Campanha Nacional: Movimento sindical pleiteia mais vagas para PCDs, jornada 4x3 e garantia do direito à desconexão
Aconteceu nesta quinta-feira (2) a primeira rodada de
negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos
Bancos (Fenaban), para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que
deve ser assinada até a véspera da data-base da categoria, em 1º de setembro.
As reivindicações apresentadas pelos trabalhadores nesta mesa foram sobre
cláusulas sociais relacionadas às:
- Pessoas com Deficiência (PCDs)
- Implementação da escala 4x3 (quatro dias de trabalho e três dias de descanso
- Defesa do teletrabalho e direito à desconexão
- Segurança bancária digital
PCDs
Com base na RAIS, o Comando Nacional destacou que o setor
bancário possuía 18,7 mil trabalhadores PCDs em 2025 – número que representa
4,5% da categoria bancária. Em 2012 esse percentual era de 2,4%.
"Apesar desse avanço, em termos de percentual, o setor registrou um
decréscimo de bancários e bancárias PCDs: entre 2020 e abril de 2026, os bancos
admitiram 7.840 pessoas com deficiência e desligaram 8.361, resultando no saldo
negativo de 521 postos de trabalho para trabalhadores com deficiência na
categoria", destacou Vinícius Assumpção.
Diante desse quadro, o movimento sindical reivindica aumento de contratações de
PCDs e que os mesmos tenham garantia de ascensão profissional.
O Comando Nacional também reivindicou o abono de faltas em caso de necessidade
dos trabalhadores PCDs e aos pais e mães de crianças PCDs, para tratamentos ou
exames de seus filhos.
A Fenaban respondeu que analisará as demandas do Comando Nacional.
Escala de trabalho 4x3
O Comando Nacional destacou que o processo de automação e
usos de novas tecnologias no setor viabiliza a implementação da escala 4x3:
quatro dias de trabalho e três dias de descansos.
O movimento sindical pontuou ainda que a redução de jornada teria o potencial
de gerar mais de 429 mil empregos bancários - aumento de 103% do número de
trabalhadores no setor.
"A redução da jornada resultaria em ganhos na qualidade de vida dos
bancários, sem prejuízos à produtividade das empresas, como demonstram exemplos
de outros países e de empresas aqui no Brasil, que já implementam a escala
4x3", destacou a coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.
Após um ano do projeto-piloto com empresas brasileiras, a 4 Day Week registrou
os seguinte resultados da implementação da escala 4x3:
- 84,6% das lideranças recomendam a iniciativa para outras empresas.
- 93,4% das pessoas relataram maior colaboração com suas equipes, indicando que
o modelo incentiva trabalho em conjunto.
- As empresas também colheram benefícios operacionais, com 61,5% de melhoria na
execução de projetos, 44,4% mais capacidade de cumprir prazos, e 83,3% das
organizações relatando melhorias nos processos internos.
Para os trabalhadores, alguns dos impactos da redução da jornada foram:
- 88,7% responderam ter mais satisfação com seu trabalho.
- 86,2% dos participantes relataram ter mais energia para dedicar à família e
amigos, enquanto 58,5% disseram conseguir equilibrar melhor a vida pessoal e
profissional.
- 79,5% dos participantes relataram sentir-se mais alegres e de bom humor,
enquanto 66,2% disseram sentir-se mais ativos e com vitalidade.
Sobre esta demanda, a Fenaban propôs um estudo conjunto com os sindicatos sobre
os impactos e a viabilidade da implementação da escala 4x3 no setor bancário.
Teletrabalho e direito à desconexão
O Comando Nacional defendeu a manutenção do teletrabalho,
como uma conquista importante da categoria, obtida desde as negociações de
2020, ano da pandemia.
“O teletrabalho promove a redução do tempo deslocamento, ganhos de
produtividade e melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Por isso, a
manutenção do home office é tão importante para a categoria”, reforçou Neiva
Ribeiro.
A representação do movimento sindical também cobrou que os bancos garantam o
direito à desconexão, para que os trabalhadores não recebam mensagens das
empresas nos intervalos, momentos de repouso, feriados, férias, licenças legais
ou convencionais.
Segurança bancária
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que
entre 2023 e parte de 2026, foram registradas 340.140 fraudes digitais
bancárias no país. Entre 2023 e 2025, o total de ocorrências cresceu 60,8%,
passando de 74.371 em 2023 para 119.611 em 2025.
Neiva Ribeiro observou que o enxugamento de vagas de trabalho e de agências
estão expondo a população às fraudes digitais. "A reivindicação da
categoria é para que os bancos equilibrem o atendimento físico com o digital,
para isso é necessária a ampliação de postos de trabalho e agências. Porque o
crescimento do atendimento digital, tão somente, demonstrou-se inviável para
conter as fraudes, que tem crescido ano após ano", destacou a dirigente.
“É preciso, ainda, regulação, fiscalização e ferramentas de segurança que
protejam a sociedade”, completou Neiva.
Vinícius Assumpção completou que o número de fraudes financeiras digitais pode
ser ainda maior, porque alguns estados, como São Paulo, Minas Gerais e Rio
Grande do Sul, deixaram de colocar em seus boletins de ocorrências se os golpes
financeiros registrados ocorreram em ambiente físico ou digital.
Ultratividade
Neiva Ribeiro destacou que 65% dos bancários apontaram como
prioridade a manutenção dos direitos já conquistados pela CCT. "Por
isso, é muito importante garantir a ultratividade, que é o princípio pelo qual
as cláusulas da CCT continuam valendo mesmo após o fim da sua vigência,
garantindo a manutenção de salários e direitos sociais até que um novo acordo
seja firmado", explicou a dirigente.
"Temos dois meses à frente para negociar a renovação da CCT e, este
documento, se assinado pelos bancos, garantiria um conjunto de clausulas,
conquistado ao longo de anos de esforços da categoria, para que a gente se
concentre, nesta negociação, às novas reivindicações, como igualdade salarial
entre homens e mulheres, melhoria na inclusão de PCDs, ambiente de trabalho sem
metas abusivas, entre outros pontos", completou Neiva, que também é
presidenta do SEEB-SP.
A Fenaban, entretanto, se negou a assinar um documento de ultratividade,
repetindo o comportamento de anos anteriores.
Próxima negociação
A próxima mesa de negociação no âmbito da Campanha Nacional
acontecerá na terça-feira, 7 de julho, quando o movimento sindical reivindicará
medidas em defesa do emprego.
Os dirigentes sindicais organizam um dia nacional de luta para a próxima
segunda-feira (6), com manifestações nas redes sociais e nas ruas. O objetivo é
mobilizar a categoria em defesa do emprego, contra as demissões e fechamento de
agências.
Fonte: Contraf-CUT
