Junho Violeta: privar idosos do direito ao atendimento nas agências também é uma forma de violência

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Dados recentes do IBGE mostram que a população idosa representará uma parcela cada vez maior da sociedade nas próximas décadas. Diante desse cenário, seria natural que políticas de proteção, acolhimento e garantia de direitos acompanhassem essa transformação demográfica.

No entanto, aposentados e pensionistas do antigo Banespa vivenciam uma realidade diferente. Para eles, o desrespeito que já se tornou marca registrada do Santander evidencia uma lógica que coloca os lucros acima das pessoas.

O debate sobre a violência contra a pessoa idosa também passa por um processo que afeta diretamente os banespianos e a população em geral: o fechamento contínuo de agências bancárias e a redução do atendimento presencial.

Mesmo registrando lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o Santander manteve sua política de enxugamento da estrutura física. Em apenas 12 meses, o banco fechou cerca de 260 pontos de atendimento e eliminou mais de 6 mil postos de trabalho.

Para a Afubesp, a busca incessante por rentabilidade tem produzido impactos especialmente severos sobre a população idosa. A substituição acelerada do atendimento presencial por canais digitais dificulta o acesso de muitos clientes aos serviços bancários, amplia a exposição a golpes e reduz o atendimento humanizado e prioritário garantido por lei.

O SINTRAFI Barretos e Região se soma a essa mobilização e reforça a defesa de um sistema bancário que respeite as necessidades da população. Em cidades do interior, onde muitas vezes as agências representam o principal canal de acesso aos serviços financeiros, o fechamento de unidades e a redução de funcionários afetam não apenas os trabalhadores do setor, mas milhares de clientes, especialmente idosos, aposentados e pessoas com menor familiaridade com as plataformas digitais. Garantir atendimento presencial de qualidade é assegurar inclusão, segurança e respeito à cidadania.

Na avaliação da Afubesp, excluir idosos do acesso pleno a serviços essenciais também configura uma forma de violência. Por isso, a Fetec-CUT/SP, juntamente com o Sindicato dos Bancários de São Paulo e os demais sindicatos da base da federação, está promovendo uma campanha de coleta de assinaturas contra o fechamento de agências bancárias.

“Não se trata apenas de tecnologia. Existe uma parcela enorme da população idosa que precisa de acolhimento, orientação e segurança para resolver questões financeiras e de saúde. Quando o atendimento presencial desaparece, essas pessoas ficam mais vulneráveis”, afirma Maria Rosani.

Além da evidente exclusão bancária em um cenário de envelhecimento da população brasileira, a Afubesp também alerta para os riscos da proposta de alteração estatutária apresentada pela presidência da Cabesp. Segundo a entidade, a mudança reduz a participação dos associados, responsáveis pela construção do plano ao longo de seis décadas, e abre caminho para uma eventual retirada de patrocínio por parte do Santander, que possui obrigações futuras com os participantes até a última vida.

Mais do que agressões físicas ou situações de abandono, a campanha da Afubesp chama a atenção para práticas que geram insegurança, perda de autonomia, fragilização de direitos e exclusão social. Das ações mais discretas às mais evidentes, o objetivo é ampliar a compreensão sobre as diversas formas de violência enfrentadas pela população idosa no Brasil atual.

Santander, respeite quem construiu sua história!

Fonte: Afubesp, com edição de SINTRAFI Barretos