Contraf-CUT entrega à Caixa minuta de reivindicações específicas dos empregados
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro
(Contraf-CUT), federações e sindicatos entregaram à Caixa Econômica Federal, na
manhã desta quarta-feira (24), a minuta de reivindicações específicas das
empregadas e dos empregados do banco público para a Campanha Nacional dos
Bancários 2026. A entrega ocorreu logo após a apresentação da minuta de
reivindicações de toda a categoria bancária à Federação Nacional dos Bancos
(Fenaban).
O documento entregue à Caixa reúne as propostas aprovadas no
41º Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa Econômica
Federal (Conecef), realizado entre os dias 17 e 19 de junho, em São Paulo. O
congresso contou com 281 delegadas e delegados de todo o país e debateu 583
propostas vindas das bases, construídas nos encontros estaduais e regionais.
A minuta específica será a base da negociação do Acordo
Coletivo de Trabalho Aditivo da Caixa para o período de 1º de setembro de 2026
a 31 de agosto de 2028. O texto complementa a pauta nacional da categoria bancária,
aprovada na 28ª Conferência Nacional dos Bancários, e reafirma a defesa dos
direitos já conquistados no ACT vigente, além de apresentar novas
reivindicações voltadas à realidade das unidades, áreas-meio, rede de
atendimento, centralizadoras, matriz e demais espaços de trabalho da Caixa.
Para o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados
(CEE) da Caixa, Felipe Pacheco, a entrega da minuta marca uma nova etapa da
Campanha Nacional dos Bancários 2026 e expressa a construção coletiva realizada
pela categoria.
“A minuta que entregamos à Caixa não nasce de gabinete. Ela
é resultado da escuta das bases, dos debates nos estados, das propostas
apresentadas pelas empregadas e empregados e das deliberações do 41º Conecef. É
uma pauta concreta, que trata dos problemas vividos no dia a dia do banco e
aponta caminhos para valorizar quem trabalha, melhorar as condições de
atendimento à população e fortalecer a Caixa como banco 100% público”, afirmou
Felipe.
Saúde Caixa está no centro da pauta
Entre os principais pontos da minuta específica está a
defesa do Saúde Caixa. As entidades reivindicam a garantia do plano para todos,
inclusive na aposentadoria, também para os empregados admitidos a partir de 1º
de setembro de 2018. A pauta também cobra o fim do teto estatutário de 6,5% da
folha de pagamento para o custeio do plano e a garantia do modelo de
financiamento 70/30, com 70% das despesas custeadas pela Caixa e 30% pelos
beneficiários.
O documento também propõe reajuste zero das mensalidades, contribuições
e demais cobranças durante a vigência do ACT, além de medidas para assegurar
atendimento adequado onde não houver rede credenciada suficiente. Outra
reivindicação é que benefícios como a Escola Inclusiva, voltada a filhos com
deficiência e/ou neurodivergentes, sejam custeados diretamente pela Caixa, com
recursos próprios da empresa, e deixem de compor as despesas do Saúde Caixa.
“Defender o Saúde Caixa é defender a saúde, a dignidade e a
segurança das empregadas, empregados, aposentadas, aposentados e seus
dependentes. A Caixa precisa assumir sua responsabilidade com o plano e retirar
do estatuto o teto que ameaça a sustentabilidade do modelo solidário. Essa é
uma reivindicação central da categoria e será tratada como prioridade na
negociação”, destacou Felipe.
Valorização, carreira e mais contratações
A minuta também cobra valorização profissional, revisão dos
planos de funções e cargos, correção de distorções nas carreiras, transparência
nos processos seletivos internos e criação de critérios objetivos para
progressão, promoção e acesso às funções.
Entre as reivindicações estão o fim das designações por
minuto para caixas, tesoureiros e avaliadores; a retomada de funções efetivas;
o pagamento da quebra de caixa a todos os empregados que operam caixa ou
manuseiam numerário; a criação de funções específicas para áreas como
atendimento social, atacado, tecnologia da informação, RPVs e precatórios; além
da equiparação de funções que hoje apresentam distorções salariais.
A pauta também reivindica mais contratações, recomposição
das unidades, abertura de novos concursos e respeito à estrutura de atendimento
presencial da Caixa. O documento aponta que o fortalecimento da rede física é
parte essencial da defesa da função social do banco, especialmente no atendimento
à população que depende da presença da Caixa para acessar políticas públicas,
crédito, benefícios sociais e serviços bancários.
“A Caixa precisa parar de tratar a falta de empregados como
um problema secundário. A sobrecarga adoece, prejudica o atendimento e
compromete a missão pública do banco. Nossa pauta cobra contratação, carreira,
valorização e condições reais de trabalho. Não existe Caixa forte sem
empregados valorizados”, afirmou o coordenador da CEE/Caixa.
Remuneração variável, metas e combate ao adoecimento
Outro eixo da minuta trata da remuneração variável. As
entidades reivindicam a revisão integral do programa Super Caixa, com retorno
ao princípio “vendeu, recebeu”, garantia de critérios claros, objetivos,
transparentes e previamente divulgados, além de tratamento isonômico entre
rede, centralizadoras e matriz.
A proposta veda mecanismos que impeçam ou reduzam o
pagamento de premiações devidas, como penalizações baseadas em indicadores de
satisfação de clientes, processos administrativos ou outros condicionantes que
prejudiquem o acesso dos trabalhadores à remuneração variável. A minuta também
defende que programas de metas, pontuação e bonificações sejam negociados com
as entidades sindicais na mesa permanente.
O documento ainda propõe medidas para combater práticas de
pressão abusiva, rankings individuais, exposição vexatória de resultados,
cobranças fora do horário de trabalho, competição interna predatória e
instrumentos de gestão que contribuam para o adoecimento físico e mental das empregadas
e empregados.
“A categoria não aceita programas obscuros, com regras que
mudam no meio do caminho, travas injustas e critérios que ampliam a pressão
sobre os trabalhadores. A remuneração variável precisa ser negociada,
transparente e justa. E nenhum programa pode servir para estimular assédio,
metas abusivas ou competição adoecedora”, reforçou Felipe.
Jornada, direito à desconexão e novas tecnologias
A minuta específica também apresenta reivindicações sobre
jornada e organização do trabalho. Entre os pontos estão a implementação da
jornada de cinco horas diárias, sem redução salarial ou de direitos; a adoção
progressiva da jornada 4x3; o efetivo controle da jornada; e o direito à
desconexão, para impedir demandas fora do horário regular de trabalho.
No campo das novas tecnologias, a pauta reivindica
investimentos em sistemas, equipamentos e capacitação, além de regras para que
inteligência artificial, automação e plataformas digitais sejam implementadas
com debate prévio, treinamento, período de adaptação e sem prejuízo funcional
aos empregados.
A proposta também deixa claro que modelos digitais de
atendimento não podem restringir o atendimento presencial nem ser usados como
instrumento de controle abusivo ou cobrança indevida sobre os trabalhadores.
Funcef, inclusão e proteção contra violência
A pauta entregue à Caixa também inclui reivindicações
relacionadas à Funcef, com defesa da transparência na gestão dos planos, fim do
voto de minerva, solução para equacionamentos, preservação de direitos dos participantes
e assistidos e fortalecimento da governança com participação dos trabalhadores.
A minuta trata ainda de diversidade, inclusão, enfrentamento
ao racismo, proteção às mulheres, direitos de pessoas com deficiência e
neurodivergentes, além de mecanismos de prevenção e combate ao assédio moral,
sexual e organizacional.
Entre as propostas estão medidas de proteção às empregadas
vítimas de violência, garantia de renda, acolhimento, acompanhamento, canais
seguros de denúncia e mecanismos contra retaliações.
Negociação permanente e respeito à representação dos
trabalhadores
A entrega da minuta específica ocorre em um momento decisivo
da Campanha Nacional dos Bancários 2026. No pré-acordo de negociação
apresentado à Fenaban, a Contraf-CUT defende a manutenção da data-base em 1º de
setembro, a preservação das normas coletivas até a assinatura de novo
instrumento, o acesso a informações, a boa-fé negocial, a negociação permanente
e a realização de mesas específicas por banco, sem retirada de direitos.
Para Felipe Pacheco, a Caixa precisa respeitar a mesa de
negociação e apresentar respostas concretas às demandas da categoria.
“A entrega da minuta abre formalmente o processo de
negociação específica com a Caixa. Agora, esperamos que o banco sente à mesa
com seriedade, boa-fé e disposição para construir soluções. A CEE/Caixa vai
cobrar calendário, respostas e avanços. Mas a força da negociação virá,
sobretudo, da mobilização das empregadas e empregados em todo o país”, afirmou.
O dirigente destacou ainda que a campanha da Caixa estará
articulada à pauta nacional da categoria bancária, que reivindica aumento real,
valorização da PLR e dos vales, manutenção de direitos, defesa do emprego,
combate ao assédio moral e às metas abusivas, proteção diante das novas tecnologias
e fortalecimento dos bancos públicos.
“A luta específica das empregadas e empregados da Caixa se
soma à luta de toda a categoria bancária. Defender nossos direitos é defender a
Caixa pública, o atendimento à população e o papel estratégico do banco no
desenvolvimento do país. A unidade da categoria será decisiva para conquistar
avanços”, concluiu Felipe.
Fonte: Contraf-CUT
