8 de Março: mulheres contra a violência, fim da escala 6x1 e por representação na política
Em 2026, o Mês Internacional da Mulher acontece no contexto
de que, de uma vez por todas, a violência contra a mulher tem que acabar. Com
índices de feminicídios crescentes não basta apenas o poder público ter
iniciativas, elaborar políticas públicas e planos de ação. É crucial que a
própria sociedade assuma a corresponsabilidade no combate a esse tipo de
violência: o parente próximo, o amigo, o vizinho, todos quem presenciam ou
desconfiam de abusos tem de agir para que os agressores sejam punidos.
“Não se trata de fazer justiça com as próprias mãos e sim de denunciar, acolher
a mulher, afastá-la, tirá-la do ambiente tóxico e violento em que eventualmente
viva. Quem tem conhecimento de todo e qualquer caso, deve denunciar, acolher,
proteger e encaminhar essa mulher para fora da situação de perigo”, diz a
secretária da Mulher Trabalhadora CUT, Amanda Corcino.
Entre as bandeiras de luta da CUT para o 8 de Março – Dia Internacional da
Mulher – além do fim da escala 6x1, da soberania dos povos e de uma maior
representação política feminina, está o fim do feminicídio.
“Neste 8 de Março estamos fazendo uma convocação definitiva à sociedade para
acabar com a violência gritante contra a mulher. Estamos também dando
visibilidade às nossas pautas – temas que são de urgência porque nos impactam
diretamente”, ressalta Amanda Corcino.
Alinhado a essa mobilização nacional, o SINTRAFI Barretos e região reafirma seu compromisso na defesa da vida das mulheres. "A luta contra a violência de gênero sempre fez parte da agenda da categoria bancária, que acumulou conquistas importantes nas mesas permanentes de negociação com os bancos. Como entidade comprometida com a cidadania e os direitos humanos, o Sindicato mantém essa pauta entre suas prioridades, defendendo ambientes de trabalho seguros e uma sociedade em que as mulheres possam viver com respeito, dignidade e sem violência", destaca o presidente da entidade, Marcelo Martins.
Ação
Março não pode ser um mês somente protocolar, diz Amanda, reafirmando um
chamado à consciência coletiva para uma realidade que não pode ser tratada como
rotina. O Brasil fechou 2025 com cerca de 1.470 feminicídios - média de quatro
mulheres assassinadas por dia. Mais de 1 milhão de novos processos de violência
doméstica ingressaram no Judiciário. A Pesquisa Nacional de Violência contra a
Mulher aponta que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou
familiar no último ano. Em 71% dos casos havia crianças presentes. A casa segue
como o principal local da violência.
“Esses números não podem somente ser vistos com uma estatística. São vidas
interrompidas, famílias devastadas e uma sociedade que ainda reage com lentidão
diante do que deveria ser intolerável”, diz Amanda Corcino.
Por isso, ela diz, é preciso uma mudança profunda na forma como a sociedade
encara o problema.
Poder público
Recentemente, a CUT participou do lançamento do Pacto Nacional Brasil de
Enfrentamento ao Feminicídio, que reúne Executivo, Legislativo e Judiciário
para integrar ações de prevenção, proteção e responsabilização. A central
afirma que acompanhará a implementação das medidas para garantir que tenham
efetividade concreta na vida das mulheres.
“O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio é um marco importantíssimo no
combate à violência contra mulheres e meninas, porque reconhece que a violência
contra a mulher no Brasil é estrutural. Para combatê-la, precisamos de ações
integradas, de mobilização social e de políticas que promovam a prevenção, o
debate sobre justiça de gênero, a valorização das mulheres, o direito a uma
vida sem violência e a punição célere para os agressores”, afirma.
Ela reforça que o enfrentamento exige envolvimento direto dos homens. “São eles
que nos agridem, nos violam e nos matam todos os dias. Só uma sociedade unida e
consciente pode colocar fim a essa escalada do feminicídio no nosso país”.
Mas o chamado vai além das instituições. Casos brutais registrados recentemente
revelam a face extrema de um ciclo que quase sempre começa com agressões
anteriores, ameaças, controle e silenciamentos. Mesmo com medidas protetivas,
mulheres continuam sendo assassinadas. Em muitos casos, elas já haviam
denunciado e pedido ajuda anteriormente. É fundamental que os serviços públicos
funcionem com rapidez e que a rede de acolhimento esteja preparada. E é
igualmente essencial que a sociedade não se omita.
Em caso de ameaça ou violência, a orientação é buscar ajuda imediata pelo Ligue
180 (Central de Atendimento à Mulher, 24 horas, anônimo) ou, em situação de
emergência, pelo 190. Deve-se registrar Boletim de Ocorrência em Delegacia
Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), presencialmente ou online, e
solicitar Medidas Protetivas de Urgência. Não é necessário provar a violência:
o relato é suficiente para que as investigações e mecanismos de proteção sejam
acionados. Guardar mensagens, áudios, vídeos e listar testemunhas fortalece o
processo. CREAS e a Casa da Mulher Brasileira oferecem apoio psicológico e
jurídico. Em situação de risco elevado, é indicado preparar um plano de
segurança.
Pelo Direito à Vida e Combate ao Feminicídio
O primeiro eixo de mobilização da CUT neste março é direto: defender a vida das
mulheres. A central denuncia que 2025 foi o ano mais letal desde que o
feminicídio foi tipificado, em 2015. Destaca também que a impunidade e a
desigualdade econômica dificultam o enfrentamento da violência e que o assédio
moral e sexual no trabalho empurra muitas mulheres para o adoecimento ou para o
desemprego.
Pautas do 8 de Março:
Além da luta contra a barbárie vitima mulheres, ao longo de março, a CUT e
sindicatos filiados promoverão seminários, rodas de conversa, atos públicos,
debates em locais de trabalho e campanhas de conscientização para ampliar
informação e fortalecer redes de proteção, com as seguintes pautas.
- Mais Mulheres na Política
Um dos eixos centrais é a ampliação da representação feminina nos espaços de
poder. Embora as mulheres sejam 52% do eleitorado brasileiro, ocupam cerca de
18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e menos de 20% no Senado. O país
aparece na 133ª posição no ranking global de representação parlamentar
feminina.
Para a CUT, não basta aumentar numericamente a presença de mulheres: é
fundamental fortalecer a eleição de mulheres comprometidas com pautas
progressistas, com a defesa da autonomia, da igualdade e da proteção social. A
presença feminina nos espaços de decisão impacta diretamente na elaboração de
políticas públicas de proteção e promoção de direitos.
- Fim da Escala 6x1 e Justiça no Mundo do Trabalho
A luta pelo fim da escala 6x1 ganha centralidade neste 8 de Março e no Mês
Internacional da Mulher. Para elas, o impacto da jornada exaustiva é ampliado
pela dupla ou tripla jornada. Enquanto homens dedicam em média 11,7 horas
semanais ao trabalho doméstico, mulheres dedicam 21,3 horas. Entre mulheres
pretas e pardas, a carga é ainda maior.
Amanda destaca que a desigualdade no mundo do trabalho dialoga diretamente com
a violência estrutural. “Quando falamos de trabalho, de independência econômica
e do direito de as mulheres ocuparem seu espaço no mundo do trabalho, sabemos
que isso desperta reações violentas. Por isso, a CUT reúne todas essas lutas em
defesa da vida, da existência e das condições dignas de trabalho das mulheres”,
afirma.
Portanto, reduzir a jornada sem redução salarial significa garantir tempo para
descanso, estudo, convivência e participação política, direitos historicamente
negados às mulheres.
- Soberania dos povos
Quando a soberania é atacada e a democracia enfraquece, os impactos não são
iguais para todos. Eles atingem primeiro e com mais força quem já ocupa
posições mais vulneráveis na estrutura social e, historicamente, as mulheres
estão nesse lugar.
Em cenários de crise democrática, políticas públicas de proteção social são
enfraquecidas, direitos são relativizados e agendas conservadoras ganham
espaço. Como as mulheres dependem mais dos serviços públicos e também carregam
maior responsabilidade pelo cuidado de crianças, idosos e familiares, qualquer
corte ou desmonte do Estado amplia sua sobrecarga física, mental e econômica.
Além disso, mulheres estão mais presentes em empregos precarizados e informais.
Em crises, são as primeiras a perder renda ou ter seus direitos reduzidos. E em
contextos autoritários, há maior controle sobre seus corpos, maior perseguição
a lideranças femininas e enfraquecimento das políticas de enfrentamento à
violência.
- Corresponsabilidade no Trabalho de Cuidados e Soberania
A discussão sobre a realidade das mulheres tem outro ponto fundamental: a
corresponsabilidade no trabalho de cuidados. O cuidado não pode ser uma
obrigação quase exclusiva das mulheres. A sobrecarga física e mental adoece,
por isso, é preciso dividir essa responsabilidade entre família, sociedade e
Estado.
A defesa da Política Nacional de Cuidados e a ratificação de instrumentos
internacionais que garantam equilíbrio entre trabalho e responsabilidades
familiares são apontadas como caminhos estruturais para romper com o ciclo de
desigualdade.
Ao mesmo tempo, a defesa da soberania dos povos é reafirmada como eixo
político: não há soberania real onde metade da população vive sob ameaça
cotidiana.
Março: mês de visibilidade
Ao longo do mês de Março, o Portal e as redes sociais da CUT vão apresentar
diversos conteúdos formativos e informativos sobre o universo da mulher.
Direitos, personalidades que são referência, serviços e vários outros temas
farão parte da mobilização.
Os conteúdos apontaram para o caminho de que a violência contra a mulher não é
um problema privado. É social, é estrutural e é coletivo e só será
superado quando cada pessoa compreender que o silêncio também alimenta esse
sistema. “Não tem neutralidade nessa realidade de quatro mulheres assassinadas
por dia. Ou a pessoa age ou se cala. E se escolhe o silêncio, ‘não mete a
colher’, permite que uma mulher possa morrer”, finaliza Amanda.
Fonte: CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
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