Caixa mantém critérios contestados no Super Caixa
A Caixa Econômica Federal apresentou, em live realizada na
última segunda-feira (2), alterações no regulamento do programa de remuneração
variável Super Caixa. As mudanças foram divulgadas faltando apenas 19 dias
úteis para o fechamento do ciclo e, embora tragam alguns ajustes na forma de
cálculo dos valores a pagar, mantêm critérios que vêm sendo duramente
criticados pelas entidades representativas dos empregados desde a implantação
do programa.
Entre os pontos que permanecem inalterados estão os indicadores de CSAT
(Customer Satisfaction Score – Pontuação de Satisfação do Cliente) e NS,
apontados pelos trabalhadores como fatores excludentes e desproporcionais para
o acesso ao programa. Durante a apresentação, representantes do banco afirmaram
que a Caixa não abrirá mão desses critérios.
Outro aspecto que chamou a atenção das entidades é a exigência de assinatura de
diversos termos de ciência para que os empregados possam acessar o sistema de
acompanhamento do desempenho. O trabalhador só tem acesso ao sistema Super
Caixa, para consultar seus resultados, se concordar com todos os itens dos
termos.
Os termos também estabelecem que os valores pagos pelo programa possuem
natureza de premiação, sem incorporação à remuneração, sem reflexos
trabalhistas, previdenciários ou fundiários. Além disso, o empregado precisa
declarar ciência de que as simulações apresentadas no portal não representam
expectativa de pagamento e que os valores dependem de regras, gatilhos e
repasses definidos pela empresa.
O que mudou
Segundo a apresentação feita pela Caixa, o modelo deixa de operar
exclusivamente na lógica do “tudo ou nada” e passa a prever faixas
intermediárias de "premiação".
Pelas novas regras, a habilitação inicial passa a ser de 25% do valor da
remuneração devida, desde que se atinja os marcos de liderança na dimensão
Integridade do Alcance.Caixa e em pelo menos mais uma dimensão Core, além de
CSAT e NS igual ou superior a 100.
Após a habilitação, o empregado passa a acumular percentuais de premiação
conforme seu desempenho nas dimensões Core e nas demais dimensões do
Alcance.Caixa.
Na prática, isso significa que um trabalhador poderá receber percentuais
intermediários, mesmo sem atingir o nível máximo em todas as dimensões,
situação que não ocorria no formato anterior.
Apesar da mudança, as entidades observam que a estrutura continua baseada em
uma série de condicionantes, gatilhos e classificações que tornam o programa
complexo e de difícil compreensão para os empregados.
Críticas permanecem
Para o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe
Pacheco, as alterações anunciadas são resultado direto da mobilização dos
trabalhadores e da pressão exercida pelas entidades representativas, mas ainda
estão longe de resolver os principais problemas do programa.
“Se houve mudanças, elas aconteceram porque os empregados se mobilizaram,
denunciaram as injustiças do programa e cobraram a Caixa de forma permanente.
Mas a principal crítica continua válida. O banco manteve critérios que podem
excluir trabalhadores, mesmo quando eles contribuem efetivamente para os
resultados da unidade. O reconhecimento não pode depender de indicadores que
muitas vezes fogem ao controle do empregado”, afirmou.
Felipe também criticou o momento escolhido pela empresa para anunciar as
mudanças. “Não é razoável alterar regras de um programa dessa relevância quando
o semestre já está praticamente encerrado. Isso gera insegurança, dificulta o
acompanhamento dos resultados e compromete a transparência que deveria existir
em qualquer política de remuneração variável”, acrescentou.
Falta de transparência
A representante da Fetec-CUT/CN e presidenta do Sindicato dos Bancários do
Pará, Tatiana Oliveira, destacou que a exigência de assinatura dos termos para
acesso ao sistema amplia as preocupações sobre a condução do programa.
“É muito grave que o empregado seja obrigado a concordar integralmente com uma
série de condições para simplesmente acessar informações sobre o seu
desempenho. Transparência não pode ser tratada como concessão da empresa. O
trabalhador tem o direito de saber como está sendo avaliado e como está sendo
calculada sua remuneração variável”, afirmou.
Segundo Tatiana, o modelo continua excessivamente complexo. “A Caixa fala em
simplificação, mas o que vemos é a manutenção de uma estrutura difícil de
compreender, com vários gatilhos, módulos, dimensões e critérios que acabam
dificultando o acompanhamento pelos empregados. Quanto mais complexo é o
sistema, menor é a transparência”, observou. "Se a Caixa quer simplificar,
basta implementar o 'Vendeu, recebeu' que o movimento sindical defende",
acrescentou.
Programa continua excludente
Para o diretor executivo da Contraf-CUT, Lívio Santos e Assis, o banco deixou
de enfrentar a principal reclamação apresentada pelos trabalhadores desde o
lançamento do Super Caixa.
“O problema central continua existindo. A categoria sempre defendeu que quem
gera resultado precisa ser reconhecido. As alterações criam algumas faixas
intermediárias, mas não eliminam mecanismos que continuam excluindo colegas que
ajudaram a construir os resultados da unidade. A lógica do programa segue
distante daquilo que os empregados reivindicam”, avaliou.
Ele também ressaltou que as mudanças foram anunciadas sem negociação prévia com
as representações dos trabalhadores. “Mais uma vez a Caixa comunica decisões já
tomadas e espera que os empregados simplesmente se adaptem às novas regras.
Esse não é o caminho para construir um programa justo e legítimo.”
Mobilização continuará
Na avaliação do diretor do SINTRAFI Barretos e Região, Marco Antônio Pereira,
as alterações anunciadas não resolvem os principais problemas apontados pelos
empregados ao longo do processo.
“Houve alguns avanços pontuais, mas eles são insuficientes
diante das demandas apresentadas pelos trabalhadores. Continuam existindo
critérios que geram insegurança, além de aspectos pouco transparentes que
dificultam a compreensão sobre quem terá direito ao recebimento da remuneração
variável. A divulgação das regras a poucos dias do fechamento do período de
avaliação evidencia, mais uma vez, a falta de planejamento e de diálogo efetivo
com os representantes dos empregados”, afirmou.
Segundo as entidades, a mobilização continuará para que o
programa seja aprimorado e passe a oferecer maior segurança, previsibilidade e
justiça na distribuição dos resultados alcançados pelos trabalhadores da Caixa.
Desde 2025, o Super Caixa tem sido alvo de críticas relacionadas à falta de
transparência dos critérios, à utilização de indicadores considerados
punitivos, à dificuldade de acompanhamento dos resultados durante o ciclo e à
possibilidade de exclusão de trabalhadores que contribuíram para o desempenho das
unidades, pautas que continuam presentes mesmo após as alterações anunciadas
pelo banco.
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
