofereça bolsas integrais ou parciais para
cursos nas áreas de programação, desenvolvimento de sistemas, ciência de dados,
inteligência artificial e outras áreas correlatas, além de adotar políticas que
incentivem a contratação e a movimentação interna dessas profissionais para
vagas na área de tecnologia, contribuindo para reduzir a desigualdade de gênero
e ampliar a diversidade no setor.
Em resposta, o banco informou que estuda a possibilidade de incluir os cursos
de tecnologia na cláusula que já prevê a concessão de bolsas de estudo aos
empregados.
Outra reivindicação apresentada pela COE trata do fornecimento de telefone
celular corporativo a todos os empregados que atuam em atividades externas, a
exemplo do BB1, com linha telefônica e pacote de dados suficientes para
garantir a conexão compartilhada (Wi-Fi) com equipamentos de trabalho, como
notebooks e tablets.
A COE lembrou que o artigo 2º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)
estabelece que os riscos da atividade econômica são de responsabilidade da empresa.
Com base nesse entendimento jurídico consolidado, as instituições financeiras
devem fornecer os meios necessários para a execução das atividades externas,
incluindo aparelhos celulares corporativos, chips e planos de dados. Caso o
empregado seja obrigado a utilizar seu telefone particular para o trabalho, o
banco deve ressarcir as despesas com ligações, internet e o desgaste do
equipamento pessoal.
Saúde
Entre as principais reivindicações apresentadas pela COE
estão a manutenção da assistência médica aos aposentados nas mesmas condições
vigentes durante o contrato de trabalho, evitando que o custo do plano passe a
ser integralmente arcado pelo ex-empregado após a aposentadoria, e a definição
de limites para os custos das mensalidades e da coparticipação, de forma que os
valores sejam compatíveis com a remuneração dos trabalhadores.
Os representantes dos trabalhadores também relataram as dificuldades
enfrentadas por bancárias e bancários em diversas regiões do país para
conseguir atendimento pelo plano de saúde, especialmente em relação à oferta de
médicos especialistas e à realização de exames. Diante desse cenário, a COE
reivindicou que os empregados possam escolher entre as duas operadoras de saúde
já contratadas pelo Santander, de acordo com a disponibilidade de atendimento
em sua região.
Em resposta, o banco informou que, neste momento, a migração entre os planos
não é possível por questões técnicas e contratuais. Os representantes dos
trabalhadores também defenderam a criação de licença menstrual para empregadas
que enfrentam dores severas, mediante a apresentação de relatório médico. Sobre
a proposta, o Santander reconheceu a importância do tema, mas afirmou que não é
possível incluí-la como cláusula do acordo específico, comprometendo-se apenas a
orientar os gestores para que avaliem cada caso.
A pauta também contempla medidas voltadas à prevenção do adoecimento, como a
realização de análises ergonômicas dos postos de trabalho, a criação de um
grupo paritário para discutir saúde e segurança, o fortalecimento das ações de
combate ao assédio moral e às metas abusivas, a ampliação das políticas de
proteção à saúde mental e o atendimento às vítimas de violência no ambiente de
trabalho, nos moldes do acordo já existente para os trabalhadores do Santander
na Espanha.
Outro destaque é a regulamentação do direito à desconexão digital, garantindo
que os bancários não sejam acionados fora da jornada de trabalho, salvo em
situações excepcionais previstas em acordo, também inspirado no modelo adotado
pelo banco na Espanha.
Sobre esses dois últimos temas, o Santander informou que eles estão sendo
debatidos na mesa de negociação da Fenaban e, por isso, não serão tratados na
negociação específica.
Para a coordenadora da COE do Santander, Ana Marta Lima, a saúde dos
trabalhadores precisa ser tratada como prioridade nas negociações. "As
reivindicações que apresentamos refletem situações vividas diariamente pelas
bancárias e pelos bancários em todo o país. Esperamos que o banco avance em
soluções concretas para garantir atendimento de qualidade, prevenir o
adoecimento e melhorar as condições de trabalho. Saúde é um direito e precisa
estar no centro desse debate."
A secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e integrante da COE do
Santander, Rita Berlofa, destacou que o diálogo precisa resultar em avanços
efetivos. "Apresentamos propostas construídas a partir das demandas dos
trabalhadores. O banco ouviu nossas reivindicações e esperamos que as próximas
rodadas tragam respostas concretas para questões que impactam diretamente a
qualidade de vida, a valorização profissional e o ambiente de trabalho dos
empregados do Santander."
As negociações da pauta específica do Santander terão continuidade no próximo
dia 12 de agosto.
Fonte: Contraf-CUT