Direção da Caixa cria nova obrigação para gerentes PJ, mas não oferece meios
Na última semana, os empregados da Caixa que atuam na concessão
de crédito PJ no varejo tomaram conhecimento de uma novidade instituída pela
direção da empresa: um aplicativo voltado para o registro de visitas para
prospecção ou manutenção de clientes PJ.
Ao realizar as visitas, o empregado deve estar com
equipamento de telefone celular e rede de dados móveis, pois o aplicativo
identifica a geolocalização. É necessário realizar o registro fotográfico do
endereço do cliente, e o upload das fotos no aplicativo. O comunicado da nova
funcionalidade não veio acompanhado da informação de que seria fornecido
telefone celular, rede de dados, ou seria criado algum tipo de ajuda de custo.
Ao mesmo tempo em que é muito positivo implementar
mecanismos para melhorar os processos e aumentar a segurança nas concessões, a
nova obrigação faz um velho assunto voltar à tona, que é o fato de que os
empregados acabam utilizando equipamentos e recursos pessoais para fins
corporativos.
“Muitos empregados utilizam seus veículos próprios para
realizar visitas, seus telefones pessoais para atender clientes, e agora, com
esta nova obrigação, a direção da Caixa tende a naturalizar ainda mais esta
situação. A direção do banco não pode fingir que desconhece este fato até
porque, entre os diretores, há pessoas que passaram pela rede. Já está mais do
que na hora de se discutir uma solução para esta situação, do uso de recursos
pessoais para o trabalho. Manter a situação como está só aumenta o passivo da
instituição, que depois reclama da elevada judicialização, como se o aumento
das ações judiciais não fosse provocado por decisões equivocadas da direção”,
critica o diretor-presidente da Apcef/SP, Leonardo Quadros.
“A demanda será levada à mesa de negociação permanente,
buscando um posicionamento oficial da direção da Caixa sobre o uso de recursos
pessoais no desempenho das atividades. É essencial que a empresa assuma sua
responsabilidade e apresente soluções para evitar a judicialização e o acúmulo
de passivos. O Sindicato permanece atento aos desdobramentos e, juntamente com as demais entidades representativas, seguirá reivindicando providências e atuando para evitar prejuízos aos trabalhadores”, reforçou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Barretos e região, Marcelo Martins.