SuperCAIXA: após cobranças, Caixa abre Rede Responde para organizar tratamento de Termos de Adesão à Fundos que impactavam NS. Prazo é 13/02
A Caixa Econômica Federal abriu, nesta semana, o Rede
Responde #2188, canal interno que permitirá às unidades da rede de varejo
regularizar a digitalização dos Termos de Adesão de aplicações em fundos de
investimento realizadas no segundo semestre de 2025. A medida atende algumas
das cobranças apresentadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro (Contraf-CUT), pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa),
pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) e pela
representante eleita dos empregados no Conselho de Administração do banco,
Fabiana Uehara.
Ao todo, 656 unidades tinham termos pendentes de
digitalização no sistema interno (SICTD). A ausência desses registros vinha
impactando diretamente o indicador SISNS, e consequentemente penalizado a
habilitação no programa Super Caixa, deixando equipes inteiras sem o
recebimento das comissões de vendas de produtos de seguridade.
As unidades têm até 13 de fevereiro, às 18h, para
digitalizar os documentos não digitalizados e informar a data da digitalização,
ou justificar eventual impossibilidade, e adotar as providências necessárias
para regularização.
Segundo o diretor da Contraf-CUT, Rafael de Castro, a medida
corrige uma injustiça evidente. “Os empregados fizeram o trabalho, atenderam
clientes, venderam produtos e entregaram resultado. Não era aceitável que
ficassem sem reconhecimento por uma falha operacional de registro. A abertura
do Rede Responde é fruto direto da mobilização e das cobranças das entidades e
da nossa representante no Conselho de Administração.”
A representante dos empregados no CA da Caixa, Fabiana
Uehara, destacou que a demanda surgiu diretamente das unidades. “Recebemos
inúmeros relatos de colegas que tinham atingido seus objetivos, mas viram a
pontuação zerada por causa da não digitalização dos termos. Levamos essas
situações para a direção do banco e insistimos na correção. Essa medida
recoloca muitas agências na apuração e amplia a possibilidade de recebimento da
premiação.”
Para o coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco, o caso
demonstra a importância da organização coletiva dos trabalhadores. “Desde o
lançamento do programa, a representação dos empregados vem questionando à Caixa
sobre o regulamento injusto e que penaliza os empregados. Ao final do semestre,
quando as equipes começaram a perceber as distorções não corrigidas nos
indicadores SISNS e CSAT, as reclamações se intensificaram. A partir daí houve
uma cobrança sistemática até o banco reconhecer o problema. É uma vitória
parcial, mas importante, porque valoriza quem de fato constrói os resultados da
empresa.”
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro de Barretos e região (SINTRAFI), Marcelo Martins, avaliou que a
medida é um passo importante para corrigir uma distorção que vinha prejudicando
trabalhadores e unidades. “Sem essa possibilidade de regularização, diversas
agências acabariam ficando fora do Super Caixa de forma injusta, e equipes
inteiras seriam penalizadas por um problema de sistema que não tem relação com
o desempenho real. Essa decisão garante mais equilíbrio na apuração e mostra
que quando há organização e pressão das entidades representativas, os
resultados aparecem e os direitos dos empregados são respeitados.”
Avanço importante, mas debate continua
As entidades reconhecem que a abertura do Rede Responde
representa um avanço, mas destacam que a situação evidencia problemas
estruturais do próprio programa.
Rafael de Castro afirma que a correção de inconsistências do
SISNS não encerra o tema. “A solução resolve um erro específico, mas o
regulamento do Super Caixa ainda não reflete adequadamente o esforço das
equipes. É preciso discutir critérios, transparência e governança do programa
com a representação dos empregados.”
Fabiana Uehara reforça a necessidade de negociação. “O que
buscamos é um programa justo, com regras claras e previsíveis. A premiação
precisa reconhecer o trabalho real das unidades. Esse debate precisa acontecer
com a participação dos trabalhadores.”
Felipe Pacheco acrescenta que a pauta continuará nas mesas
de negociação. “Seguiremos cobrando. A abertura do Rede Responde mostra que as
distorções existem e podem ser corrigidas. Porém ainda é necessário que a Caixa
revise o indicador CSAT, que não reflete a qualidade de atendimento dos empregados
da Caixa, tendo diversas falhas sistêmicas de apuração, além disso, é
necessário avançar para regras mais transparentes e justas.”
Para Sergio Takemoto, presidente da Fenae, a experiência reforça o papel da representação coletiva. “A correção só aconteceu porque houve organização, pressão e diálogo institucional. O próximo passo é aprimorar o programa para evitar novas injustiças.”
As entidades orientam que as unidades verifiquem
imediatamente a existência de pendências e realizem a regularização dentro do
prazo estabelecido pela Caixa.
Fonte: Contraf-CUT, com edição de SINTRAFI Barretos
