Projeto do governo federal propõe redução da jornada de trabalho e reforça debate sobre fim da escala 6x1

 

O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 ganhou força no Congresso Nacional nas últimas semanas. Um projeto apresentado pelo governo federal e outras propostas em tramitação na Câmara dos Deputados apontam para mudanças importantes na organização do tempo de trabalho no Brasil – tema acompanhado de perto pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Entre as iniciativas está o Projeto de Lei nº 1838/2026, enviado na última terça-feira (14) pelo governo federal ao Congresso, que estabelece a redução da jornada para o máximo de 40 horas semanais e garante dois dias de descanso semanal remunerado aos trabalhadores.

A proposta altera diversos dispositivos da legislação trabalhista para adequar o limite semanal de trabalho e ampliar o período de descanso, enfrentando distorções históricas na organização da jornada, especialmente aquelas relacionadas à escala 6x1 – regime em que o trabalhador atua seis dias seguidos para ter apenas um dia de descanso.

De acordo com a exposição de motivos do projeto, jornadas prolongadas e descanso insuficiente estão associados ao aumento de adoecimentos, acidentes e afastamentos do trabalho, além de impactarem negativamente a qualidade de vida e a produtividade.

O texto também estabelece que a redução da jornada não poderá implicar diminuição salarial, preservando pisos e remunerações já existentes.

Movimento sindical acompanha debate no Congresso

A discussão sobre a reorganização da jornada de trabalho ocorre em um contexto de transformações profundas no mundo do trabalho, marcadas pela digitalização da economia, novas formas de contratação e pela expansão de setores como as plataformas digitais e as fintechs.

Para o secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT, Jeferson Meira, o Jefão, o debate sobre redução da jornada representa um passo importante para modernizar a legislação trabalhista e melhorar as condições de vida da classe trabalhadora.

“Esse debate é fundamental porque trata diretamente da qualidade de vida da classe trabalhadora. Reduzir a jornada e ampliar o tempo de descanso é uma medida que melhora a saúde física e mental dos trabalhadores e contribui para relações de trabalho mais equilibradas”, afirmou.

Para a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Brasil, Juvandia Moreira, o Congresso Nacional tem a oportunidade de avançar em uma agenda que responda às mudanças do mundo do trabalho sem permitir retrocessos sociais.

“Estamos vivendo uma transformação muito grande nas formas de trabalho. O desafio é garantir que inovação tecnológica e crescimento econômico caminhem junto com direitos, proteção social e valorização do trabalho”, ressaltou.

Participe da enquete da Câmara

A Câmara dos Deputados abriu uma enquete pública para que a população possa opinar sobre o Projeto de Lei 1838/2026, que trata da redução da jornada semanal de trabalho.

A Contraf-CUT e o SINTRAFI orientam trabalhadores e trabalhadoras a participarem da consulta pública, dizendo que concordam totalmente com a proposta.

Participe da enquete da Câmara e manifeste seu apoio à redução da jornada de trabalho:

“A participação da população é essencial para mostrar aos parlamentares que existe, sim, apoio social à redução da jornada e ao fim de modelos de trabalho que adoecem e retiram qualidade de vida dos trabalhadores. A redução da jornada sem redução salarial também é pauta do nosso Sindicato, porque defendemos que todo trabalhador e toda trabalhadora têm direito a uma vida digna, com tempo para a família, o descanso, o estudo e o lazer... e não apenas para sobreviver ao trabalho”, destacou o presidente do SINTRAFI Barretos e região, Marcelo Martins.

“Essa luta, inclusive, não é nova para a categoria bancária. Já enfrentamos tentativas de retirar direitos e avançar sobre nossos finais de semana, como ocorreu com a imposição do Santander, que só foi barrada graças à força e à mobilização do movimento sindical. Por isso, reforçamos: é com organização, participação e pressão social que avançamos. A luta por qualidade de vida e trabalho digno é de todos nós!”, reforçou Marcelo.

Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos