A política do Itaú de fechamento de agências e corte de
empregos bancários vem impactando não apenas clientes, a população e o comércio
local, mas também os trabalhadores que permanecem nas unidades abertas. Com a
redução do quadro e a ausência de reposição, esses profissionais passam a
absorver a demanda das agências encerradas, o que tem provocado sobrecarga e
adoecimento.
Segundo avaliação sindical, desde a implementação da segmentação na diretoria
comercial, o cenário nas agências físicas se agravou significativamente. A
falta de contratações e reposições tem intensificado a pressão sobre as
equipes, especialmente nas unidades localizadas em regiões periféricas. A
situação se torna ainda mais crítica quando há afastamentos ou ausências de
funcionários, tornando o ambiente de trabalho insustentável e prejudicial à
saúde dos bancários.
Também é apontado que, embora a efetivação de estagiários represente uma
oportunidade importante para a inserção de jovens no mercado de trabalho, a
destinação desses profissionais exclusivamente para agências digitais não
contribui para aliviar o déficit de pessoal nas unidades físicas, que enfrentam
quadro reduzido.
Relatos de trabalhadores indicam que há cerca de um ano não ocorrem
contratações para cargos de Agentes de Negócios (AN), nem reposições adequadas
em funções de gestão. Em casos de afastamento de gerentes, as agências podem
permanecer longos períodos sem substituição, dependendo do fechamento de outras
unidades para realocação de funcionários. Além disso, há indícios de que nem
mesmo processos seletivos internos estão sendo liberados, o que agrava ainda
mais a sobrecarga nas agências que permanecem em funcionamento.
O banco fechou 319 agências físicas em 2025 e anunciou o encerramento de outras
188 até maio deste ano, aprofundando o processo de redução da rede presencial.
Paralelamente, trabalhadores têm sido orientados a direcionar clientes para o
autoatendimento, havendo unidades que já não utilizam mais os caixas
tradicionais, restringindo o atendimento às mesas e canais digitais, o que é
visto como um desmonte do serviço bancário presencial.
Na avaliação do diretor do Sindicato dos Trabalhadores do
Ramo Financeiro de Barretos e região, Marco Antonio Pereira, é fundamental
barrar o processo de desmonte conduzido pelo banco e exigir responsabilidade
diante dos impactos causados à sociedade e aos trabalhadores.
“Não é aceitável fechar agências, demitir e manter unidades
funcionando com equipes enxutas e sobrecarregadas enquanto o Itaú registra
lucros bilionários. Trata-se de um banco que exerce um papel público relevante
e que deveria garantir atendimento de qualidade e condições dignas de trabalho.
O que vemos hoje é o oposto: precarização, pressão e abandono. É urgente a
recomposição do quadro de funcionários, respeito aos bancários e compromisso
efetivo com a população”, afirma.
No cenário mais amplo, entre 2015 e 2025, os bancos
fecharam, em média, 45 agências por mês. Como consequência desse processo de
desbancarização, 638 municípios ficaram sem atendimento bancário, deixando
cerca de 6,9 milhões de pessoas desassistidas.
Diante desse quadro, o SINTRAFI Barretos e região reforça a importância da mobilização da categoria
e da sociedade, convidando todos a participarem da campanha do Seeb/SP, “Eu
quero mais agências”, por meio de abaixo-assinado que reivindica a ampliação da
rede de atendimento bancário no país.
Fonte: Seeb/SP, com edição de SINTRAFI Barretos