Reorganização sindical e comunicação estratégica marcaram último painel do sábado (28) no 7º Congresso da Contraf-CUT
A necessidade de reorganização do movimento sindical diante
das profundas mudanças no setor financeiro e o uso estratégico da comunicação
para ampliar o alcance da mobilização coletiva foram os temas centrais do
último painel do sábado (28), durante o 7º Congresso Nacional da Contraf-CUT
— Organizar, defender e avançar: o futuro é nosso!
A mesa foi coordenada pela secretária de Relações Internacionais da
Contraf-CUT, Rita Berlofa, e contou com a participação do secretário de
Comunicação da entidade, Elias Jordão, da secretária da Juventude, Bianca
Garbelini, e do secretário da Cultura, Carlos Damarindo, reunindo pesquisadores
e dirigentes sindicais para discutir os desafios da organização da categoria em
um cenário marcado pela digitalização, pela dispersão dos trabalhadores e pela
reconfiguração do mercado financeiro.
Fragmentação do setor exige nova organização sindical
Responsável pela apresentação do mapeamento do ramo
financeiro, a economista Vivian Machado, mestre em Economia Política pela
PUC-SP e técnica do Dieese, destacou que o processo de transformação do setor
não ocorre de forma homogênea no país. Segundo ela, a redução de agências
bancárias e de vínculos tradicionais da categoria ocorre paralelamente ao
crescimento de empregos em outras áreas do sistema financeiro.
“Entender as nuances regionais é fundamental para aumentar a eficiência das
ações do movimento sindical, tanto para proteger o emprego bancário quanto para
expandir a base de representação e levar as conquistas históricas da categoria
para outros segmentos do ramo financeiro”, afirmou.
Com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério
do Trabalho, a pesquisadora mostrou que, entre 2012 e 2024, algumas federações
registraram quedas de até 40%, 33% e 31% no emprego bancário, enquanto outras
tiveram reduções menores, entre 6% e 9%. Ao mesmo tempo, regiões do país
passaram a concentrar a abertura de postos de trabalho em cooperativas de
crédito, seguradoras e administradoras de cartão.
“Hoje existem federações em que o número de trabalhadores de outras categorias
do ramo já supera significativamente o de bancários”, explicou Vivian.
Para a economista, o cenário confirma a importância da decisão tomada há duas
décadas, quando a antiga Confederação Nacional dos Bancários (CNB) foi
transformada na Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do
Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
“Essa mudança faz parte de um processo contínuo de reestruturação sindical para
enfrentar a fragmentação do setor, impulsionada tanto pelos avanços
tecnológicos quanto pelo dumping social do trabalho, quando bancos transferem
atividades típicas bancárias para empresas com salários e direitos inferiores”,
avaliou.
Da rua às redes: a nova mobilização bancária
Na sequência do painel, a presidenta do Sindicato dos Bancários
e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, abordou a
transformação histórica das formas de mobilização da categoria bancária.
Ela relembrou que o movimento sindical construiu sua força nas grandes greves
entre as décadas de 1970 e 1990, período marcado pela fundação da CUT,
mobilizações massivas e conquistas estruturantes, como a Convenção Coletiva de
Trabalho nacional de 1992.
Naquele período, a organização dependia do contato direto nas agências, da
distribuição de boletins impressos e das grandes assembleias presenciais. Com a
automação bancária, o fechamento de unidades físicas e a expansão do home
office — intensificada após a pandemia —, o perfil da categoria mudou
profundamente.
“O panfleto virou post, a passeata virou tuitaço e as assembleias passaram a
acontecer também no ambiente virtual”, destacou a dirigente ao apresentar
exemplos recentes de mobilizações digitais que ampliaram a visibilidade
nacional das pautas dos bancários.
Apesar do avanço tecnológico, Neiva ressaltou que o movimento sindical enfrenta
um novo paradoxo: possuir mais ferramentas de comunicação, mas lidar com maior
dispersão da atenção e participação dos trabalhadores.
“Mais tecnologia não significa automaticamente mais mobilização. O desafio é
transformar alcance digital em organização coletiva real”, afirmou.
A dirigente destacou ainda o uso crescente de inteligência de dados, pesquisas
permanentes com a base e sistemas próprios de relacionamento sindical, além da
utilização de canais diretos como WhatsApp e Telegram para fortalecer o vínculo
contínuo com os trabalhadores. Segundo ela, as redes sociais também são espaços
de organização política e construção de proximidade com a categoria.
“Rede
social é relacionamento. É falar com quem está longe como se estivesse perto.
Tudo o que fazemos é política. Quando usamos as redes para mostrar nosso
trabalho e demonstrar a importância da organização sindical, conseguimos
ampliar resultados e avançar nos nossos objetivos”, afirmou. “Para a gente
avançar, nós precisamos aperfeiçoar nossas habilidades de relacionamentos”,
finalizou.
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
