
A versão de Prates unificou duas PECs sobre o mesmo tema, de autoria dos
deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Érika Hilton (Psol-SP). O texto foi
consolidado após a Câmara e o governo Lula fecharem consenso em três pontos
considerados inegociáveis: redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, fim
da escala 6x1 (com dois dias de descanso remunerados) e manutenção integral dos
salários.
Agora, o texto segue para votação na comissão especial da Câmara, marcada para
esta quarta-feira (27). Se aprovada, a proposta irá ao Plenário na quinta-feira
(28), onde precisará do apoio de pelo menos 308 deputados (três quintos do
total), em dois turnos, antes de seguir para o Senado.
Em paralelo à articulação institucional que viabilizou o texto consensual, os
trabalhadores enfrentam tentativas da oposição de emplacar a chamada
"emenda das 52 horas", apresentada por
Sérgio Turra (PP-RS). Além de permitir que o limite de horas semanais
ultrapassasse os 30% — chegando a 52 horas sem mediação sindical —, a medida
propõe reduzir em 50% a contribuição ao FGTS e adiar para 2036 o fim da escala
6x1.
A emenda de Turra contava inicialmente com 176 assinaturas de parlamentares do
centrão e da extrema direita, número suficiente para ir à votação. No entanto,
diante da forte pressão popular,
pelo menos 39 de deputados retiraram o apoio ao longo
da última semana.
“A organização da classe trabalhadora e dos movimentos sociais continua
essencial para os próximos passos, que são a aprovação definitiva na Câmara dos
Deputados e, depois, no Senado, sem o risco de o texto ser desconfigurado”,
destaca o secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT, Jeferson Meira
(Jefão).
Um dos principais pontos de atenção no Senado foi sinalizado pelo vereador do
Rio de Janeiro Rick Azevedo (Psol), fundador do movimento Vida Além do Trabalho
(VAT). “A PEC do fim da escala 6x1 ainda nem chegou no Senado e o Davi
Alcolumbre já está articulando formas de tentar desmontar o texto, incluindo
sistema de Horas Trabalhadas”, denunciou nessa segunda (25), em uma publicação
nas redes sociais.
De autoria do deputado Mauricio Marcon (PL-RS) e defendida pelo senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), a proposta que estaria sendo articulada pelo presidente do
Senado é baseada no modelo dos Estados Unidos, onde o trabalhador ganha por
hora trabalhada e os contratos são individuais, entre empregador e empregado,
dispensando a representação sindical.
Em entrevista
à coluna de Carlos Juliano Barros, do UOL, a
desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT1) e
professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sayonara Grillo
Coutinho, apontou que a PEC das Horas Trabalhadas "suprime direitos
fundamentais previstos na origem da própria Constituição". A proposta também
é inconstitucional contra os princípios de representação sindical e do conceito
de jornada mínima, que dão aos trabalhadores a previsibilidade de uma renda
mensal predeterminada.
Jefão destaca que o autor da PEC das Horas Trabalhadas impediu que o relatório
de Leo Prates, apresentado na última segunda-feira (25), fosse à votação no
mesmo dia pela comissão especial. “O deputado Mauricio Marcon pediu vistas
e provocou os trabalhadores presentes na sessão, apenas para dificultar e
tentar barrar os avanços conquistados na construção do parecer da PEC do fim da
escala 6x1”, conta. “Nesse sentido, o trabalho do presidente na comissão,
deputado Alencar Santana (PT-BA), foi e está sendo fundamental na condução do
PEC pela redução da jornada, que é defendida por mais de 70% da população
brasileira, por entender que o modelo atual é exaustivo e prejudica nossa
qualidade de vida”, completa.
“Essa mobilização precisa continuar crescendo em todo o
país, porque a decisão agora está nas mãos do Congresso Nacional.
Diferentemente de uma lei ordinária, a PEC não pode ser vetada pelo presidente
da República após sua aprovação. Ou seja, cabe aos deputados e senadores
assumirem o compromisso com a classe trabalhadora e aprovarem uma proposta que
represente, de fato, avanço social. O fim da escala 6x1 é uma pauta urgente,
que dialoga diretamente com saúde física, saúde mental, convivência familiar e
qualidade de vida. Não é admissível que, em pleno 2026, milhões de
trabalhadores ainda sejam submetidos a rotinas tão desgastantes. Defendemos de
forma firme a garantia de dois dias de descanso semanal, a redução da jornada
para 40 horas e a manutenção dos salários sem qualquer perda remuneratória.
Esses pontos são essenciais e não podem ser flexibilizados”, destaca o
presidente do SINTRAFI Barretos e região, Marcelo Martins.
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos