NR-1: mudanças na norma de segurança e saúde no trabalho entram em vigor em maio

 

O Brasil vive uma grave crise de saúde mental, com impactos diretos na vida dos trabalhadores e das empresas. Dados exclusivos do Ministério da Previdência Social, divulgados pelo portal G1, revelam que, em 2024, foram concedidas 472.328 licenças médicas por transtornos mentais. O número representa um aumento alarmante de 68% em relação ao ano anterior e é o maior registrado na última década.

E os sindicatos estão atentos a esse problema. Uma das conquistas foi a revisão da NR1, publicada em agosto de 2024, e que as empresas têm até maio deste ano para implementar as mudanças. Com isso, os empregadores terão de identificar, mitigar e oferecer apoio aos trabalhadores quanto aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. 

É o reconhecimento de que a atividade laboral pode adoecer o trabalhador não só fisicamente, mas também mentalmente, e reforça a urgência para que medidas sejam tomadas para garantir um ambiente saudável de trabalho, e não adoecedor, como ocorre atualmente, em especial nas instituições financeiras.

Algumas das principais mudanças da NR-1 atualizada são: 

  • Inclusão dos riscos psicossociais no PGR
  • Exigência de medidas para proteger a saúde mental dos colaboradores
  • Consultividade dos trabalhadores sobre os riscos
  • Comunicação clara sobre os riscos
  • Possibilidade de os trabalhadores solicitarem revisões no PGR
  • Canal de Denúncias para que os colaboradores relatem situações de risco

De acordo com a coordenadoria geral de fiscalização em segurança e saúde no trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as inspeções serão realizadas de forma planejada e por meio de denúncias encaminhadas ao Ministério. Empresas de teleatendimento, bancos e estabelecimentos de saúde estão entre as prioridades devido ao alto índice de adoecimento mental registrado nesses setores. Durante as auditorias, fiscais examinarão o local de trabalho, dados de afastamentos por doenças ou acidentes, rotatividade de funcionários e também conversarão com trabalhadores para identificar possíveis situações de risco.

"Assédio moral institucionalizado, pressão pelo cumprimento de metas abusivas, incentivo à competitividade e ao individualismo são algumas das características da forma de organização do trabalho no setor financeiro. E é esse ambiente que leva os bancários, por exemplo, a serem uma das categorias que mais adoece psiquicamente hoje no país", explica o secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Barretos e região, Marcelo Benedito.

"Não sofra sozinho. Estamos com você, conte com a gente! Cada pessoa que exige seus direitos e denuncia as arbitrariedades contribui para que melhorias coletivas sejam conquistadas", reforça o dirigente.

A entidade também participa permanentemente da ação Menos Metas, Mais Saúde. Outra atuação do Sindicato se dá por meio do Canalde Denúncias, que permite aos bancários denunciar situações de assédio e outros abusos. É importante ainda destacar que a última Campanha Nacional dos Bancários conquistou importantes avanços para a categoria no tema, como a inclusão, pela primeira vez e de maneira explícita, do termo “assédio moral” nas negociações, atendendo a uma reivindicação histórica do movimento sindical.

Fonte: SINTRAFI Barretos, com informações do G1 e CUT Nacional