28ª Conferência Nacional dos Bancários é aberta em clima de unidade e mobilização
Enquanto milhões de brasileiros se preparavam para
acompanhar o segundo jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026,
bancárias e bancários de todo o país davam início a outra disputa importante: a
construção da Campanha Nacional 2026. Na noite desta sexta-feira (19),
representantes da categoria participaram da abertura da 28ª Conferência
Nacional dos Bancários, realizada no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São
Paulo.
Bancários e bancárias de Barretos e região estão representados no evento pela diretoria do SINTRAFI: o presidente Marcelo Martins e os diretores Fábio Medeiros, Kelli Talissa Arantes, Israel do Carmo Costa, Mislene Pastreis e Janaína Silva.
Antes do início das saudações, foi feita a leitura do manifesto da Contraf-CUT
de tolerância zero para casos de violência e assédio. O documento foi
apresentado pela comissão formada por Fernanda Lopes, secretária da Mulher da
Contraf-CUT; Elaina Brasil, secretária de Formação da Contraf-CUT; e Rosalina
Amorim, dirigente da Executiva da entidade.
Desafios da campanha e defesa da democracia
Para a presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando
Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, a categoria terá grandes desafios
pela frente em 2026. “Temos uma luta corporativa, que é renovar nossa Convenção
Coletiva de Trabalho e os acordos específicos. Os bancários querem aumento
real, querem uma PLR maior. Esse é o nosso papel e vamos travar essa luta. Mas
podemos fazer o melhor acordo coletivo do país, com 85% das cláusulas acima da
lei. Se não discutirmos o Brasil e não reelegermos o presidente Lula, se
elegermos um presidente fascista, nossas conquistas estarão em risco”, afirmou.
“Então, temos duas grandes tarefas neste ano. E a principal é impedir que o
Brasil retroceda. Por isso, o lema desta conferência é ‘Pelos bancários e pelo
Brasil’. Não lutar pelo Brasil é não lutar pelos bancários”, completou.
Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas do Ramo
Financeiro de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos
Bancários, destacou a grande responsabilidade dos delegados e delegadas da 28ª
Conferência Nacional dos Bancários. “Temos o desafio de renovar a nossa
Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), uma das mais importantes do Brasil, que
reúne a negociação dos bancos públicos e privados na mesma mesa; de renovar os
acordos específicos por banco; e de reeleger o presidente Lula e uma bancada
com pelo menos metade de trabalhadores e trabalhadoras no Senado”, disse.
Neiva lembrou que, ao longo dos Encontros Nacionais dos bancos privados e dos
Congressos Nacionais dos bancos públicos, realizados nos últimos dias, a
categoria atualizou suas pautas e estratégias de luta e organização, além de
debater as eleições presidenciais. “Sem a reeleição de Lula e a defesa da
democracia e da soberania brasileira, não teremos negociações coletivas fortes,
nem um movimento sindical forte e organizado”, acrescentou.
“Na nossa Campanha Nacional e na campanha eleitoral, precisamos recuperar a
capacidade de sonhar e pensar em um Brasil melhor, para os nossos filhos e para
o futuro. As pessoas estão exaustas, e o debate sobre o fim da escala 6x1 nos
mostrou que elas querem viver melhor, com mais tempo livre para cantar, dançar
e fazer o que quiserem. Precisamos lutar para que uma parte da produtividade
gerada pela tecnologia volte para os trabalhadores na forma de mais tempo
livre, melhores salários e melhores condições de trabalho”, concluiu.
Por mais agências bancárias nas cidades
O deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT-SP) falou
sobre um projeto apresentado por ele na Assembleia Legislativa de São Paulo
(Alesp) para garantir que todos os municípios paulistas contem com pelo menos
uma unidade bancária. “Cidades com pelo menos 10 mil habitantes precisam ter,
no mínimo, um posto de atendimento bancário. E os bancos que fecharam unidades
nesses municípios terão que reabrir as agências”, afirmou.
Marcolino também ressaltou a importância dos bancos públicos. “A Caixa e o
Banco do Brasil têm recursos que podem ser investidos em todos os municípios. E
estamos dialogando com os prefeitos sobre a necessidade de defendermos os
bancos públicos”, disse.
Centrais sindicais reforçam mobilização
Representando as centrais sindicais, o presidente da CUT
Brasil, Sérgio Nobre, chamou atenção para a necessidade de ampliar o combate ao
feminicídio e fortalecer as mobilizações em defesa dos direitos da classe
trabalhadora. Ele destacou a campanha pelo fim da escala 6x1 sem redução
salarial e a importância da defesa da NR-1 diante do aumento dos casos de
adoecimento mental. “O movimento sindical está chamando uma grande mobilização
para o dia 30. E queremos todos e todas nessa luta. Mais da metade dos
afastamentos do trabalho estão relacionados a doenças psíquicas e é por isso
que os empresários estão tão ferozes contra a NR-1. Espero que vocês saiam
daqui energizados para fazer uma grande campanha salarial e conquistarem mais
uma vitória”, afirmou.
O secretário-geral da CTB, Ronaldo Luiz Rodrigues Leite, destacou que o segundo
semestre será marcado pelas campanhas salariais de diversas categorias e
defendeu que a luta pelo fim da escala 6x1 seja incorporada em todas elas.
“Reafirmar a luta pelo fim da escala 6x1 precisa ser uma bandeira que perpassa
a campanha de todas as categorias”, afirmou.
A secretária-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Nilza
Pereira, ressaltou a necessidade de resistência diante do aumento do
adoecimento provocado pelo assédio e destacou a importância das eleições para
garantir avanços. “Precisamos seguir avançando com resistência. As eleições
deste ano serão fundamentais para garantir representantes comprometidos com a
classe trabalhadora”, disse.
Também saudaram a conferência o presidente da Confederação Nacional do Ramo
Químico (CNQ) e o presidente da Fenae, Sergio Takemoto. “Não existe saída se
não houver unidade da classe trabalhadora. E precisamos estar unidos, pois não
basta reeleger o presidente Lula, precisamos eleger deputados e senadores. Não
tem saída se não mudarmos o Parlamento”, afirmou o dirigente da CNQ.
Takemoto alertou para os impactos da digitalização e da inteligência artificial
no setor financeiro e ressaltou a importância do movimento sindical. “Os
sindicatos não são apenas instrumentos de defesa dos direitos conquistados. São
organizações fundamentais para construir respostas coletivas aos problemas que
afetam os trabalhadores”, afirmou.
Unidade para enfrentar os desafios da categoria
Representando as correntes políticas do movimento sindical
bancário, as intervenções convergiram para a defesa da unidade e da mobilização
em torno da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Pela Articulação Bancária, o presidente do Sindicato dos Bancários de Belo
Horizonte e Região, Ramon Peres, destacou que a digitalização do setor tem
aprofundado problemas como metas abusivas, assédio moral, fechamento de postos
de trabalho e adoecimento mental. “Temos que fortalecer nossa organização,
ampliar o diálogo com a categoria e construir uma estratégia nacional para
enfrentar os impactos das transformações no sistema financeiro”, afirmou.
Representando a CTB, Andreia Sabino Macedo, presidenta da Federação dos
Bancários da Bahia e Sergipe (Feeb-BA/SE), reforçou que a renovação da CCT é
prioridade da categoria, mas lembrou que a luta dos bancários está ligada à
defesa dos direitos de toda a classe trabalhadora. “O Brasil tem 104 milhões de
trabalhadores e teremos de lutar pelos bancários e por toda a classe
trabalhadora. Se não conseguirmos colocar no Congresso Nacional pessoas
comprometidas com as nossas lutas, teremos ainda muitas dificuldades”, afirmou.
Pela Intersindical, Carlos Pereira de Araújo, coordenador-geral do Sindicato
dos Bancários do Espírito Santo, ressaltou que a categoria deve ser
protagonista da Campanha Nacional. “Se não houver uma proposta respeitosa por
parte dos bancos, teremos de construir uma mobilização forte, com possibilidade
até de greve, para conquistar o que é nosso por direito”, afirmou.
A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará e representante da CSD, Tatiana
Cibele da Silva Oliveira, destacou a necessidade de fortalecer as estratégias
de mobilização e comunicação e ampliar a participação da categoria. “É
necessário chamar a base para construir o dia a dia da Campanha Nacional junto
com os sindicatos”, disse.
Representando a Feeb SP/MS, Ana Stela Alves de Lima ressaltou a importância do
trabalho de base e da participação da categoria nas eleições. “Não basta
fazermos campanha pelas redes sociais. Temos de estar nas agências e
departamentos administrativos dos bancos para conquistar o voto de cada
bancário e de cada bancária”, afirmou.
Encerrando as saudações das correntes políticas, Nilton Damião Esperança,
presidente da Fetraf-RJ/ES e representante do Fórum, destacou que a unidade
será decisiva para os desafios da campanha. “Só poderemos mudar o cenário, nos
bancos públicos e privados, com muita união”, afirmou.
Negociação coletiva como instrumento de resistência
O secretário regional da UNI Américas, Márcio Monzane,
destacou a importância da negociação coletiva em um cenário marcado por
mudanças profundas no sistema financeiro e pela ofensiva de setores contrários
aos direitos dos trabalhadores. “Diante da retirada de direitos, do fechamento
de postos de trabalho e das agências bancárias, a negociação coletiva é a nossa
última barreira. Por isso, precisamos de sindicatos, federações e confederações
fortes, como a Contraf-CUT”, afirmou.
Monzane alertou ainda para a atuação da extrema direita na tentativa de
enfraquecer a representação sindical e defendeu a continuidade de um projeto
comprometido com a democracia e com os direitos sociais.
Ao longo do fim de semana, delegados e delegadas de todo o país irão debater e
aprovar as prioridades que orientarão a Campanha Nacional 2026, em um contexto
marcado pela defesa da Convenção Coletiva de Trabalho, da saúde dos
trabalhadores e do fortalecimento da organização sindical.
Fonte: Contraf-CUT

