CEBB denuncia metas abusivas e cobra solução definitiva para a Cassi em terceira rodada de negociação com o BB
Na terceira rodada de negociação do acordo específico do
Banco do Brasil na Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada na tarde de
quinta-feira (23), a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil
(CEBB) denunciou o assédio moral relacionado ao cumprimento de metas
consideradas abusivas, apontando o aumento dos casos de adoecimento e a
precarização das condições de trabalho e do atendimento à população.
Os representantes dos funcionários também reivindicaram a realização de um novo
concurso público e a contratação de mais empregados, especialmente para as
agências. Outro ponto central da negociação foi a cobrança por uma solução
urgente e definitiva para a sustentabilidade da Cassi. Após esse avanço, a
representação dos trabalhadores defende que o banco encaminhe a inclusão dos
funcionários oriundos de bancos incorporados na Cassi e na Previ, além da
retomada do patrocínio da Cassi para os empregados admitidos a partir de 2018.
“Debatemos hoje um assunto extremamente importante para nós, que é a saúde do
trabalhador. Abrimos a mesa reforçando que o Banco do Brasil precisa assumir
sua responsabilidade pelo custeio da Cassi. Há bastante tempo discutimos a
sustentabilidade do plano, mas é necessário um aporte urgente. Não podemos
chegar a novembro sem que a Cassi tenha condições de honrar os pagamentos aos
prestadores de serviço”, afirmou a coordenadora da Comissão de Empresa,
Fernanda Lopes.
“O banco precisa assumir sua responsabilidade. Reforçamos na mesa a necessidade
de uma solução definitiva para a Cassi e, neste momento, de um aporte
financeiro que cubra o déficit já existente neste ano”, acrescentou.
O diretor executivo da FETEC-CUT/SP, Rodrigo Leite, reforçou que a garantia de
acesso dos empregados oriundos de bancos incorporados à Cassi e à Previ
permanece como uma das principais demandas ainda não solucionadas desde o
processo de incorporação ao Banco do Brasil. Segundo ele, é fundamental que a
instituição coloque fim à desigualdade de direitos enfrentada por esses
trabalhadores.
“Desde o processo de incorporação, iniciado em 2009, nós, egressos dos bancos
incorporados, aguardamos uma resposta concreta referente à igualdade de
tratamento entre todos os trabalhadores do Banco do Brasil. No dia a dia, somos
cobrados exatamente como os demais funcionários pelo atingimento de metas, cada
vez mais abusivas e que inclusive nos adoecem, mas continuamos sendo tratados
de maneira absolutamente discriminatória quando o assunto é saúde e
previdência. É inaceitável que a cobrança seja rigorosamente a mesma, mas a
proteção e os direitos continuem desiguais. Cobramos do BB, na mesa de hoje,
uma proposta concreta e definitiva sobre esses temas, para dar fim de vez a
esse processo de discriminação que se arrasta há tantos anos”, ressaltou.
Assédio moral, metas abusivas e adoecimento
Outro tema central da negociação foi o crescimento dos casos de adoecimento,
especialmente relacionados à saúde mental. “Em uma consulta realizada com os
bancários do BB, mais de 40% informaram depender de medicamentos controlados.
Esse adoecimento está diretamente relacionado às condições de trabalho. O banco
tenta atribuir esses índices a uma realidade geral da população, mas os números
entre os funcionários são muito superiores”, destacou Fernanda.
A coordenadora ressaltou que o enfrentamento desse cenário passa pela melhoria
das condições de trabalho. “Cobramos que o banco se comprometa efetivamente com
a saúde dos trabalhadores. Isso significa reduzir a sobrecarga e estabelecer
metas compatíveis com a realidade. Hoje, quando a maioria não consegue atingir
os objetivos, o banco altera indicadores para viabilizar o cumprimento das
metas. O correto seria definir metas alcançáveis desde o início, permitindo que
os trabalhadores exerçam suas atividades com tranquilidade.”
Fernanda também relacionou o aumento das despesas da Cassi ao crescimento dos
afastamentos por adoecimento. “Além do achatamento salarial decorrente das
reestruturações, o número crescente de adoecimentos, principalmente por
transtornos mentais, aumenta os custos da Cassi. Cresce o número de
trabalhadores utilizando medicamentos controlados, algo que infelizmente vem
sendo naturalizado. Melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida
também significa reduzir os adoecimentos e contribuir para a sustentabilidade
do plano de saúde.”
O presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do
Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), Rodrigo Brito, afirmou que o Banco do Brasil
precisa rever sua estratégia para fortalecer sua atuação como banco público.
“Estamos assistindo ao desmonte da rede de varejo do Banco do Brasil, o que
prejudica os trabalhadores e compromete o papel público da instituição. O banco
precisa dar uma guinada para voltar a cumprir sua função de agente de
desenvolvimento do Estado, em vez de priorizar apenas os interesses do mercado
financeiro”, afirmou.
PSO
A situação dos trabalhadores do PSO também esteve na pauta da negociação.
Segundo Fernanda Lopes, os empregados da área enfrentam sobrecarga e acúmulo de
funções. “Os colegas do PSO estão assumindo diversas atividades que não fazem
parte de suas atribuições de caixa. Há também escriturários exercendo funções
típicas de caixa sem receber a remuneração correspondente.”
A representação dos trabalhadores denunciou que gerentes de serviço acumulam
atividades administrativas e negociais, enquanto escriturários executam tarefas
como abastecimento dos terminais de autoatendimento (TAA) e gestão de
numerário, caracterizando desvio e acúmulo de funções. O movimento sindical
reivindica que todo trabalhador que exerça atividades de caixa seja nomeado
para o cargo de assistente.
Também foi cobrada a garantia de tempo para capacitação dos empregados do PSO,
que vêm absorvendo novas atribuições sem o treinamento adequado.
Para o secretário-geral da Fetec-PR, Ewerton Lopes, a situação exige
providências imediatas. “A realidade vivida pelos colegas do PSO e pelos
gerentes de serviço, que enfrentam sobrecarga, acúmulo de funções e equipes
insuficientes para atender à demanda, é insustentável e precisa ser enfrentada
com urgência.”
Fonte: Contraf-CUT, com informações da FETEC-SP e
edição de SINTRAFI Barretos