CNFBB encerra programação de quinta-feira com apresentação das estratégias da Cassi para expansão e sustentabilidade
A programação desta quinta-feira (18) do 36º Congresso
Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB) foi encerrada com uma mesa
sobre os desafios e perspectivas da Caixa de Assistência dos Funcionários do
Banco do Brasil (Cassi). As apresentações de Luciana Bagno, diretora de Risco
Populacional, Saúde e Rede de Atendimento da Cassi; Alberto Alves Junior,
diretor de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes da entidade; e Renata
Cabral, advogada sócia da LBS Advogadas e Advogados e assessora da Comissão de
Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), abordaram as estratégias do
Plano de Gestão 2024-2028, voltadas à sustentabilidade, à ampliação da rede
credenciada e ao fortalecimento da assistência aos associados.
Luciana Bagno apresentou as propostas construídas a partir das demandas dos
participantes e incorporadas ao planejamento da nova gestão. Segundo ela, todas
as iniciativas têm como eixo central o fortalecimento da Atenção Primária à
Saúde. “Todas as nossas ações buscam fortalecer e expandir a Atenção Primária à
Saúde, e isso vai muito além da ampliação das estruturas físicas. Não para por
aí. Vai muito além. Queremos que os associados tenham uma experiência cada vez
melhor. A expansão da rede e a qualificação do atendimento caminham juntas para
garantir mais acesso, mais resolutividade e mais cuidado em todas as regiões do
país”, afirmou.
A diretora ressaltou que a proximidade com os usuários é um dos pilares da
gestão. “Essas ações que estamos trazendo não são apenas ideias que nascem da
diretoria. São propostas que vêm da base, dos conselhos de usuários, e é nosso
compromisso manter essa proximidade com os associados e os funcionários. É com
base no que vocês trazem para nós que vamos conseguir melhorar a nossa Cassi”,
disse.
Saúde baseada em valor e eficiência na gestão
Alberto Alves Junior detalhou as nove estratégias do Plano
de Gestão 2024-2028, que tem como objetivo alcançar a chamada
"Sustentabilidade com Satisfação", conciliando equilíbrio
econômico-financeiro e melhoria da experiência dos participantes.
Entre os resultados apresentados, destacou-se a expansão da rede credenciada
entre 2024 e 2025. O número de prestadores passou de 844 para 1.757, um
crescimento de 108,18%. No interior do país, a ampliação foi ainda mais expressiva,
alcançando 123,55%. Os índices de satisfação acompanharam esse movimento: a
qualidade dos profissionais recebeu nota média de 4,80, em uma escala de até 5,
enquanto a avaliação geral da rede chegou a 4,76. A meta é elevar a satisfação
global dos participantes de 69% para 75%.
O diretor também apresentou a migração para um modelo de Governança de Saúde
Baseada em Valor (VBHC), que prioriza os resultados para os pacientes e a
utilização mais eficiente dos recursos. “O foco é oferecer um cuidado cada vez
mais personalizado, com eficiência e sustentabilidade, atuando também na
prevenção e na redução de desperdícios”, explicou.
Outro avanço destacado foi o novo processo de regulação. Dados de abril de 2026
mostram que 96% dos pedidos de autorização são analisados em até três dias,
além da redução significativa do estoque de solicitações pendentes.
A entidade também promoveu ajustes em seu portfólio de produtos para garantir
maior equilíbrio econômico-financeiro. Alguns planos comerciais, como o PCF e o
Vida, foram descontinuados, enquanto o plano Essencial tornou-se referência
para o novo modelo implantado desde maio de 2025.
Para Alberto, as mudanças em curso preparam a Cassi para os desafios futuros da
saúde suplementar. “Estamos construindo uma Cassi mais eficiente, mais moderna
e mais sustentável. O uso inteligente dos dados e a gestão baseada em valor são
instrumentos essenciais para garantir a perenidade do nosso modelo e a melhor
utilização dos recursos dos associados”, afirmou.
Ele também destacou a importância das alianças estratégicas e da criação de uma
Unidade de Inteligência. “Precisamos compartilhar conhecimento e buscar
soluções em conjunto com outras autogestões. O futuro exige inovação,
capacidade analítica e cooperação para enfrentarmos os desafios cada vez mais
complexos da assistência à saúde”, acrescentou.
Segurança jurídica e defesa dos associados
Encerrando a mesa, Renata Cabral abordou os aspectos
jurídicos relacionados à Cassi e chamou a atenção para a necessidade de
garantir segurança aos associados em um cenário de constantes mudanças no setor
de saúde suplementar. A advogada também fez um alerta sobre o avanço dos
transtornos mentais e a necessidade de encarar a saúde do trabalhador como um
direito fundamental.
Segundo ela, a própria definição da Organização Mundial da Saúde (OMS)
estabelece que saúde é um estado de bem-estar físico, mental e social, e não
apenas a ausência de doenças. No Brasil, lembrou, a Constituição Federal de
1988 assegura a saúde do trabalhador como um direito fundamental, previsto nos
artigos 7º e 196.
Renata apresentou dados da OMS que mostram que mais de 1 bilhão de pessoas
vivem com transtornos mentais no mundo. Ansiedade e depressão são as condições
mais prevalentes, com maior incidência entre as mulheres. A advogada destacou
ainda que, nos países de baixa renda, menos de 10% das pessoas que necessitam
de atendimento conseguem acesso aos serviços de saúde mental, enquanto nos
países de alta renda esse índice supera 50%.
Ao tratar da realidade brasileira, ela ressaltou que, em 2025, a Previdência
Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária decorrentes de
transtornos mentais e comportamentais. As mulheres responderam por 63,46% dos
afastamentos, situação que, segundo a advogada, está relacionada à divisão
sexual do trabalho, à tripla jornada e à desigualdade salarial. O CID F-41,
referente a outros transtornos ansiosos, foi a principal causa dos
afastamentos.
“É fundamental que qualquer debate sobre o futuro da Cassi tenha como prioridade
a preservação dos direitos dos associados e a sustentabilidade do sistema,
garantindo segurança jurídica e qualidade da assistência”, afirmou.
Renata também destacou que a defesa da Caixa de Assistência depende da
participação ativa dos trabalhadores e da construção coletiva de soluções.
“Estamos falando de uma conquista histórica dos funcionários do Banco do
Brasil. É necessário que os associados acompanhem os debates e participem das
decisões, porque a defesa da Cassi é, antes de tudo, a defesa de um patrimônio
construído por gerações de trabalhadores”, disse.
Segundo ela, os desafios jurídicos e regulatórios da saúde suplementar exigem
atenção permanente e atuação responsável. “Os desafios jurídicos e regulatórios
são constantes. Por isso, é fundamental atuar com responsabilidade e
planejamento, garantindo que as mudanças necessárias sejam implementadas sem
perder de vista os princípios da solidariedade e da proteção aos associados”,
concluiu.
Fonte: Contraf-CUT
