Crédito do Trabalhador supera R$ 117 bilhões em um ano e amplia acesso, mas juros elevados ainda preocupam
O Programa Crédito do Trabalhador completa um ano
consolidando resultados expressivos. Desde o lançamento, em março de 2025, até
o último dia 17, já foram movimentados R$ 117,1 bilhões em empréstimos,
beneficiando milhões de trabalhadores em todo o país.
No período de 21 de março a 31 de dezembro de 2025, foram contratados R$ 94,2
bilhões, incluindo operações por tombamento. Já entre janeiro e 17 de março
deste ano, a plataforma do Crédito do Trabalhador registrou R$ 26,3 bilhões em
empréstimos concedidos aos trabalhadores.
Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o programa desempenhou
um papel fundamental na inclusão financeira de trabalhadores que antes não
tinham acesso a linhas formais de crédito. “O Crédito do Trabalhador permitiu
que pessoas que antes recorriam apenas a agiotas tivessem acesso a empréstimos
seguros. Além disso, possibilitou que outros saíssem do cheque especial ou
quitassem o Crédito Direto ao Consumidor (CDC), muitas vezes com juros
elevados”, destacou.
“O Crédito do Trabalhador se consolida como uma das principais políticas de
ampliação do acesso ao crédito no país. Ao mesmo tempo, o governo segue
aprimorando o programa, com foco na redução de juros, na inclusão de garantias
e no fortalecimento da proteção aos trabalhadores”, acrescentou o ministro.
No total, foram registrados 20.942.414 contratos, beneficiando 9.474.437
trabalhadores, com valor médio de R$ 12.359,92 por pessoa. Um dado relevante é
que mais de R$ 33,2 bilhões foram destinados a trabalhadores que recebem entre
um e quatro salários mínimos, reforçando o caráter social do programa ao
ampliar o acesso ao crédito para a população de menor renda. Janeiro de 2026
marcou o maior volume de contratações desde o lançamento da plataforma, com R$
13,1 bilhões em empréstimos concedidos diretamente aos trabalhadores.
Segundo o ministro Luiz Marinho, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
acompanha de perto a implementação do programa, com atenção especial às taxas
de juros e à prevenção de práticas abusivas por parte de algumas instituições
financeiras. Atualmente, a taxa média de juros mensal é de 3,67%, valor
considerado inferior ao praticado em outras modalidades de crédito, como cartão
de crédito e Crédito Direto ao Consumidor (CDC).
Os juros estarão entre os principais temas da próxima reunião do Comitê Gestor
do Crédito do Trabalhador, marcada para o dia 26 de março, com a participação
do MTE, da Casa Civil e do Ministério da Fazenda. Entre os pontos em pauta está
uma proposta para coibir abusos nas taxas de juros, com o objetivo de assegurar
que o programa continue oferecendo crédito mais acessível aos trabalhadores
brasileiros.
Outra proposta que pode ajudar a reduzir as taxas de juros é a utilização de
garantias, como até 10% do FGTS e 40% da multa rescisória. A expectativa é que
essa iniciativa seja implementada ainda neste semestre, com regras específicas
definindo seu funcionamento.
Os números reforçam o crescimento acelerado da modalidade. Antes do programa, a
média mensal de concessões do consignado privado era de cerca de R$ 1,6 bilhão.
Após a implementação, esse valor saltou para aproximadamente R$ 5,8 bilhões —
um aumento de 263%, segundo dados do Banco Central.
Outro indicador relevante é a inadimplência. Após registrar alta entre 2022 e
2024, o índice passou a cair de forma consistente com a expansão do programa,
sinalizando maior estabilidade nas operações.
Apesar dos avanços, o crescimento do crédito também trouxe um ponto de atenção
importante: as taxas de juros.
Embora a média esteja abaixo de outras modalidades, análises mostram uma grande
discrepância entre os juros cobrados pelas instituições financeiras. Em alguns
casos, há indícios de cobrança de taxas abusivas.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos, Gustavo Cavarzan, explica que parte dessa diferença é
esperada, mas não justifica os extremos observados. “É natural que as taxas no
setor privado sejam maiores, já que a garantia está vinculada a contratos de
trabalho com maior rotatividade. Diferentemente do setor público, que tem
estabilidade, ou do INSS, onde o risco é menor, o crédito privado carrega mais
incerteza. Ainda assim, o que chama atenção é a enorme discrepância de juros
entre as instituições financeiras”, afirma.
Segundo ele, esse cenário evidencia a necessidade de maior regulação. “A
ausência de um teto de juros, como existe no consignado do INSS, abre espaço
para que algumas instituições pratiquem taxas abusivas”, completa.
Diante desse cenário, cresce a necessidade de mecanismos mais eficazes de
regulação e transparência, para garantir que o programa continue cumprindo seu
papel de ampliar o acesso ao crédito sem penalizar os trabalhadores com custos
excessivos.
Após um ano de expansão, o Crédito do Trabalhador se consolida como uma
política relevante de inclusão financeira. O desafio agora é avançar na redução
das taxas e no combate aos abusos, garantindo que o crédito acessível também
seja justo.
Fonte: Contraf-CUT
