CEE e Caixa debatem melhorias no canal de atendimento às vítimas de violência doméstica
A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa se reuniu
na segunda-feira (31) com a direção do banco, por videoconferência, para
discutir políticas de combate à violência contra mulheres, casos de assédio no
ambiente de trabalho e outras demandas da categoria. A reunião ocorreu após
cobrança da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro
(Contraf-CUT) para que a Caixa apresentasse dados sobre o canal de atendimento
às empregadas vítimas de violência doméstica, conforme previsto na Convenção
Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários.
Na Caixa, o canal de apoio recebe o nome de Acolhe, voltado
ao atendimento de empregadas em situação de violência doméstica e familiar.
Durante a reunião, o banco apresentou dados sobre o funcionamento da
ferramenta. Segundo as informações apresentadas, o canal registrou 102
acionamentos em 2025, dos quais 25 resultaram na adesão à jornada de
acolhimento e 12 levaram à aplicação de medidas protetivas.
A CEE também cobrou informações sobre o Diálogo Seguro,
canal destinado ao acolhimento e orientação de trabalhadores em casos de
assédio moral, assédio sexual ou discriminação no ambiente de trabalho.
Para a representante da Federação Nacional dos Trabalhadores
do Ramo Financeiro (Fetrafi/NE), Cândida Fernandes (Chay), a discussão é
fundamental diante da gravidade do tema no país. “Infelizmente vivemos em um
país que ocupa uma posição vergonhosa no ranking de violência contra mulheres.
Debater esse tema nas mesas de negociação é fundamental para que possamos
avançar em políticas efetivas de proteção e acolhimento às trabalhadoras”,
afirmou.
Ampliação da divulgação dos canais
Os representantes dos empregados reconheceram a importância
dos canais apresentados, mas reforçaram a necessidade de ampliar a divulgação
entre os trabalhadores.
A representante da Federação dos Bancários da CUT do Estado
de São Paulo (Fetec-CUT/SP), Luiza Hansen, destacou que muitas trabalhadoras
ainda desconhecem os mecanismos de apoio existentes. “É fundamental ampliar a
divulgação desses canais. Muitas colegas não sabem que têm esse suporte e
acabam enfrentando essas situações sozinhas. Quanto mais informação chegar à
base, maior será a possibilidade de acolhimento e proteção”, ressaltou.
A CEE reconheceu o trabalho que vem sendo realizado pela
Caixa, mas avalia que é preciso realizar algumas melhorias nas ferramentas
utilizadas e nas normas estabelecidas. “É preciso garantir que as empregadas
não serão prejudicadas”, disse a representante da Fetrafi/RS, Sabrina Muniz. “A
mulher já está passando por uma situação que é, muitas vezes, desesperadora, e
ela pode acabar optando por ser transferida, mesmo sem função, para fugir da
situação de risco. A Caixa precisa garantir que a mulher não seja ainda mais
prejudicada nesse processo de violência. Pra isso, o banco precisa melhorar a
norma estabelecida para que ela não seja, mais uma vez, prejudicada por causa
de uma violência que sofreu”, completou.
Durante a reunião, a CEE também reforçou a importância do
canal “Basta! Não Irão nos Calar”, mantido pela Contraf-CUT e por sindicatos da
categoria. O canal oferece acolhimento às mulheres vítimas de violência e pode
ser utilizado também por quem prefere não recorrer aos canais institucionais do
banco.
A ferramenta sindical oferece apoio psicológico e também
assessoria jurídica, algo que não é disponibilizado nos canais internos da
Caixa.
Para a representante da Fetec-CUT/PR, Samanta Almeida, a
existência de alternativas é fundamental para ampliar a rede de proteção. “O
canal Basta é um instrumento importante para as trabalhadoras que não se sentem
confortáveis em buscar apoio diretamente na empresa. Ele garante acolhimento e
também orientação jurídica, ajudando muitas mulheres a romper o ciclo da
violência”, explicou.
Veja como acessar os canais
Casos de violência e assédio no trabalho
A representante da Fetec-CUT/CN, Tatiana Oliveira, também
destacou a importância de acompanhar a efetividade dos canais e dos
procedimentos adotados pela empresa. “Precisamos conhecer os dados e entender
como esses casos estão sendo tratados na prática. Só assim conseguimos avaliar
a efetividade das políticas de enfrentamento à violência e ao assédio dentro do
banco”, afirmou.
Sabrina Muniz ressaltou a importância de transformar os
dados em políticas concretas de prevenção. “É importante termos transparência
sobre os casos e os encaminhamentos, porque essas informações ajudam a orientar
políticas de prevenção e conscientização dentro do banco”, disse.
Super Caixa segue sem solução
Outro tema debatido na reunião foi o pagamento da premiação
do Super Caixa. Muitos empregados relataram não ter recebido o benefício.
A Caixa informou que ainda existe um comitê analisando os
casos enviados pelas entidades e pelos próprios trabalhadores, e que as
situações seguem em avaliação.
A CEE afirmou que está disposta a discutir soluções para o
SuperCaixa 2025 e regras para o Super Caixa 2026, propondo a realização de uma
mesa específica sobre o tema até o dia 8 de abril. No entanto, em relação às
pendências referentes ao Super Caixa 2025, a representação dos trabalhadores
afirmou que irá mobilizar a categoria e adotar as medidas sindicais e outras
ações cabíveis.
“Desde o início, procuramos a Caixa para negociar o
regulamento. Como o banco se manteve intransigente, tentamos que as distorções
fossem corrigidas, o que a Caixa sinalizou que poderia fazer. Mas este ponto
acabou não avançando também. Por isso, nesta reunião deixamos claro para o
banco que vamos mobilizar as empregadas e empregados”, disse Luiza Hansen.
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ainda nesta semana no site do SINTRAFI
Vacinação e erro no Informe de Rendimentos
Os representantes dos empregados também cobraram informações
sobre o calendário de vacinação contra a gripe (Influenza) para os
trabalhadores da Caixa. Segundo o banco, o processo de contratação das empresas
responsáveis pela campanha está em fase final, com previsão de início até a
última semana de abril, podendo haver antecipação.
Outro tema tratado foi o erro no Informe de Rendimentos
utilizado na declaração do Imposto de Renda. A Caixa reconheceu que houve
inconsistências nos dados e informou que já comunicou os empregados sobre o
problema. No entanto, o banco afirmou que ainda não tem previsão de quando os
informes corrigidos serão disponibilizados e que avisará qa Contraf-CUT sobre a
solução do problema.
CEE cobra mais mesas de negociação
A CEE reforçou que esses temas impactam diretamente o
cotidiano dos trabalhadores e precisam avançar nas mesas de negociação com a
empresa.
Fonte: Contraf-CUT
