Cliente ameaça funcionários do Mercantil em agência de Belo Horizonte e movimento sindical cobra reforço na segurança


Uma grave ocorrência de violência registrada nesta terça-feira (30) em uma agência do Banco Mercantil, localizada em Venda Nova, em Belo Horizonte (MG), reacendeu o alerta sobre a falta de segurança nas unidades bancárias. Um cliente ameaçou funcionários durante o atendimento, obrigando trabalhadores a intervir para evitar agressões.

Segundo denúncia encaminhada ao movimento sindical, o cliente se irritou com o tempo de espera e passou a circular pela agência tentando ser atendido antes da ordem de sua senha. Ao ser informado de que deveria aguardar sua vez, começou a gritar com um bancário, pegou uma cadeira e ameaçou arremessá-la contra o trabalhador. A agressão só não aconteceu porque outros funcionários conseguiram conter a situação. A Polícia Militar foi acionada, mas, de acordo com o relato, não compareceu ao local.

Na tentativa de acalmar o cliente, uma gerente de contas o chamou para atendimento. Durante o procedimento, ele voltou a se exaltar, tomou o tablet da trabalhadora e ameaçou jogá-lo no chão. Em seguida, também passou a ameaçá-la, obrigando a bancária a se afastar para preservar sua integridade. Novamente, colegas de trabalho precisaram intervir. Ainda conforme a denúncia, o cliente também mexeu no computador da gerente e a acusou de estar "pegando o dinheiro dele". Depois, deixou a agência bastante alterado e seguiu em direção a outra unidade bancária da região.

Para o coordenador da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Mercantil, Vanderci Antônio da Silva, o episódio evidencia a fragilidade das condições de segurança nas agências. "Esse episódio é inaceitável e demonstra a vulnerabilidade a que bancárias e bancários estão expostos diariamente pela retirada da vigilância armada. Exigimos que o Mercantil adote medidas efetivas para garantir a segurança dos trabalhadores, incluindo presença de segurança adequada, apoio imediato em situações de violência e acolhimento psicológico aos funcionários atingidos", afirmou.

Retirada de vigilantes aumenta preocupação

O caso também reacende o debate sobre as mudanças na legislação mineira que reduziram as exigências de segurança nas agências bancárias. Em maio de 2025, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou o Projeto de Lei 434/2023, que desobrigou a instalação de portas giratórias e a manutenção de vigilantes em unidades bancárias que não realizem guarda de numerário.

Desde a tramitação da proposta, o movimento sindical alertava que a medida aumentaria a vulnerabilidade de bancárias, bancários e da população atendida nas agências. 

Pressão garante retorno da vigilância armada em unidades do Mercantil na base do SINTRAFI

A preocupação com a redução das medidas de segurança também foi realidade nas agências do Mercantil na base do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Barretos e Região (SINTRAFI). Recentemente, a entidade garantiu que o banco restabelecesse a vigilância armada nas agências de Barretos e Bebedouro. Diante da relutância do Mercantil, a pressão do SINTRAFI precisou ocorrer em todas as esferas, por meio de notificações e denúncias aos órgãos competentes.

Para o Sindicato, episódios recentes registrados em diferentes regiões do país reforçam que a presença de vigilantes armados e de outros mecanismos de proteção não é um custo dispensável, mas uma medida essencial para preservar vidas e garantir a segurança de trabalhadores e clientes dentro das agências bancárias.

“A Lei é clara e as instituições financeiras precisam entender que não há subterfúgios que as coloquem acima da legislação vigente. Nossa Convenção Coletiva de Trabalho também dispõe sobre o tema. O pior é que não se trata apenas de um desrespeito à ordem jurídica, se trata de um desprezo pela vida, porque é isso que está em risco quando o banco reduz as medidas de segurança no ambiente bancário: a vida dos trabalhadores bancários, terceirizados, dos clientes e usuários. Para nós o mais importante deve ser a segurança das pessoas”, ressaltou o presidente do SINTRAFI, Marcelo Martins.

Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos