COE Bradesco debate PPR, educação e condições de trabalho em reunião com o banco
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco
se reuniu com a direção do banco na última sexta-feira, 20 de março, para
discutir uma série de temas de interesse dos trabalhadores, com destaque para o
Programa de Participação nos Resultados (PPR), iniciativas de qualificação
profissional e questões relacionadas às condições de trabalho.
Um dos principais pontos da reunião foi o debate sobre o programa de PPR
“Supera”. A COE iniciou a discussão sobre a ampliação do programa, com a
possibilidade de inclusão de novas áreas — Atacado, Wealth, Tesouraria e
Pesquisa Econômica. Também foram tratadas questões relacionadas à renovação do
acordo, assinado no ano passado.
Entre as reivindicações do movimento sindical estão o aumento do valor fixo do
PRB (Programa de Remuneração Bradesco, criado em 2025 e atrelado ao novo PPR
"Supera"), a redução do percentual de ROAE (Retorno sobre o
Patrimônio Líquido) exigido para o pagamento do PRB e a inclusão das bancárias
em licença-maternidade no recebimento do “Supera”. Além disso, foram levantadas
preocupações sobre o cumprimento de metas, o esvaziamento de carteiras e a
transparência no acompanhamento do desempenho individual. O banco se
comprometeu a analisar os pontos apresentados e dar retorno à comissão.
Outro tema abordado foi a plataforma “Único Skill”, relacionada ao auxílio
educação. A COE questionou o banco sobre informações divulgadas na mídia, e o
Bradesco esclareceu que se trata de um projeto piloto iniciado em dezembro de
2025, com duração prevista até junho de 2026. A iniciativa oferece bolsas de
estudo para cerca de 5 mil trabalhadores, sendo 2 mil da rede e 1,3 mil da área
de tecnologia. Caso os resultados sejam positivos, o banco afirmou que poderá
discutir a ampliação do programa com a comissão, inclusive com a possibilidade
de inclusão em acordo coletivo.
A comissão também manifestou preocupação com a dispensa do controle de ponto
eletrônico para um grupo específico de trabalhadores: os ocupantes do cargo de
Gerente de Relacionamento Empresas, sob a justificativa de realização de
trabalho externo. Para a COE, a medida é insegura e pode abrir margem para
irregularidades. Com a implementação de um novo sistema que permite o registro
de jornada via notebook, a representação dos trabalhadores solicitou a revisão
da decisão. O banco informou que está avaliando o pedido.
Durante a reunião, a COE ainda questionou o Bradesco sobre notícias
relacionadas a mudanças no conglomerado de saúde do banco. A instituição
esclareceu que as alterações não impactam os funcionários, seus benefícios ou a
apólice da Bradesco Saúde, que permanecem inalterados.
Segundo o banco, houve uma reorganização estrutural com a consolidação dos
negócios de saúde sob a Odontoprev, que passará a atuar como uma holding, sob o
nome BradSaúde. A proposta é simplificar a gestão, aumentar a eficiência e
criar um ecossistema integrado, reunindo operadoras de planos, hospitais,
laboratórios e plataformas tecnológicas.
Para a coordenadora da COE Bradesco, Erica de Oliveira, o encontro foi
importante para reforçar as pautas prioritárias da categoria. “Seguimos
cobrando avanços concretos do banco, especialmente em temas que impactam
diretamente a vida dos trabalhadores, como remuneração, condições de trabalho e
acesso à qualificação. Vimos com muito espanto a questão da Único Skill, pois o
pagamento do auxílio educação é uma das nossas bandeiras de luta mais antigas,
da qual nunca abrimos mão. E queremos participar de todas as etapas desse
processo”, destacou.
Fonte: Contraf-CUT
