Congresso volta do recesso e projetos de interesse dos trabalhadores do ramo financeiro entram na pauta
O Congresso Nacional retomou oficialmente na última
sexta-feira (1º) suas atividades do ano legislativo de 2025, após o recesso
parlamentar, para prosseguir com o debate sobre matérias pendentes de votação.
No período, que se estende até 22 de dezembro, o Sindicato dos Trabalhadores do
Ramo Financeiro de Barretos e região, juntamente às demais entidades
representativas da categoria, seguirá atento a essa agenda de deputados e
senadores, por reunir muitos projetos em tramitação que impactam a categoria
bancária, a classe trabalhadora e os serviços oferecidos à população.
Com a volta dos trabalhos legislativos federais, diversas propostas de
interesse dos bancários e bancárias estarão na pauta do Congresso.
Insere-se, nesse processo, o PL 8821/2017, que isenta integralmente as
contribuições extraordinárias do Imposto de Renda. O texto, numa vitória dos trabalhadores,
foi aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania/CCJC da
Câmara, e agora está sob análise no Senado Federal, renomeado de PL 1739/2024.
Na Comissão de Assuntos Sociais/CAS do Senado, onde já recebeu parecer
favorável do relator – senador Humberto Costa, a matéria dispõe sobre a
inaplicabilidade do limite de dedução do IR nos planos de benefícios de
entidades fechadas de previdência complementar, a exemplo da Funcef.
A luta das entidades representativas dos participantes da Funcef vem desde
2017, quando começou a tramitar esse projeto de lei no Congresso. Desde então,
a Federação Nacional das Associações do Pessoal, com apoio dos
Sindicatos, vem fazendo um trabalho incansável para aprová-lo. Para Sergio
Takemoto - presidente da Fenae, e com base no compromisso com os direitos
dos participantes da Funcef, “a dedução integral das contribuições
extraordinárias é mais um passo para aliviar o peso dos descontos do
equacionamento sobre os benefícios dos aposentados e pensionistas”.
Um projeto sensível aos bancários da Caixa (PL 84/2015), referente à governança
dos fundos de pensão, é de autoria da deputada Maria do Rosário. A matéria
altera disposições das Leis Complementares 108 e 109/2001, sobre o Regime de
Previdência Complementar, como a que prevê acabar com o voto de qualidade no
conselho deliberativo, mantendo assim sua composição paritária. A proposta visa
ainda promover maior diálogo com os participantes na gestão das entidades
fechadas de previdência complementar.
Em julho, na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância,
Adolescência e Família da Câmara, oo movimento sindical
bancário participou de uma audiência pública sobre previdência
complementar, convocada pelo deputado Luiz Carlos Hauly, para debater o tema e
fortalecer a governança dos fundos de pensão. As
entidades reforçaram a importância da Funcef e informaram que,
em 2024, foram R$ 109 bilhões em ativos, “um volume expressivo que resultou em
R$ 7,3 bilhões de retorno em investimentos”.
A terceirização fraudulenta no setor financeiro é outra preocupação do
Sindicato. Representantes do movimento sindical bancário
participaram recentemente na Câmara de uma audiência pública solicitada
pela deputada Erika Kokay. O objetivo foi debater casos de violação de direitos
trabalhistas e de direitos humanos ocorridos no Banco Santander, porque “a luta
desses trabalhadores é de toda a categoria bancária, podendo os ataques das
terceirizações fraudulentas serem estendidos a outros bancos, inclusive os de
caráter público”.
A Lei nº 15.177, que estabelece a reserva mínima de 30% das vagas de
membros titulares para mulheres em conselhos de administração das empresas
estatais, foi sancionada recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. A iniciativa governamental baseou-se no PL 1246/2021, de autoria da
deputada Tábata Amaral, vindo de encontro aos valores já defendidos pela Fenae
e Sindicato, que é garantir igualdade de gênero em todas as esferas da
sociedade. A lei foi publicada no Diário Oficial da União no último dia 24 de
julho.
A proposição representa um novo marco na história da representatividade das
mulheres dentro das estatais. Trata-se de um projeto que reforça a luta por
mais participação feminina nos espaços de decisão. A vitória mais recente foi
garantir que a Caixa incluísse em seu estatuto social a composição mínima de
30% de mulheres nos cargos de alta gestão do banco.
Ainda na agenda parlamentar federal, aparece uma Proposta de Emenda
Constitucional/PEC pelo fim da escala 6X1, apresentada pela deputada Erika
Hilton, numa tentativa de reagir à flexibilização das leis trabalhistas no
país. O Sindicato, inclusive, irá permanecer atuante na mobilização nacional
para reduzir a jornada no Brasil, priorizando a luta por melhores condições de
trabalho e contra o adoecimento. Essa é uma questão que se articula com saúde e
qualidade de vida da classe trabalhadora, mas também opera como uma resposta
direta às desigualdades no mercado de trabalho e contra a flexibilização das
leis trabalhistas.
Fonte: Fenae, com edição de SINTRAFI Barretos