Erro da Caixa prejudica eleição para Conselheira: votação será retomada na sexta (6) e terá continuidade na segunda-feira (9)
O processo para a eleição da representante dos trabalhadores
no Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal começou
na quarta-feira (4) com um erro grave cometido pelo banco. Logo no
primeiro dia de votação, foi identificado que novos empregados não estavam
conseguindo votar e aposentados sim. O banco estava usando a lista defasada do
quadro de empregados.
Diante da falha, as duas maiores entidades de representação e associativa dos
empregados, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro
(Contraf-CUT) e a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa
Econômica Federal (Fenae) - representando o Sindicato - aguardam
comunicado oficial dizendo que o processo foi suspenso e a participação de 15
mil empregadas e empregadas que registraram seus votos nesta quarta pode ser
anulada.
Para a representação dos empregados, o problema é grave e levanta
questionamentos sobre a condução do processo eleitoral pelo banco e
possibilidade de desgaste do processo devido ao descaso com a participação dos
trabalhadores ou de qualquer outro tipo de situação que tenha interferido em
algum nível o processo eleitoral.
“Caso seja apenas desorganização ou desatenção, o episódio revelaria falta de
respeito com os empregados e com a própria eleição. Por outro lado, se houver
qualquer outro fator, isso representaria uma ameaça à autonomia da
representação dos trabalhadores no Conselho de Administração”, observa o
presidente da Fenae, Sergio Takemoto.
“Um processo eleitoral desta imensidão, não pode ser tratado com tamanho
desdém. Sequer houve um comunicado oficial sobre como ficará a participação dos
colegas. Todos que já haviam votado precisarão votar novamente? Não sabemos,
pois tecnicamente, é possível desconsiderar apenas os votos registrados
indevidamente”, observou o diretor da Contraf-CUT, Rafael de Castro. “Se não é
desdém, o que pode ser? A quem interessa esse tipo de situação na escolha de
representante dos empregados? Ficam muitas dúvidas. Inclusive se há algum
interesse de restringir a atuação da nossa representante?”, ressaltou o
dirigente da Contraf-CUT.
“Seja como for, devemos aguardar o comunicado oficial que precisa ser passado
pela comissão eleitoral. Mas o que podemos cravar é que o que vimos durante
essa quarta feira foi a vontade de todos em votarem na Fabi para fortalecer a
nossa representante perante a direção do banco”, completou Rafael.
Prejuízo ao processo democrático
O movimento sindical bancário realiza uma intensa campanha de mobilização para
ampliar a participação dos trabalhadores na eleição e fortalecer a atuação da
representante dos empregados no Conselho de Administração.
“A suspensão do processo pode afetar a credibilidade da eleição e a
participação no processo democrático de escolha da representação dos
trabalhadores. Mas não podemos deixar que esta confusão da Caixa nos
desmobilize. Se conquistamos 15 mil votos nesta quarta-feira, temos que fazer
com que estes 15 mil se multipliquem e a Fabi tenha 30 mil ou mais a cada dia
de votação quando o processo for retomado”, disse o coordenador da Comissão
Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe Pacheco.
A eleição para o Conselho de Administração é considerada estratégica porque
garante a presença de uma representante dos empregados no principal órgão de
decisão do banco. O colegiado é responsável por deliberar sobre temas
estratégicos da instituição, incluindo políticas corporativas, governança e
decisões estruturais da empresa.
A legislação que permitiu a presença de trabalhadores nos conselhos de empresas
públicas foi estabelecida pela Lei nº 12.353/2010, que determina a participação
de representantes eleitos pelos empregados nos conselhos de administração das
empresas públicas federais. Na Caixa, o conselho é composto por oito
integrantes, sendo apenas um representante eleito pelos empregados, o que torna
o processo eleitoral ainda mais relevante para garantir transparência e
fiscalização das decisões do banco.
Entidades cobram explicações da Caixa
Diante da gravidade da situação, as entidades defendem que a Caixa apresente
explicações públicas sobre o ocorrido e esclareça quais medidas serão adotadas
para evitar novos problemas e apresentam importantes questionamentos:
• Como um erro desse tipo ocorre em um processo eleitoral
deste tamanho?
• Houve falha técnica, erro na elaboração da lista de
votantes, ou apenas desdém com o processo?
• Que medidas serão tomadas para garantir a integridade do
processo?
Importância da representação dos empregados
A representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Caixa, Fabi
Uehara, tem levado ao colegiado temas que afetam diretamente o cotidiano dos
empregados e o papel público do banco. Nos últimos anos, ela ampliou os debates
sobre condições de trabalho, políticas de pessoal e a defesa da Caixa como
banco público.
Por isso, para as entidades, garantir um processo eleitoral transparente,
seguro e democrático é fundamental para a legitimidade da representação.
Pouco antes de publicarmos este texto, a Caixa soltou um Comunicado informando
do grave erro cometido pelo banco no processo de votação para a eleição da
representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Caixa Econômica
Federal, que havia começado na quarta-feira (4).
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
