ContrafCast aborda os impactos positivos da isenção do Imposto de Renda sobre o PIB
Apesar de estar em vigor desde 1º de janeiro, ainda há
brasileiros que desconhecem as novas regras da tabela do Imposto de Renda
Pessoa Física (IRPF). Por isso, o ContrafCast desta semana abordou o tema com a
participação da economista Vivian Machado, técnica do Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pesquisadora
do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo, Inovação e Conjuntura
(CONJUSCS), da Universidade de São Caetano do Sul.
A proposta, de iniciativa do governo federal e aprovada em dezembro pelo
Congresso, após pressão popular, contempla com isenção total trabalhadores com
renda mensal de até R$ 5 mil e beneficia, com descontos progressivamente
menores do imposto, pessoas com rendimentos mensais entre R$ 5.001 e R$ 7.349.
A isenção já era garantida para trabalhadores com até 2 salários-mínimos.
Agora, segundo dados do Ministério da Fazenda, com a implementação da nova
regra, 9,2 milhões passam a ser isentos, ampliando o benefício da isenção total
para 41,7 milhões. Outros 6,2 milhões estão sendo impactados pela regra dos
descontos.
Entre os trabalhadores bancários, 45,9 mil passam a ser beneficiados com a
isenção total e outros 75,9 mil com os descontos.
Quer saber qual será a sua economia mensal e anual, com a nova tabela do IR?
Então acesse a calculadora desenvolvida pelo Dieese clicando
aqui.
A caminho da justiça tributária
Durante a entrevista, Vivian Machado destacou que
levantamento recente do Dieese apontou para um impacto especialmente positivo à
parcela mais vulnerável da população: entre os celetistas, 92% das
mulheres negras e 88% dos homens negros passam a ficar isentos. “Para quem
ganha até R$ 5 mil por mês, a economia em um ano será de R$ 4.170 – valor que
equivale a praticamente um 14º salário no ano”, completou.
A economista destacou também que mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) é
gerado pelo consumo das famílias. "Essa nova lei, portanto, irá contribuir
com o crescimento da economia. Porque mais dinheiro no bolso do trabalhador é
diretamente revertido em estímulo à demanda, a partir do impulsionamento do
consumo", observou.
Outro estudo, desta vez produzido pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das
Desigualdades (Made) da USP, mostra que a nova regra do IR incrementará o
PIB de 2026 com valores entre R$ 23 bilhões e 27 bilhões, o que representaria
algo em torno de 0,2% do índice.
Para compensar a perda de arrecadação, a Lei do IR Zero incluiu a criação de
uma nova taxação progressiva (de até 10%), que recai apenas para pessoas com
renda anual acima de R$ 600 mil, incluindo recursos adquiridos por meio de
lucros e dividendos, que voltam a ser taxados pela primeira vez no Brasil, após
30 anos, desde a instituição da Lei nº 9.249/1995, pelo então presidente
Fernando Henrique Cardoso, que isentou totalmente esse tipo recurso do
recolhimento de impostos.
A seguir, acompanhe a entrevista completa. Se preferir, você também pode
escutar a entrevista pela plataforma do Spotify (clique aqui):
Fonte: Contraf-CUT
