Banco do Brasil apresenta proposta insuficiente para recomposição das reservas da Cassi
Na manhã da última terça-feira (23), representantes das
entidades do funcionalismo do Banco do Brasil se reuniram na sede da
Contraf-CUT, em São Paulo, para alinhar posições antes da rodada de negociação
com o banco sobre a Cassi, realizada no mesmo dia.
Durante o encontro preparatório, a coordenadora da Comissão de Empresa dos
Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes, apresentou um balanço
dos debates e deliberações do 36º Congresso Nacional dos Funcionários do BB,
realizado entre os dias 17 e 19 de junho.
Segundo a dirigente, a principal preocupação dos delegados foi a
sustentabilidade da Cassi, o que torna central a discussão sobre o modelo de
custeio da entidade. Ela ressaltou, no entanto, que a solução para o
financiamento da Caixa de Assistência precisa contemplar demandas históricas
dos associados. “O debate no congresso deixou claro que a sustentabilidade da
Cassi é uma prioridade para o funcionalismo. Mas também é fundamental encontrar
soluções para questões pendentes, como o custeio do período pós-laboral dos
colegas que ingressaram no banco após 2018 e a garantia de atendimento adequado
aos funcionários oriundos dos bancos incorporados”, afirmou Fernanda Lopes.
A coordenadora também destacou a preocupação das entidades com a realização de
uma consulta ao corpo social em um momento que coincide com as negociações da
Campanha Nacional dos Bancários e da renovação dos acordos coletivos da
categoria.
Diante da urgência para recompor as reservas da Cassi, os representantes dos
trabalhadores defenderam que o Banco do Brasil realize um adiantamento de
recursos, garantindo tempo adicional para a construção de uma solução
definitiva para o custeio e para a elaboração de uma proposta de reforma
estatutária que contemple temas pendentes, como adequação à Instrução Normativa
ANS nº 649, atendimento às exigências da NR-1 e aperfeiçoamentos na governança
da entidade.
Proposta do banco é considerada insuficiente
Na rodada de negociação realizada na segunda-feira (22) à tarde, Fernanda Lopes
lembrou que o banco ainda precisava responder à proposta apresentada pelas
entidades em 9 de junho, que previa um aporte extraordinário para recompor as
reservas da Cassi.
Durante a reunião, a representação do banco fez um resgate das negociações
realizadas desde abril de 2025 e destacou o impacto da diferença entre a
inflação médica e a inflação geral sobre as contas da Caixa de Assistência.
Em seguida, o BB apresentou uma proposta de aporte extraordinário de R$ 2,3
bilhões, valor considerado necessário para recompor as reservas da Cassi. O
montante seria dividido entre banco e associados na proporção de 50,26% para o
banco e 49,73% para o funcionalismo, com pagamento diferido em 18 meses.
A proposta foi rejeitada pelas entidades representativas dos funcionários, que
reiteraram a defesa de uma divisão mais equilibrada, com participação de 70% do
banco e 30% dos associados. “A proposta apresentada pelo banco está muito
distante das premissas defendidas pelo funcionalismo. Entendemos a necessidade
urgente de recomposição das reservas, mas isso não pode ocorrer transferindo
quase metade da responsabilidade para os associados. Seguiremos buscando uma
solução que preserve a sustentabilidade da Cassi e respeite a capacidade
contributiva dos trabalhadores”, destacou Fernanda Lopes.
Como alternativa, os representantes dos funcionários propuseram que o Banco do
Brasil inicie sua contribuição extraordinária já em julho, também parcelada em
18 meses, enquanto a participação dos associados seja discutida posteriormente,
após consulta ao corpo social, com pagamento diferido em 12 meses.
As entidades também defenderam a criação imediata de um grupo de trabalho
responsável pela elaboração de uma proposta de reforma estatutária da Cassi, a
ser submetida aos associados ao longo de 2027.
Diante do caráter inédito da proposta apresentada pelos trabalhadores, o banco
não apresentou resposta durante a reunião. As partes ficaram de agendar uma
nova rodada de negociação para a próxima semana.
Fonte: Contraf-CUT
