41º Conecef aprova plano de lutas e reivindicações das empregadas e empregados da Caixa
As empregadas e os empregados da Caixa Econômica Federal
definiram, nesta sexta-feira (19), em São Paulo, o plano de lutas e as
reivindicações específicas que serão defendidas pelo movimento sindical nas
negociações com o banco durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026. As
deliberações foram aprovadas na plenária final do 41º Congresso Nacional das
Empregadas e dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que reuniu 281
delegadas e delegados de todo o país, entre os dias 17 e 19 de junho.
Ao longo do congresso, foram debatidas 583 propostas
apresentadas pelas bases nos encontros estaduais e regionais. As reivindicações
aprovadas abrangem temas centrais para o futuro da categoria e da própria
Caixa, como a defesa do banco 100% público, o fortalecimento do Saúde Caixa, a
melhoria das condições de trabalho, a valorização dos empregados, carreira,
remuneração variável, Funcef, igualdade de oportunidades, equidade racial e combate
a todas as formas de violência e assédio.
As propostas aprovadas no Conecef vão integrar a minuta de
reivindicações das empregadas e empregados da Caixa, que será entregue ao banco
para a abertura das negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários
2026.
Para o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados
(CEE) da Caixa, Felipe Pacheco, o 41º Conecef cumpriu um papel decisivo na
organização da categoria para a campanha deste ano. “O 41º Conecef expressou a
realidade vivida pelas empregadas e empregados da Caixa em todo o país.
Debatemos o sistema financeiro nacional, o papel dos bancos públicos, a defesa
da Caixa, o Saúde Caixa, a saúde e as condições de trabalho, a remuneração
variável, a carreira e a valorização dos trabalhadores. À luz desses debates,
analisamos as propostas vindas da base e construímos uma pauta forte,
representativa e conectada com o dia a dia das unidades. Cada empregada e cada
empregado vai se enxergar nessa pauta, porque ela nasce das demandas concretas
da categoria”, afirmou.
Felipe também destacou que a força da campanha dependerá da
capacidade de mobilização nos locais de trabalho. “A aprovação da minuta é uma
etapa fundamental, mas a negociação só avança com organização e pressão da
categoria. A Caixa precisa respeitar a CEE, valorizar a mesa de negociação e
responder às reivindicações apresentadas pelas empregadas e empregados. Vamos
para a campanha com unidade, disposição de luta e clareza de que defender os
direitos dos trabalhadores é também defender a Caixa pública e seu papel
social”, completou.
Defesa da Caixa pública e valorização dos empregados
A defesa da Caixa 100% pública esteve entre os eixos
centrais do congresso. As delegadas e os delegados reafirmaram que o banco deve
ser fortalecido como instrumento de desenvolvimento econômico e social,
responsável por políticas públicas fundamentais para a população brasileira,
como habitação, crédito popular, saneamento, infraestrutura, programas sociais,
gestão do FGTS, loterias e inclusão bancária.
As propostas aprovadas também apontam para a necessidade de
recomposição do quadro de pessoal, fim do fechamento de unidades, melhoria das
condições de atendimento, fortalecimento da rede física e respeito à missão
pública da Caixa. Para o movimento sindical, não há Caixa forte sem valorização
de quem trabalha no banco.
Coletivo Caixa Preta apresenta manifesto por equidade racial
Durante o 41º Conecef, o Coletivo Caixa Preta apresentou o
manifesto “Movimento Caixa Preta: um manifesto dos empregados negros da Caixa Econômica
Federal”, com propostas para enfrentar o racismo estrutural, ampliar a
representatividade negra e garantir igualdade de oportunidades dentro do banco.
O documento afirma que a presença negra na Caixa ainda não
reflete a composição da sociedade brasileira e denuncia a baixa
representatividade de trabalhadoras e trabalhadores negros em cargos de
liderança e nos espaços de tomada de decisão. Para o coletivo, uma instituição
pública como a Caixa deve refletir a diversidade do povo brasileiro, tanto no atendimento
à população quanto na estrutura interna de gestão.
O manifesto reivindica a adoção de políticas efetivas de
promoção da diversidade racial, com plano estratégico, divulgação de
resultados, programas de mentoria e formação para preparar empregados negros
para progressão na carreira e assunção de cargos de liderança. Também cobra
transparência nos processos de promoção e ascensão, com critérios justos que
reconheçam o talento e a competência dos profissionais negros em igualdade de
condições.
Outro ponto defendido pelo Coletivo Caixa Preta é o
monitoramento permanente das políticas afirmativas, com representação negra nos
comitês de diversidade, acompanhamento das metas e apresentação periódica dos
resultados à direção do banco e ao conjunto dos empregados.
O manifesto também propõe capacitação antirracista regular e
obrigatória para todos os níveis da instituição, da base à alta gestão, com
formação sobre racismo estrutural, cultura afro-brasileira e inclusão. Além
disso, reivindica política de consequência no âmbito administrativo para a
responsabilização de praticantes de atos discriminatórios.
Para as delegadas e os delegados do Conecef, a pauta da
equidade racial precisa ser tratada como compromisso concreto da Caixa, com
negociação, metas, transparência e acompanhamento pela representação dos
trabalhadores. A defesa de uma Caixa pública, inclusiva e socialmente
comprometida passa, necessariamente, pelo enfrentamento ao racismo
institucional e pela valorização das empregadas e empregados negros.
Saúde, condições de trabalho e combate ao assédio
As condições de trabalho também ocuparam lugar central nos
debates. As propostas aprovadas tratam da sobrecarga nas unidades, da falta de
empregados, das metas abusivas, das mudanças unilaterais nos modelos de
atendimento, da pressão por resultados, do adoecimento físico e mental e da
necessidade de combater o assédio moral, sexual e organizacional.
O congresso reforçou a cobrança por ambientes de trabalho
saudáveis, com respeito, estrutura adequada, dimensionamento de pessoal,
transparência nos processos de gestão e políticas efetivas de prevenção ao
adoecimento.
As empregadas e empregados também reafirmaram a defesa de
medidas concretas contra todas as formas de violência e assédio, com
acolhimento às vítimas, responsabilização dos agressores e atuação permanente
da Caixa para garantir locais de trabalho seguros e livres de discriminação.
Remuneração variável, carreira e transparência
A remuneração variável foi outro ponto de forte debate. As
propostas aprovadas cobram que qualquer programa de bonificação ou remuneração
variável seja previamente debatido e negociado com a representação dos
trabalhadores, com regras claras, critérios objetivos, acompanhamento
transparente e pagamento justo.
O Super Caixa foi alvo de críticas pela falta de
transparência, pelas mudanças constantes nas regras e por critérios que podem
penalizar trabalhadores por fatores que não dependem de sua atuação direta.
Para o movimento sindical, a lógica deve ser simples: vendeu, recebeu.
As deliberações também apontam para a necessidade de
valorização da carreira, respeito às funções, preservação da renda, fim das
mudanças unilaterais e construção de políticas de desenvolvimento profissional
que reconheçam a contribuição dos empregados para os resultados da Caixa.
Plenária aprova moções políticas e resolução em defesa da
democracia
A plenária final do 41º Conecef também aprovou quatro moções
e uma resolução política.
A primeira foi uma moção em solidariedade a Zé Maria,
presidente do PSTU, condenado a dois anos de reclusão por declarações feitas em
defesa do povo palestino durante manifestação realizada na Avenida Paulista, em
São Paulo. A moção repudia a condenação e afirma que a defesa do Estado
palestino, o repúdio ao genocídio e a crítica política não podem ser
criminalizados.
Também foi aprovada a moção contra a fragmentação da Caixa
Econômica Federal. O texto reafirma a defesa da Caixa como banco público, 100%
estatal, preservado em sua unidade institucional, sem desmembramentos, abertura
de capital, criação de subsidiárias que fragilizem o banco ou terceirização de
atividades permanentes e estratégicas. A moção alerta que a fragmentação
enfraquece a função social da Caixa, precariza empregos, reduz o controle
público e amplia a mercantilização de serviços essenciais à população. O
documento encerra com a palavra de ordem: “Nenhum pedaço a menos. Caixa 100%
pública”.
A terceira moção aprovada trata da valorização e da
atribuição automática de função para empregadas e empregados da área de Tecnologia
da Informação, especialmente lotados na Vitec. O documento denuncia a defasagem
entre a complexidade das atividades desempenhadas pelos trabalhadores de TI e a
remuneração atualmente recebida por parte dos novos empregados admitidos em
concurso específico para a área. A moção reivindica o reconhecimento da
especificidade do trabalho em tecnologia, o fim do desvio de função velado e a
adoção de medidas para evitar a evasão de talentos e garantir a
sustentabilidade tecnológica da Caixa.
A plenária também aprovou uma moção de repúdio à decisão da
Caixa de solicitar a criação de 55 novos cargos de alto e médio escalão,
incluindo diretorias, superintendências e gerências nacionais, com elevado
impacto financeiro para a instituição. Para os delegados e delegadas, a medida
precisa ser revista e explicada com transparência, especialmente diante da
necessidade de priorizar investimentos no atendimento à população, na
contratação de empregados por concurso público, na valorização dos
trabalhadores e na melhoria das condições de trabalho.
Além das moções, o 41º Conecef aprovou resolução de apoio à
reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A
resolução destaca a importância da defesa da democracia, dos direitos sociais e
trabalhistas, da soberania nacional, do fortalecimento dos bancos públicos e da
preservação do papel estratégico da Caixa para o desenvolvimento do país.
Saúde Caixa Sem Teto
Ao final da votação, foi apresentada a campanha Saúde Caixa
Sem Teto, em defesa da sustentabilidade do plano e do fim do limite de custeio
de 6,5% da folha salarial imposto pela Caixa em seu estatuto.
O Saúde Caixa foi um dos temas prioritários do 41º Conecef.
A plenária aprovou reivindicações em defesa da sustentabilidade do plano, da
preservação do mutualismo, da solidariedade e do pacto intergeracional, além da
garantia de acesso ao plano para todos os empregados, inclusive os admitidos
após 2018, no pós-emprego.
