Cabesp: entidades alertam para riscos em proposta de reforma estatutária e orientam voto “não” em AGE
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro
(Contraf-CUT), a Afubesp, entidades representativas dos banespianos, o
Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Barretos e região (SINTRAFI)
e demais sindicatos orientam os associados da Cabesp a rejeitarem a
proposta de reforma estatutária que será votada na Assembleia Geral
Extraordinária (AGE) convocada pela entidade para o dia 19 de junho, em formato
híbrido.
A assembleia foi convocada oficialmente após a publicação de edital no Diário
Oficial da União, no último dia 20 de maio. O argumento utilizado pela Cabesp é
a necessidade de adequação à Resolução Normativa nº 649/2025 da Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que estabelece novas regras de governança
para os planos de autogestão e passa a exigir, entre outras medidas, a criação
de um Conselho Deliberativo.
As entidades reconhecem que a adequação à normativa da ANS é necessária. No
entanto, alertam que a proposta apresentada pela Cabesp vai além das exigências
regulatórias e pode representar uma ameaça aos direitos históricos dos
associados e à própria estrutura democrática construída pelos banespianos ao
longo de quase 60 anos.
O principal ponto de preocupação está na possibilidade de que temas
estratégicos e sensíveis, como eventual retirada de patrocínio, possam ser
decididos exclusivamente pelo novo Conselho Deliberativo, inclusive com voto de
minerva da presidência.
Para a representação dos trabalhadores, essa redação enfraquece o papel
soberano da Assembleia Geral e reduz a participação dos beneficiários em
decisões fundamentais para o futuro da assistência médica dos banespianos.
A estrutura atual da Cabesp já conta com forte participação dos associados, com
representantes eleitos na diretoria executiva e no Conselho Fiscal, além da
Assembleia Geral como instância máxima de deliberação. Na avaliação das
entidades, qualquer mudança estrutural precisa ser amplamente debatida e
garantir preservação dos direitos históricos dos participantes.
A presidenta da Afubesp, Maria Rosani, destaca que a defesa da Cabesp está
diretamente ligada à preservação de um modelo construído pelos próprios
trabalhadores do Banespa. “Somos 47 mil vidas que merecem respeito e dependem
da assistência médica oferecida pela Cabesp. Por isso, reivindicamos a criação
de um grupo de trabalho paritário para estudar a norma e apresentar proposta de
alteração do Estatuto sem retirada de direitos e sem voto de desempate em temas
tão delicados”, afirmou.
A secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e diretora financeira da
Afubesp, Rita Berlofa, reforçou a importância da mobilização dos associados na
AGE e criticou a tentativa de utilizar a adequação regulatória para promover
mudanças consideradas prejudiciais aos beneficiários.
“A adequação à resolução da ANS não pode servir de pretexto para reduzir
direitos históricos dos banespianos e enfraquecer a participação democrática
dos associados nas decisões da Cabesp. O que está em jogo é a preservação de um
modelo de autogestão construído pelos trabalhadores, com participação ativa dos
beneficiários e compromisso de assistência vitalícia. Por isso, a orientação
das entidades é votar ‘não’ à proposta apresentada e exigir um debate
transparente, paritário e responsável sobre qualquer mudança estatutária”,
afirmou Rita.
As entidades também lembram que mais de 95% dos associados aposentados abriram
mão da multa de 40% do FGTS no momento do desligamento do Banespa justamente
para garantir o direito à assistência médica vitalícia nos moldes atuais, com
participação financeira da patrocinadora e dos associados.
A AGE será realizada presencialmente na Casa de Portugal, na Avenida Liberdade,
602, em São Paulo, com primeira chamada às 9h. Também haverá participação
virtual, por meio da plataforma Zoom, com acesso pelo portal da Cabesp. A
votação será eletrônica e ficará aberta até o dia 26 de junho, às 9h.
Diante da importância do tema, a Contraf-CUT, a Afubesp, o Sindicato e as
demais entidades reforçam o chamado para ampla participação dos associados na
assembleia.
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
