CEE/Caixa cobra novo PFG, novo PCS e critérios transparentes para o PSI
A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica
Federal cobrou, nesta quinta-feira (23), em São Paulo, avanços concretos nas
cláusulas de condições de trabalho durante a terceira mesa de negociações
específicas com o banco, dentro da Campanha Nacional dos Bancários 2026. O
debate priorizou a necessidade de atualização da estrutura de carreira da
Caixa, com novo Plano de Funções Gratificadas (PFG), novo Plano de Cargos e
Salários (PCS) e regras objetivas, transparentes e democráticas para os
Processos Seletivos Internos (PSIs).
A coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, ressaltou a importância da mesa
única de negociações e da presença da Caixa na mesa com os demais bancos e
lembrou que a CCT garante uma base comum de direitos para toda a categoria. Ela
também reforçou que as mudanças na organização do trabalho, nas funções e nos
sistemas de avaliação e remuneração não podem continuar sendo feitas de forma
unilateral pelo banco.
“Os atuais PFG e PCS não respondem mais à realidade da Caixa. A empresa mudou,
o trabalho mudou, as exigências aumentaram, mas os instrumentos de carreira
ficaram para trás. A Caixa precisa construir, com a representação dos
empregados, novos planos que valorizem a trajetória profissional, deem
previsibilidade e acabem com os remendos que geram insegurança, sobrecarga e
adoecimento”, afirmou Luiza, lembrando da necessidade incluir os técnicos
bancários que ainda estão no PCS de 1998.
Segundo a representação dos empregados, o tema está diretamente ligado às
cláusulas dos Acordos Coletivos de Trabalho específicos da Caixa, à Convenção
Coletiva de Trabalho da categoria bancária e à minuta de reivindicações
apresentada na Campanha Nacional 2026. A cobrança é para que o ACT incorpore
garantias capazes de impedir perdas de direitos, distorções nas funções,
acúmulo de tarefas que causam sobrecarga e adoecimento.
PSI precisa ter critérios objetivos e banca diversa
Outro ponto central foi o PSI. A CEE/Caixa defendeu que os processos seletivos
internos respeitem princípios de transparência, impessoalidade, objetividade e
diversidade, com regras conhecidas previamente e participação de bancas
examinadoras representativas da diversidade no banco.
O representante da FETEC-CUT/SP (Federação dos Trabalhadores em Empresas de
Crédito de São Paulo) na CEE/Caixa, Hugo Saraiva, destacou que a diversidade
precisa estar presente tanto nas bancas quanto nas escolhas feitas pelo banco.
“A valorização da diversidade precisa se refletir também nos processos internos
da Caixa. O PSI deve assegurar regras transparentes, comissões avaliadoras
representativas e critérios objetivos. Não é aceitável que as promoções
dependam exclusivamente da percepção individual de um gestor. É fundamental
garantir que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades de crescimento
profissional, respeitando a pluralidade que existe entre os empregados da
Caixa”, ressaltou Hugo.
A Caixa informou que há estudos em andamento sobre PFG, PCS e PSI e se
comprometeu a buscar informações para apresentar à mesa. Para a CEE/Caixa, no
entanto, é fundamental que esses estudos sejam compartilhados com as entidades
sindicais, para serem debatidos antes de qualquer implementação.
Teletrabalho também deve ser clausulado
A representação dos empregados também voltou a cobrar a inclusão de cláusula
específica sobre teletrabalho no ACT da Caixa. O representante da Federação dos
Trabalhadores em Empresas de Crédito (Fetec) do Centro Norte, Antonio Abdan,
defendeu que o banco estabeleça regras claras, universais e negociadas para a
modalidade.
“O teletrabalho alterou profundamente a rotina dos empregados. Não pode
depender apenas da decisão de cada gestor. É preciso clausular o tema no ACT,
garantir os mesmos direitos de quem trabalha presencialmente, respeito à
jornada, direito à desconexão, estrutura adequada, ajuda de custo e atenção à
saúde de quem está em trabalho remoto”, afirmou Abdan.
Ele também ressaltou a demanda de áreas, como tecnologia, que reivindicam
trabalho 100% remoto, inclusive como forma de manter profissionais qualificados
na Caixa.
Genesys e atendimento figital preocupam empregados
A CEE/Caixa fez duras críticas ao modelo de atendimento “figital”, no qual
empregados das unidades físicas precisam conciliar o atendimento presencial com
demandas digitais, por meio da ferramenta Genesys. Da mesma forma foi cobrado
que não haja punição no programa de desempenho da unidade (Alcance.Caixa).
Para a representação dos empregados, o modelo amplia a pressão, prejudica o
atendimento à população, interfere nos indicadores de desempenho e contribui
para o adoecimento. A CEE cobrou que a Caixa apresente estudos sobre os
impactos do Genesys e do atendimento presencial simultâneo, inclusive à luz da
NR-1, com informações sobre o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO),
Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventário de riscos, medidas de
prevenção e acompanhamento pelas CIPAs.
“Não é razoável exigir que o empregado atenda a fila da agência e, ao mesmo
tempo, responda demandas digitais, com metas, tempo controlado e pressão por
resultado e ainda gere impacto negativo no Alcance. Isso adoece, prejudica o
trabalhador, prejudica o cliente e ainda pode afetar a remuneração variável. O
ACT precisa impedir que a modernização seja feita às custas da saúde dos
empregados”, afirmou Luiza Hansen, ao observar que todos os temas tratados em
mesa nesta quinta-feira, estão relacionados ao adoecimento dos empregados.
“A categoria bancária é a que possui o maior índice de adoecimento mental entre
todos os trabalhadores. E, na categoria, os empregados e empregadas da Caixa
são os mais afetados”, completou Luiza.
A representante da Fetec do Paraná, Samanta Almeida, reforçou que a sobrecarga
é uma das principais causas de adoecimento na Caixa e defendeu mais
contratações. “A Caixa precisa reconhecer que há sobrecarga e que isso tem
impacto direto na saúde mental dos empregados. Melhores condições de trabalho,
contratação de mais empregados e garantia de Saúde Caixa para quem ingressa no
banco são medidas fundamentais para enfrentar esse problema”, afirmou Samanta,
reforçando que os novos contratados (desde setembro de 2018) tenham o direito
ao plano de saúde quando se aposentarem, com parte do custeio pago pela Caixa,
da mesma forma que os contratados até o final de agosto de 2018.
Diversidade: Caixa apresenta dados e proposta de cláusulas
Na mesa desta quinta-feira, a Caixa apresentou parte dos dados sobre
diversidade cobrados pela representação dos empregados na primeira rodada de
negociação específica. Entre os números apresentados, estão informações sobre
representação feminina, distribuição racial por nível hierárquico e designações
para chefia de unidade.
Os dados mostram que as mulheres são 44,25% do total de empregados, mas ocupam
apenas 29,12% das chefias de unidade. Nas designações para chefia de unidade em
2026, as mulheres representam 40,91%, contra 59,09% de homens. O tempo médio
para atingir a primeira chefia também é maior para elas: 4.375 dias, contra
3.913 dias para os homens.
A apresentação também indicou sub-representação de pessoas negras em níveis de
chefia. No total da Caixa, pessoas pardas aparecem como 24,20% e pessoas pretas
como 4,11%. Na chefia de unidade, os percentuais caem para 21,09% e 3,21%,
respectivamente.
A Caixa também apresentou proposta de cláusulas sobre Equidade de Gênero, Diversidade
e Inclusão. Para a CEE/Caixa, a proposta é um ponto de partida que será
analisada pela representação dos empregados.
Saúde Caixa: fim do teto permite 70/30 e dá sustentabilidade ao plano
No debate sobre o Saúde Caixa, a Caixa apresentou novos dados sobre adesões,
cancelamentos, perfil da base e composição dos beneficiários. Entre 2023 e
fevereiro de 2026, o banco apontou 20.056 adesões, 35.446 cancelamentos e saldo
líquido negativo de 15.390 vidas no plano.
A apresentação também trouxe informações sobre empregados contratados após
2018. Dos 13.929 empregados nessa condição, 12.324 estão no Saúde Caixa, o que
representa 88,5% da base. Outros 916 nunca aderiram e 689 cancelaram o plano. A
CEE/Caixa reforçou que negar a esses empregados o direito de levar o Saúde
Caixa para a aposentadoria, com participação da Caixa no custeio, quebra o
pacto intergeracional que sustenta o plano.
O ponto de maior destaque, porém, foi o reconhecimento, pela Caixa, de que o
fim do teto de gastos do banco com a saúde do seu quadro de pessoal permite a
retomada do modelo de custeio 70/30, no qual 70% dos custos são arcados pela
Caixa e 30% pelos empregados, garantindo sustentabilidade ao Saúde Caixa por
pelo menos dois anos.
Luiza Hansen ressaltou que a afirmação é importante, mas não significa que o
banco tenha assumido compromisso de retirar o teto de seu estatuto. “A retomada
do modelo 70/30, que garante o equilíbrio do Saúde Caixa, só é possível com a
retirada do teto. A própria Caixa reconheceu isso na mesa, mas não significa
que o banco tenha dito que vai retirar o teto. Por isso, a mobilização dos
empregados é decisiva para termos esse direito garantido”, afirmou a
coordenadora da CEE/Caixa.
A representação dos empregados reforçou a convocação para o Dia Nacional de
Mobilização em defesa do Saúde Caixa e por melhores condições de trabalho, que
será realizado na próxima segunda-feira (27), em todo o país.
A próxima reunião de negociação específica com a Caixa será realizada no dia 31
de julho, em São Paulo.
Fonte: Contraf-CUT, com informações da FETEC-SP e
edição de SINTRAFI Barretos
